A gente esquece né?

Divagações sobre a ingratidão

Igor Frade
Jun 18 · 4 min read

Um tempo atrás, fiz um texto falando sobre , sobre como deixou de fazer sentido para mim viver sob o ideal de uma carreira bem sucedida, viver o que outros imaginaram para minha vida.

E em uma conversa com a minha irmã, entendi que essa perda de significado sobre o que sonhei para mim mesmo um dia, faz parte também do esquecimento das minhas próprias conquistas pessoais.

Se deixou de fazer sentido me tornar um ídolo do rock, é porque eu aprendi a tocar meu violãozinho, estudei sobre música e entendi que aquele ideal não existe da forma em que me foi construído.

Com as pequenas conquistas que fui realizando em minha vida, fui, a um passo de cada vez, deixando de sonhar coisas idealizadas demais e passando a almejar pontos alcançáveis. E isso é fácil de entender na carreira ou em um hobbie novo.

Mas o problema é mais embaixo.

Vou exemplificar:
Recentemente, comecei a trabalhar também pra um Youtuber, me aproximando cada vez mais do Julius, que tem dois empregos. E o início animado e idealizado de emprego-dos-sonhos com redes sociais logo foi me desapontando.

MEU MARIDO TEM DOIS EMPREGOS. (pode se aplicar pra mulher também, pq que o homem tem que ser o provedor da casa e a mulher ser fragilizada, minha gente?)

O Youtube recomenda o que dá clique. E pra ter clique temos que competir com mais 12 vídeos na página inicial. O resultado é o que todos sabem que acontece, uma luta por conteúdo clicável, gerando cada vez mais futilidade e fazendo com que quem cria algo minimamente sério perca destaque.

O assunto é muito mais sério e vale um texto exclusivo, que eu ainda planejo fazer. Mas a ideia ainda vale. Entender a própria realidade pode ser frustrante. E temos que lidar com isso.

Comecei a reclamar dos meus white-ppl-problems com a minha irmã.

E aí o segundo chá de realidade.

Durante a minha vida tive diversas oportunidades (e diversos privilégios) que me trouxeram onde estou hoje. Diversas coisas com a qual eu sonhava na minha infância e adolescência se realizaram. A gente esquece que existe uma realidade menos idealizada, que devemos encarar. Mas também esquecemos das próprias conquistas e de onde chegamos.

Todo mundo tem o direito de reclamar da própria vida, de se desapontar com a própria realidade e almejar algo melhor. O problema é se deixar levar pela frustração da própria mediocridade e se deprimir por isso.

Em uma reflexão mais profunda, entendo que a vida com poucas dificuldades que tive, arduamente conquistada pra mim pela minha mãe, me comprou tempo para pensar, descobrir e entender o caminho em que eu iria traçar.

Neste caso, o dinheiro, e também a minha posição social (branco, privilegiado), tornou-me capaz de progredir profissionalmente com muito mais facilidade. Porém, o bullying e a falta da figura paterna também tomaram sua parte, dificultando no lado emocional.

O ponto que quero chegar é que, ao reclamar que “onde diabos fui parar, por quê minha vida se transformou nisso?” esqueço que já conquistei sonhos que me antes me pareciam inalcançáveis. Em suma: tô reclamando de barriga cheia, porra!

Hoje, sigo uma formulinha mágica pra não pirar quando me pego em uma situação ruim: não importa a dificuldade que eu passe hoje, desde que ela sirva de apoio para chegar em uma situação mais confortável.

Eu já tive empregos muito ruins, que graças à eles constarem ali no meu currículo, me proporcionaram a oportunidade de chegar onde tô hoje. (olha que não é nem o começo da minha carreira)

Já tive relacionamentos horríveis, que me proporcionaram o conhecimento necessário pra não entrar numa relação merda de novo.

É claro, é sempre melhor aprender lendo, ouvindo, sendo aconselhado. Mas tem coisa que a gente tem que aprender vivendo. E é assim que eu sigo a minha vida.


Esse aqui é o textinho que mencionei, sobre como me perdi meio ao que eu almejava para mim mesmo, e sobre como este processo foi importante e me construiu como pessoa:

E mais sobre expectativas idealizadas e como o egoísmo pode afetar nossos relacionamentos nesse texto maravilhoso da Fale mais sobre isso…

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