A figura de linguagem e o discurso revolucionário

Quem em sã consciência seria contra a “Direitos humanos”, “Justiça social”, “Democracia” e “Igualdade” ante aos apelos que tais expressões emanam hoje? Ao lê-las, sente-se o sujeito impelido a abraçá-las com a mais pueril das inocências. Usadas como mote divino nos discursos revolucionários, elas produzem, junto com as figuras de linguagem, todo o magnetismo por meio do qual um mundo de pessoas são atraídas. Todavia, esse aparato discursivo tece o véu ideológico, sob o qual subjaz o ardil e o alvo maior daquilo que se pretende verdadeiramente inocular na cabecinha dessas pessoas.

Nessas poucas linhas, abordarei somente situações em que as figuras de linguagem são usadas como as mais perfeitas armadilhas na promoção de um truque semântico que inverte, confunde e engana, moldando o pensamento dos incautos com base no interesse de momento dos esquerdistas.

Figura de linguagem, em síntese, é o recurso linguístico que usamos para dar a expressividade e o efeito desejado àquilo que falamos e escrevemos. Logo, ela é tão somente um adorno discursivo que, como figura que é, não representa a realidade das coisas ainda que tenha com a realidade alguma relação. Dito de outro modo: ser a fiel representante de uma verdade é tudo que uma figura de linguagem não é. Mas criar truques semânticos com o uso desse recurso é o objetivo mesmo do discurso revolucionário.

Quando o desarmamentista diz, por exemplo, que arma de fogo mata, e que por isso sua comercialização deve ser proibida, temos aí o claro uso da prosopopeia ou personificação, figura que dá “vida” a seres inanimados. Com isso, tira-se de cena aquele que efetivamente puxa o gatilho, centralizando toda a atenção no objeto que se pretende proibir. E o feito ardiloso desse ato é sedimentado com a ausência da mais simples reflexão: nenhuma vivalma atina para o fato do ser humano já matar antes mesmo do advento da pólvora.

O mesmo ocorre com a ideia de que, quanto mais direitos, maior a democracia. De onde vem essa ideia enganosa? Excluindo o sentido grego do termo, democracia é o regime jurídico-político que propicia a existência de certos direitos (o contrário disso resulta na enxurrada de direitos que temos hoje). A democracia, portanto, não pertence ao indivíduo, e sim ao Estado. Logo, ou o Estado é democrático ou ele não é. Imagine um judeu querendo ser democrático na Alemanha nazista, ou um cubano em sua ilha?

Assim sendo, dizer que um direito qualquer é democracia significa tomar o condicionado pela condição que o faz existir. Isso é metonímia. Sem falar no fato mais do que evidente: ao estabelecer um direito, o Estado estabelece ao mesmo tempo obrigações a alguém. Mais obrigações implica menos liberdade e o concomitante aumento do raio de ação do braço estatal. Como isso pode aumentar a democracia? Democracia, em essência, não é o exato oposto: menor regulamentação da vida privada?