A espiritualidade pode ser relacionada a sexualidade?

Passei um bom tempo tentando entender a sexualidade na minha vida, então comecei a procurar sobre o assunto relacionado a espiritualidade, pois tinha como objetivo a melhora do meu desempenho nesse quesito em todos os sentidos.

Em cada artigo, livro e pequenos textos lidos, percebi que o sexo e a espiritualidade estavam ligados, e ia muito além do ato sexual (o que foi um tapa na cara). Sendo assim, meu objetivo já não era mais lidar com o sexo como uma ferramenta de prazer, queria mais, queria essa transcendência que lia nos textos pesquisados.

Como tudo começou

A minha busca começo a partir do entendimento sobre magia sexual. A cultura oriental fala sobre isso com o Tantra. Que se trata de uma filosofia comportamental, de origem hinduísta, com aspectos matriarcais, visando lidar com a desrepressão do corpo físico e espiritual, centrado no despertar da Kundalini, essa que por sua vez, fica localizada na base da coluna, tendo sua manifestação sexual, elevando os chakras (aliás, os chakras são importantes neste equilíbrio do nosso “ser sexual”).

O seu despertar consiste no encontro da serpente, da união dos deuses Shiva e Shakti, que tornam-se um só, dando vida ao seu eu superior. Deste modo, no tantra o corpo não é obstáculo, mas a base para a evolução espiritual.

Repressão Sexual

Para que a magia sexual aconteça, para que exista a conexão da espiritualidade junto a sexualidade, devemos nos livrar das repressões. Abrir as portas para um mundo de novas possibilidades. A sexualidade junto a espiritualidade, neste caso, ganha forma quando alcançamos o nosso despertar desdobrando o mesmo para além de nossos medos, entendendo nosso corpo de maneira consciente, possibilitando assim a nossa evolução física e espiritual. As vendas não devem existir. O receio quanto o nosso corpo e alma não devem se fazerem presentes.

Sexualidade e Amor Próprio

Lendo sobre o assunto, entendi que a magia sexual tinha e tem inúmeros objetivos, seja para melhorar o nosso desenvolvimento em âmbito sexual, seja para alcançar certos objetivos materiais na vida, seja para atrair o ser amado, mas, o principal deles, é a busca pelo o amor-próprio, a compreensão do quem somos.

Pensando nos dias de hoje, e em como estamos cercados por inúmeros estímulos que nos fazem questionar a nossa segurança diante da sociedade, o sexo acaba por ser mais um meio de distanciamento quanto ao nosso corpo, e quanto as nossas vontades. Como resultado, estamos cercados por medo e insegurança, vivendo sempre a mercê de limites que apenas nos afastam do prazer real envolvido, em se tratando de sexo.

Não sentimos, apenas praticamos. A troca de energia não é simultânea, quando muito ela acontece. Trocamos fluídos com outros sem pensar muito no quanto aquilo será bom, ou não. Ficamos cansados, mas seguimos nesse ciclo.

Deste modo, desperdiçamos uma energia enorme e super poderosa com prazeres momentâneos que apenas nos desgastam, deixando buracos na nossa aura.

O que é uma pena. O estudo sobre o assunto deve ser de interesse de todos, a sexualidade não deve ser vista jamais como tabu, pois no momento que a compreendemos dentro de nós, alçamos vôo para o encontro de nossa plenitude divina, logo, obtendo o amor próprio, e autoconhecimento.

Mulher, sexo e espiritualidade

A mulher sempre foi determinante nesse processo de despertar, ela era o sagrado, ela era quem tinha o poder de dar a vida. Sendo assim, sua relevância na busca dessa evolução, de extrema importância. A mulher era a completude da deusa.

Logo, é engraçado perceber como atualmente estamos distante dessa visão, de alguma forma, nos colocaram em posição de sentirmos vergonha do nosso corpo, nos afastando da possibilidade de provar do fruto sagrado, aliás, o fruto sagrado é pecado.

Os limites que nos foram impostos nos impossibilitou, e ainda impossibilita da prática sexual como prazer conjunto. O outro tem prazer, mas a mulher não.

O nosso maior erro é nos distanciarmos da deusa interior, desse poder que existe na nossa vagina, e não somente nesta. Não buscarmos o nosso prazer no sexo como um todo, em sua maioria, queremos apenas dar o prazer, este que deve ser de ambos.

Nos livremos dessas amarras que nos impede de viver o sagrado, o sexo, e a espiritualidade em sua plenitude.

Então sexualidade e espiritualidade se fundem?

Em vários momentos a religião de alguma forma reprimiu os seres humanos. Nosso corpo seria repugnante, a prática desproporcional do mesmo, seria pecaminosa.

Seguimos assim.

Com a percepção de que sexo é proibido. Não deve ser falado.

Mas ao contrário do que se acredita, o sexo é sagrado, é conhecimento de si e do outro. É energia que usada para o bem nos cobre de luz, no levando a um processo de materialização de nossos desejos mais profundos, aqueles que nós mesmos não conhecemos.

O sexo é fonte divina.

Um ritual

Uma forma de conseguir o que almejamos, se este for para o bem, é através da mentalização durante a masturbação. É necessário que você esteja disposto, que sua energia esteja fluída, para que influências externas não atrapalhem durante o processo do ritual, que o seu corpo esteja limpo tanto dentro, como fora. Apenas sinta o seu corpo, e imagine o que deseja como se já estivesse acontecendo em sua vida. Respire fundo algumas vez, mantenha a calma, e não se prenda nesse momento. Se for preciso, escreva antes o que quer alcançar. Não tenha pressa. Esteja consciente. No ápice do orgasmo, pense no objetivo sendo realizado.

Que assim seja.