A empatia que os astros me ensinaram

Da minha perspectiva de heavy user de redes sociais e apreciadora da astrologia, percebi que há uns três anos os mistérios da influência dos astros tem ampliado seu canal de conexão com as pessoas. Horóscopos são populares há muito tempo e os astrólogos estão estudando e trabalhando com estes aspectos há muito mais tempo (considerando que a astrologia existe desde milênios antes de Cristo). Mas foi em 2015 que observei uma popularização dos estudos e interesses em Mapa Astral. Para além dos horóscopos publicados em páginas de jornais, algo altamente genérico, e interpretação do signo solar, idem, as pessoas passaram a busca conhecimento sobre outros astros que representam influencias sobre nossa vida e personalidade.

Foi durante o “Boom Pop Astrológico”, termo criado neste exato momento, que fui atrás de conhecer meu Mapa Astral. Na época não fez muito sentido. Talvez porque estava passando por uma depressão profunda. Ou seja, não estava em uma situação favorável para enfrentar algumas questões mais complexas que apareceram. Contudo, aquele momento rendeu uma tatuagem da constelação de Leão, meu signo solar, que até hoje carrega um significado muitíssimo importante.

Há poucos meses retomei meus estudos astrológicos, sempre partindo do meu próprio Mapa Astral e focando no autoconhecimento. Óbvio que estando melhor da depressão as coisas passaram a fazer mais sentido. Percebi que a autocrítica constante e o perfeccionismo fazem parte e mim e não há nada de errado nisso. O conhecimento e — talvez mais importante — o reconhecimento dessas características me servem de ferramenta para tentar ser mais gentil comigo mesma. O mergulho no autoconhecimento (esse passeio nunca acaba) me fez uma pessoa mais empática comigo mesma e, por consequência, com as outras pessoas. Permitir enxergar minhas falhas e aceitar que a perfeição não existe me ajuda a ser mais compreensiva com os outros.

Brisas ilustrativas — Crédito: Arquivo pessoal. @arceelii no Instagram

Mas voltando ao Boom Pop Astrológico 2015…

Com ele apareceram os críticos ferrenhos à astrologia. “Pseudociência, coisa de gente maluca, bruxaria, pega trouxa, etc.”. Não faltam formas de diminuir a crença das pessoas, mas tudo bem (não), pois todas crenças são atacadas em alguma medida. Ninguém acredita em tudo que está colocado no campo das crenças, do mistério, do subjetivo e impalpável. Abrace o que te deixa mais confortável ou não abrace nada. Faça como for melhor para você.

A questão é que a astrologia é um campo de estudos extremamente complexo, cheio de detalhes e que demanda tempo e paciência. Naturalmente as pessoas acabam fazendo o que fazem de melhor… Colocam tudo em caixinhas de estereótipos, que não ajudam ninguém. E assim o que ganha força não é a leitura completa e aprofundada dessa linguagem repleta de símbolos, mas rotulação de pessoas a partir de estereótipos, que já existiam. Surpreendendo ninguém, as pessoas se apropriaram destes estereótipos para caracterizar todas as pessoas com base em leituras negativas de um único aspecto tratado pela astrologia e que sozinho diz nada, o signo solar.

O que representa um estudo sério para muitas pessoas acaba sendo fonte de produção de memes contraproducente e para apontar “defeitos” e “falhas” em outras pessoas. Ignorando que nossa sociedade e as relações interpessoais são fucked up, claro que a culpa desse comportamento está na astrologia. Ninguém vai culpar o mau uso dos símbolos, né? (Está pergunta é retórica e possui sarcasmo).

Nós não aprendemos a reconhecer e lidar com nossas falhas. Passamos a vida fingindo viver em um estado de perfeição constante, nem crescente ela é, pois significaria que a perfeição anterior era menos que a atual ou a próxima. Por isso, não há espaço para refletir, desconstruir e repensar nossas características, ações e escolhas. Me parece natural que a primeira reação, de uma pessoa que não se conhece e não se permite errar, seja defensiva e agressiva quando alguém aponta uma “falha” baseado em algo que ela não acredita. Enquanto isso todos se agarram às suas máscaras de perfeição, mas deixam um dedo livre para apontar os defeitos de quem deixar o disfarce escorregar.

Na busca pelo meu autoconhecimento pude deixar a máscara cair, mesmo que na maior parte do tempo seja para mim mesma, afinal é difícil estar exposta numa sociedade em que todos vivem escondidos e protegidos em suas falácias.

A partir do Mapa Astral como ferramenta de autoconhecimento pude compreender mais uma vez que ninguém é uma coisa só. Somos uma conjunção de luz e sombra. Um conjunto complexo de aspectos, influências e vivências. Descobri que não há nada de errado comigo, que em astrologia não há nada ruim. O que existe são aspectos que pedem atenção e reflexão.

Aprendi que todas as pessoas têm complexidades como eu. Um erro e um comportamento errado não constituem plenamente a existência daquele sujeito. Se eu possuo minúcias que desconheço, como poderia querer julgar os outros?