A gente sempre tá fazendo o melhor que consegue

Babi Vanzella
Feb 21, 2018 · 3 min read
Nina Strehl, Unsplash

Essa ideia é de digestão difícil quando a gente pensa no tanto de coisa horrível que o ser humano faz todos os dias, seja no nível macro ou no micro. Tá todo mundo fazendo muita bosta sempre. Mas, ao mesmo tempo, é importante aceitar: cada indivíduo tá sempre fazendo o melhor que consegue diante das circunstâncias em que se encontra e do nível de consciência que tem no momento.

É difícil acreditar nisso quando a gente se depara com atitudes mesquinhas, arrogantes. É muito difícil dizer isso quando a gente dá de cara com a maldade, com gente babaca que parece que veio pra esse mundo pra fazer o mal, pra semear a discórdia, pra atrapalhar quem tá de boa.

É difícil mesmo quando não precisamos ir tão longe e tão fundo na desgraça: basta pensar em como é difícil lidar com as limitações emocionais dos outros. Acaba que muitas vezes levamos pro pessoal: “mas por que essa pessoa fez isso COMIGO? Por que ela não age diferente COMIGO? Por que ela ME respondeu dessa forma?”. A gente também cobra silenciosamente (ou não) quando não recebe uma gentileza que espera, um carinho que gostaria, um cuidado que seria bem-vindo, uma palavra ou um abraço que esperava receber. Quem nunca.

Mas se deixarmos um pouco os outros pra lá e pensarmos um pouco só na gente mesmo, olhando pra dentro e para as nossas próprias limitações emocionais, analisando a dificuldade que a gente mesmo tem de mudar características nossas que estamos carecas de saber que não são legais, se prometendo fazer diferente e mesmo assim não conseguindo.

Se a gente pensar o quanto sofre e se culpa quando segue cometendo os mesmos erros, sendo do mesmo jeito difícil, tendo as mesmas atitudes erradas e sentimentos duvidosos. Se a gente reparar o quanto é difícil pra gente mesmo retribuir as gentilezas, os gestos de carinho, as palavras de afeto. Se a gente deixar os outros todos pra lá e pensar em nós mesmos, na batalha interna e diária que é fazer diferente, fazer melhor, mesmo tentando, mesmo querendo, então se torna um pouco mais fácil entender que cada um tá fazendo o que pode, aquilo que consegue, o melhor que consegue em cada momento. Ainda que seja pouco. Ainda que não seja suficiente diante do olhar de quem vê de fora. As pessoas estão tentando!

O nosso planeta é ainda uma grande escola circundada por muita água. O que significa que, se nascemos aqui — e nascemos aqui!, é porque ainda estamos aprendendo. Cada um no seu tempo e ao seu modo. Cada pessoa com suas habilidades e dificuldades. Nem todo mundo convive com as mesmas limitações, cada um tem as suas próprias limitações de estimação para administrar. Mas é importante ter em mente que todos nós estamos fazendo o melhor que podemos na condição em que nos encontramos. Então, paciência. Como os outros e, especialmente, com a gente mesmo.

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