A gente somos inúteis

Estamos em uma época de muita polarização e diferenças ideológicas.

Uma consequência boa disso é o começo da discussão política mais aprofundada entre as pessoas, principalmente entre aquelas que não sabiam o nome de 3 políticos e não faziam ideia de como o governo funciona. Hoje, há maior motivação em tentar entender o tema.

Em contrapartida, temos de confessar que estudar política e tudo que a envolve não é a atividade mais prazerosa do mundo, muito pelo contrário.

Após várias conversas com uma das pessoas mais inteligentes que eu conheço, e com ideias opostas às minhas (o que é excelente ao exercício de aprender), definitivamente percebemos o tanto que a política invadiu nossa vida ao ponto de termos que gastar muitas horas lendo, nos informando e depois discutindo temas que não nos proporcionam bem-estar, nem felicidade, nem nada de prazeroso. A pergunta que fica: em troca de que?

Essa foi a pergunta que meu amigo fez. O que estamos mudando no mundo, realisticamente falando, quando paramos tudo para discutir o que terceiros fazem ou deixam de fazer para o país? Se analisarmos, ficamos horas e horas conversando sobre pessoas que não são nem um pouco confiáveis, cujos interesses desconhecemos por completo.

Pior, e quando abrimos mão de discutir sobre temas realmente relevantes, como economia, reforma política, reforma tributária, para darmos prioridade a temas como a “opressão” dos mais fortes? Será que é provando e jogando na cara da sociedade que o mais forte domina o mais fraco que a gente melhora esse cenário, ou é estudando economia a fundo ao ponto de entendermos como o pobre pode conseguir mais poder econômico?

Basta estudar um pouco de história que veremos como esse papo de “tirar dos ricos o que eles têm” sempre foi a motivação para os períodos de maior violação dos direitos humanos, como no período do nazismo de Hitler e do governo de Stalin na Rússia.

Mas, voltando à pergunta, vale a pena isso tudo? A resposta é: claro que sim! Nossas ideias nos movem. Elas definem tudo ao nosso redor. As ideias que acreditamos guiam nossas ações dia após dia, desde os vídeos que assistimos e damos um “curtir” até o livro que decidimos comprar para ler. Ou seja, estamos sempre financiando o trabalho de outras muitas pessoas quando nos interessamos mais por algum assunto e, em troca, somos financiados por outros também pelo conhecimento que adquirimos.

Então pense nisso ao escolher suas ideologias. O que você está financiando? Repare como as ideias te guiam exatamente para o seu objeto de interesse e definem exatamente o fluxo do seu dinheiro e tempo. Infelizmente, existem ideias hoje que fazem com que nossos jovens se interessem mais por drogas, álcool e cultura inútil. E isso está gerando um oceano verde de dinheiro para outras pessoas. Pare e pense: quais são as pessoas que você está financiando? Você acha que essas são as pessoas que vão tirar os pobres da miséria e que vão tornar o mundo mais igualitário?

Para terminar, temos de ser muito mais pragmáticos e realistas. Estamos infundados em uma ideia de que o mundo perfeito já existe dentro da nossa cabeça, falta apenas mudar uma lei ou outra, e mudar uma política de governo aqui e outra ali. Estamos longe disso e precisamos entender muito mais profundamente temas que são verdadeiramente importantes para uma sociedade. Temas que realmente fazem uma sociedade mudar e não temas que usamos para lacrar e demonstrar o quão bons humanos somos, para mostrar o tanto de empatia que temos e para tirar o peso do nosso próprio ego do tão inúteis que somos.