A gente precisa aprender a dizer o que sente

Por mais que pareça meio ridículo às vezes

dora the explorer
May 31, 2018 · 3 min read

Esses dias apareceu uma postagem do Spotted da minha universidade na minha Linha do Tempo, na qual alguém perguntava como perder a vergonha de chamar alguém pra sair e outra pessoa respondia: “manda a mensagem, joga o celular na cama e volta pra ver em uma hora”.

Eu comecei a rir sozinha porque reconheci meu próprio comportamento ali perante várias coisas que eu queria falar mas, antigamente, guardava pra mim. Se enviar e lidar com as consequências depois é a melhor forma, eu não sei, mas ser um tanto babaca assim tem ajudado a colocar muitas coisas pra fora.

Eu sou uma pessoa muito expansiva, mas, ao mesmo tempo, eu sou tímida para algumas outras. Não tenho confiança em mim mesma e o meu medo de rejeição é gigante — em qualquer situação. Por isso, muitas vezes me privei de colocar aquilo que eu queria à mesa. Pra algumas situações, eu simplesmente disse “sim” quando a resposta que estava na minha cabeça era outra. É por isso que eu decidi treinar o meu diálogo para dizer o que eu sinto. Não quero deixar nenhum sentimento me consumir, especialmente se ele envolve alguém. Seja lá qual for o tamanho desse sentimento.

Eu falei um pouco sobre isso aqui em outro texto, quando escrevi sobre a nossa responsabilidade afetiva nesses tempos de esquecer e deletar. Mas isso também tem a ver com a gente — e não sei se esse “a gente” é só comigo ou é com geral. É muito mais fácil se acomodar no que poderia ter sido se a gente tivesse ter dito e imaginar milhões de situações na mente do que encarar a realidade. Porque, se a gente tivesse dito, talvez as coisas pudessem ser mais favoráveis pra gente em determinada situação. Ou, se a gente não tivesse dito, iríamos nos perder em pensamentos que nunca vão se tornar realidade. É se colocar no mundo e ver o que ele lhe entrega em resposta.

É que, às vezes, a gente tem medo de ser a gente. Só que, desde que você não seja uma pessoa intencionalmente ruim, que você seja apenas uma pessoa comum com um defeito ou outro ali (e tá tudo bem ter defeito, é normal demais ter defeito), também não tem problema algum em se mostrar para o mundo como você é. Eu escrevo sobre isso tentando me convencer da mesma coisa também. Claro que a autocrítica sobre a gente é sempre válida, mas também não podemos nos sabotar. Não vamos deixar de viver as coisas e de experimentar uma montanha russa de emoções porque não sabemos como que as outras pessoas vão reagir diante de quem nós somos.

Tenho raiva de mim, de vez em quando? Nem imagina o quanto. Mas, colocando aquele clichê corporativo do “o não você já tem em outras palavras”, vamos parar para pensar aqui: o que nós temos, efetivamente, A perder? São experiências. Experiências nos fazem mais fortes — sejam elas positivas ou negativas ali, naquela hora. Vão ajudando a construir a nossa história, o nosso caminho e essas coisas todas.

E, de fato, também temos que estar preparados para a reação das outras pessoas quanto a isso, o que eu confesso que é a parte mais difícil. Mas se tem uma coisa que eu acredito agora é que isso só é difícil porque nós idealizamos as outras pessoas. É sempre muito mais simples, só que não faz parte da realidade. Colocamos pessoas, coisas e tempos no pedestal. Potencializamos acontecimentos e queremos apenas as reações que nós pensamos ser as ideais para aquele momento em específico. Ou, pior de tudo: como idealizamos, esperamos que aquela pessoa diga para a gente o que a gente quer dizer. Assumimos essa passividade em pleno jogo.

Sei lá se estou certa, mas meu novo esquema é todo novo. Nem que eu tenha que digitar uma mensagem e só olhar o celular uma hora depois. Ou que eu acorde às três da manhã para digitar tudo aquilo que eu não tive coragem de dizer enquanto todo mundo está acordado. Driblar tudo isso é fundamental para que a gente não viva apenas seguindo o fluxo ou se perca em uma realidade imaginada que não é a nossa.

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