A crise não te obriga a retrair, te obriga a se posicionar.

Esse vai ser um ano difícil, muitas empresas vão quebrar, é um ano pra se sobreviver… eu tenho ouvido essas frases com tanta frequência que já soam como mantras. Mas jamais serão meus mantras. Nem meu, nem dos meus.

Sim, estamos passando por uma crise sem precedentes, ao menos pra mim, na posição de empresário. Já tivemos outras crises, verdade, mas eu as encarei na posição de funcionário e, no auge de minha arrogância juvenil, seguro do desemprego afinal eu "era bom demais pra ser demitido". Visto desse ponto a crise de hoje é uma novidade. Agora não se trata de dar o melhor de mim na minha função e esperar que os donos da empresa tenham capacidade de encontrar alternativas e oportunidades para atravessar esse momento. Agora cabe a mim, e a meus sócios, encontrar as alternativas e enxergar as oportunidades. Assumir uma postura pessimista, abraçar as derrotas — e culpar a crise por elas, se retrair, se acovardar não são opções. O que está em jogo não é apenas o capital investido e o tempo —que não foram poucos, o que está em jogo é o emprego daqueles que acreditaram na nossa visão, da turminha cujos olhos brilham ao enxergar desafios, que passam o tempo todo pensando em como dar o melhor de si. Da turminha que "se abraça na pica" e diz "ela também é minha". Se for pra escolher um mantra escolheremos "o problema também é meu". É assim que funciona na Cumbuca: resultado. Pro cliente e, claro, pra nós.

E nesse momento o problema é: manter o otimismo enquanto suplantamos os desafios. Retrair pode ser uma opção — e pode ser a opção certa, mas certamente não é uma obrigação.

Restrição de crédito, população endividada, inflação nas alturas, demissões em massa, o dinheiro deixando de circular. Um cenário perturbador, principalmente quando lembramos que muitas empresas, sem visão, ao perceberem que vão apertar o cinto cortam logo a verba de marketing. Como se parar de anunciar fosse realmente a melhor maneira de recuperar as vendas. Mas a verdade é que mesmo essa possibilidade se mostra um oportunidade (não, não vou mandar agora o clichê sobre o kanji japonês). Com a redução do faturamento e a necessidade do corte de despesas a comunicação digital surge como uma excelente opção. De veiculação mais barata, possibilidade de mensurar diretamente a performance, segmentação para maior eficiência de campanhas e anúncios, canais de veiculação proprietários e a possibilidade de criar ações mais ousadas com objetivos bem definidos o investimento em digital torna-se justificável (como se não fosse antes, não é mesmo?). Algumas empresas que não investiam no digital estão "ousando" fazê-lo. Só tem tu, vai tu mesmo.

Sabe o que isso significa? É hora de correr atrás. De transformar a crise em oportunidade. De virar a mesa. Ou de enchê-la.

Nós tomamos nossa posição. Não vamos abaixar a cabeça. Não vamos ficar lamentando as verbas que foram cortadas. Vamos correr atrás daquela que surgiu. Ampliamos nossa equipe em Brasília, investindo na criação e no planejamento. Em Recife o núcleo criativo foi reforçado para ajudar a criar fantásticas ações integradas — envolvendo on e off — e podermos seguir apresentando soluções diferentes e ousadas, o núcleo de tecnologia também cresceu, ampliamos a capacidade técnica, podendo pirar ainda mais nas ações e entregas (confesso que não sabia o que era Arduino até saber que estávamos trabalhando com ele). São Paulo e Belo Horizonte ganharam reforços na prospeção. vamos pra cima. Até o departamento de "vai dar merda" — você já ouviu falar dele se acompanha meus textos — tornou-se mais eficiente e acompanha de perto tudo que é criado.

Com ou sem crise decidimos crescer.

Ajuda ter uma visão diferenciada do próprio mercado. Ajuda defender que precisamos entregar resultados palpáveis e não "likes". Ajuda defender e produzir o conteúdo de qualidade. Ajuda buscar entregas criativas e inovadores sem custos proibitivos. Ajuda ter a experiência que temos em segmentação e regionalização. Ajuda ter um time com sangue nos olhos e que acredita no que faz. Ajuda tentar colocar em prática tudo aquilo que divido com vocês aqui. Ajuda, mas não resolve.

O que resolve é a forma como nos posicionamos. É a forma como encaramos o momento. E, veja bem, não falo de um otimismo bobo e ingênuo, algo meio "jogo do contente", longe disso. Isso é ter fé e contar com a sorte — que é pra quem acredita nela. Falo de planejamento a médio e longo prazo, de ter visão de jogo, de ter foco. E, amigo, se você participa da gestão de alguma empresa você tem a obrigação de assumir uma postura similar. Pelos empresa. Pelos colaboradores. Pelos seus. Levanta a cabeça, porra!

Agora tem um porém (sempre tem, não é mesmo?): os gestores não conseguem fazer isso sozinhos. É impossível tentar empurrar uma empresa ladeira acima, ou impedir que desça ladeira abaixo, com um monte de gente dentro achando que não pode fazer nada e alguns bem intencionados tentando empurrar. Superar esse momento deve ser integrado à cultura da empresa e todos, sem excessão, devem se envolver e acreditar. E não se trata apenas de fazer o seu, já disse, é trabalhar pra levantar a moral, pra estimular os colaboradores, é difundir o sentimento que vocês, como empresa, são maiores que o problema. Não é uma batalha de um homem só.

Eu tentei evitar os clichês mas só consigo ver uma forma de acabar esse texto, acabar com uma pergunta: você é parte da solução ou parte do problema?

Pense nisso.

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