6 coisas que a gente precisa em 2018

Não é tanta coisa. Não é tão difícil.

Photo by Austin Schmid on Unsplash

A gente precisa ganhar dinheiro.

O quanto der. Quanto mais, melhor.

Dinheiro honesto. Suado. Dinheiro difícil.

A gente precisa ganhar essa grana e mostrar pros nossos parentes. Pros nossos filhos. Pros nossos vizinhos. Ter orgulho dele. Mostrar que ele é o resultado de ter acordado cedo, dormido tarde, ter feito algumas renúncias.

Porque as gerações mais novas estão convencidas que somente gente escrota ganha dinheiro. Que só quem vende a alma pro demônio fica rico.

Isso tira os mais valiosos competidores do mercado, e deixa só os vermes. Aqueles que mudariam seus mundos, suas realidades. Os bons precisam voltar pro jogo, e servir de exemplo, de inspiração.

Prosperidade precisa de esperança. Uma não vive sem a outra.

Quando uma sociedade vincula prosperidade com maus feitos, ela condena todo o seu futuro. Isso precisa acabar.

A gente precisa parar de comparar o incomparável.

Exemplos positivos fazem bem para a evolução. Mas quando eles só servem para criar prostração, é melhor não os usarmos.

Não há semana que alguém não passe uma notícia comparando a vida na Suécia ou no Canadá com a brasileira. E isso, ainda que sirva como uma bússola maluca, que mostra o quanto a gente está fora de norte, também funciona para esfregar na nossa cara que a estrada que leva até essa outra realidade é tão longe, que não adianta nem começar a caminhada.

A gente precisa começar a encontrar os exemplos mais próximos. Os pequenos atos que deram certo em pouco tempo, aqui no Chile, aqui na Colômbia, aqui no Uruguai. Baby steps, um passo de cada vez, quem sabe a gente consiga ir mais longe.

A mesma coisa se aplica em nossas vidas pessoais. Se comparar com o amigo mais rico ou com o mais feliz pode ser uma grande piada. Você não sabe de que forma ele ganhou a grana, nem como é sua vida quando ele está sozinho. Preocupe-se com a sua vida. Com o seu dinheiro. Fique feliz pelo seu amigo, mas conheça apenas o seu próximo passo.

A gente precisa se abrir de novo pra arte.

E nesse momento, escolher a arte certa. A arte que inspira. Que eleva. Que questiona. A arte que tira o foco do ódio. Que gera discussão saudável. Que preenche a vida com assuntos que não são as vidas dos outros, a fofoca maldosa.

Aquilo que se veste de arte pra destilar ódio, pra dividir as pessoas, pra controlar sua mente, deixa pra outra hora. Arte deve estar mais preocupada em suscitar as melhores perguntas do que oferecer respostas ou certezas definitivas.

Nós precisamos é de arte que encha nossas paredes, nossos ouvidos, nossas cidades, nossos olhos e corações.

A gente precisa voltar a se assombrar.

Vivemos num mundo magnífico. Rodeados por pequenos e grandes milagres que passam por nós todos os dias.

Uma tempestade. Uma manhã. Um besouro colorido. Uma chuva de meteoros. Uma montanha. O céu.

Apesar disso, estamos escolhendo, voluntariamente, baixar nossas cabeças em reverência aos nossos telefones, e ignorar a imensidão, trocando tudo isso pelo meme maldoso do dia.

A vida passa por nós em ultra resolução.

A gente precisa reaprender a ver esse planeta. Precisa deixar ele entrar por todos os poros. A gente precisa se libertar da ditadura da timeline para voltar a perceber a singela dança das árvores no vento. Notar a brisa gelada das manhãs. O calor da tarde. O sabor dos almoços. O tempo com a família.

Por maiores que sejam as inovações tecnológicas que chegam as nossas mãos, elas ainda não são nada em comparação com esse lugar. Hora de honrar o título de terráqueo.

A gente precisa perdoar.

Perdoar tudo que for possível, e até um pouco do que não for.

Perdoar o perdão fácil, que está só ocupando espaço no seu peito, e o perdão difícil, o perdão coletivo, que caiu como uma árvore seca no nosso caminho.

Porque só o perdão abre espaço pro novo. O rancor deixa tudo como está. Cozinha tudo em banho Maria. O rancor paralisa as pessoas, endurece os corações, cria e engorda monstros.

Não é perdoar para se sentir superior a ninguém. É perdoar para ver o próximo capítulo. Para dar a oportunidade do perdoado de fazer diferente. De aprender.

Perdoar, porque a gente entende que também precisa ser perdoado. Porque o último sujeito imaculado que andou por essas bandas já foi embora há mais de dois mil anos. Quem nunca machucou ninguém que atire a primeira pedra.

Perdoar, para ser perdoado.

A gente precisa se amar.

Não da forma “fim de missa” que a gente sempre faz. Mas amar a pessoa ao seu lado. O vizinho chato. O colega de trabalho. Amar porque ele é um outro ser humano, e está sozinho nesse mundo maluco, e está fazendo o melhor que consegue, igualzinho a você.

A gente precisa se amar, e se quiser, postar as fotos nas redes sociais. E aí sim, fazer as fatídicas timelines ficarem mais sorridentes, otimistas, coloridas. Porque o desamor virou a regra. Porque nossos dias hoje começam com porrada, caminham pro linchamento e terminam no holocausto.

Se amar, para conseguir dormir melhor. E acordar descansado. E descansado, não se comparar com ninguém, e se assombrar com o mundo, conseguir trabalhar direito, inspirados. E ganhar dinheiro. E perdoar.

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