35 milhões pra internet? Nossa, mas que "absurdo", Alckmin!

Saiu a notícia de que o governo do estado de São Paulo pretende gastar 35 milhões de Reais em comunicação digital. Acompanhei a curiosa reação por parte de alguns pares, assustados com o montante, como se fosse irracional. O número faz sentido. Uma marca mais quadrada costuma gastar entre 13,5 e 7,5% de sua verba de comunicação com o ambiente digital, tomando como referência o ano de 2014, onde São Paulo gastou cerca de 188 milhões em propaganda, a verba anunciada significaria cerca de 18% desse montante. Acima da média que apontei, verdade, mas condizente com o fato de que São Paulo é, de longe, o estado mais conectado do país. Isso quer dizer que o governo Alckmin não seria tão "quadrado" do ponto de vista de comunicação. E que o governador já está pensando em 2018.

Sim, há um viés político/eleitoral na decisão de investir mais nos ambientes digitais e por esse esse lado a decisão é muito inteligente.

A comunicação do governo de um estado deve, na maior parte do tempo, falar para a própria população. Claro que em alguns casos como quando envolve turismo, captação de investidores externos e coisas do tipo faz sentido anunciar pra fora mas é uma parcela insignificante da verba. Prestação de contas, anúncios de programas diferenciados, divulgação de projetos, iniciativas inovadoras, tudo isso fica resumido geograficamente e "falar pra fora" pode significa o risco de levar um belo bote do tribunal de contas.

Porém não é segredo que Alckmin tem ambições políticas nacionais para 2018 e para bater de frente com Aécio, e seus milhões de votos no último pleito, ele tem um grande desafio pela frente: reforçar seu nome nacionalmente, disputando espaço no mar de notícias ruins, enfrentando seus próprios problemas (como a crise hídrica) e encarando um possível enfraquecimento político com os resultados da eleição para a prefeitura em 2016. Uma forma inteligente de fazer isso é justamente investir no digital, onde as barreiras geográficas caem por terra.

O problema com compra de mídia ainda existe, claro, não há muitas justificativas cabíveis pra comprar mídia pra fora do estado, mas isso pode ser contornado com conteúdo de excelente qualidade, com ações inteligentes e inovadoras e, claro, com ativações bem planejadas e alguma guerrilha digital. Dentro do ambiente digital existem meios e ferramentas para se vender o gestor e a qualidade da gestão para o resto do Brasil sem correr o risco de infringir a lei, numa tentativa de ampliar a relevância de Alckmin no cenário política e ampliar o capital social de um político que é apresentado por opositores como "um picolé de chuchu".

Claro que nessa verba não está inclusa a manutenção da presença digital do homem público, isso deve acontecer em paralelo. De um lado irão trabalhar a gestão, vendendo eficiência, inovação e trabalho, por outro lado devem trabalhar o homem, tentando humanizar o Geraldo, tornando-o mais palatável, buscando criar algum carisma e blindando ele pra famosa guerra Sul x Norte, já característica das eleições presidenciais.