2016. O ano em que o fim começou.

Natal da burguesia é assim

Há anos para esquecer. Outros para rememorar. Há aqueles, entretanto, que se fixam no espaço-tempo como uma bola de papel higiênico molhado atirada na parede. 2016 é um desses anos. É o ano em que o tecido da realidade, tal como conhecemos, começou a se desfazer. O primeiro ano do fim, que procederá ao recomeço.

Este ano foi o ano em que a direita tirou a cabeça pra fora da linha d’água. Tomou corpo o delírio real de um Bolsonaro.

Foi o ano do golpe. Consumou-se a Vitória do grande capital depois de alguns anos de resistência. E a resistência mostrou, infelizmente, que não há mocinho em nosso jogo político.

Foi o ano em que artistas fabulosos nos deixaram. Talvez não em volume maior que outros anos mas em qualidade por certo sofremos um baque forte.

Um ano de divisão. Em 2016 o país foi novamente dividido em seu pensar. De um lado, coxinhas. De outro, mortadelas. Todos perdedores.

Do lado de cima os detentores do poder riem de nós, que estamos engalfinhados em uma disputa apocalíptica enquanto eles comem biscoito fino e tomam cliquot.

2016, definitivamente, é um ano fora da curva. Saímos do asfalto e atravessamos o caminho na lama. Chegamos em Doria, Crivella e Trump.

2017 será a esperança tomando fôlego em meio ao espiral de caos criado agora ou entornaremos o caldo de vez?

Que mais uma translação se faça e que encontremos o caminho no ano que se aproxima.