2016: ano agourento, coincidências, ou tudo junto?

Ninguém jamais escreveria este roteiro

Foi lá em janeiro, quando morreu David Bowie e uma comoção tomou conta das redes sociais. “Começou mal 2016”, “ano agourento” (em pleno janeiro!) dentre outras descrições catastróficas para o ano que começara menos de duas semanas antes.

Até que atentei num detalhe: Bowie tinha 69 anos (aliás, completados apenas dois dias antes de seu falecimento). Logo, não era mais um “guri”.

O ano foi passando e outras mortes importantes foram se sucedendo. Umberto Eco (aos 84 anos), Johan Cruijff (68), Muhammad Ali (74), o “Professor Girafales” Rubén Aguirre (82), Elke Maravilha (71), Carlos Alberto Torres (72), Leonard Cohen (82), Ferreira Gullar (86)… E parecia que a maior de todas as comoções seria causada pelo falecimento de Fidel Castro, aos 90 anos de idade. Repare que dentre as “vítimas de 2016” que citei, a mais jovem tinha nada menos que 68 anos. Corroborando minha tese de que não é justo culpar 2016: parafraseando Cazuza, nossos heróis que não morreram de overdose estão morrendo de velhice mesmo (a propósito, o próprio Cazuza teria hoje 58 anos).

Até que veio o avião da Chapecoense, vitimando pessoas das mais variadas idades. Nem overdose, nem velhice: foi tragédia mesmo. Das mais cruéis. Aí só se intensificou o “bombardeio” sobre 2016, e neste caso fui forçado a reconhecer: que ano!

Pois ele não se limitou a mortes importantes de pessoas já idosas. Teve a já citada tragédia da Chapecoense, o golpeachment contra Dilma Rousseff, o retrocesso promovido por Michel Temer, o alarmante aumento do ódio e da intolerância (e olha que em 2015 a coisa já não foi fácil), o Brexit, a eleição de Donald Trump nos Estados Unidos… E poderia citar ainda mais “maldades”. Não parece coincidência que tantas coisas assim estejam acontecendo.

Foi um ano dos infernos. Digo, ainda está sendo, pois restam 24 dias pela frente. E como se não bastassem tantas desgraças, 2016 é bissexto — ou seja, terá um dia a mais para nos sacanear.