A importância de estimular o ensino da lógica, tecnologia e matemática às nossas crianças

O futuro da nação está nos pequeninos

Aline Castro
Jul 28, 2017 · 5 min read
Foto: Revista Crescer

Digamos que eu nunca me dei muito bem com números. Desde às aulas do ensino fundamental e médio até nas aulas de economia da faculdade tive certa dificuldade em entender algumas coisas e realizar as famosas e horripilantes equações. Depois de muito estudo, com certeza flui. Mas é uma dificuldade que sempre tive e também uma das razões para que eu, e muitas outras pessoas, tenham problemas em se identificar com a área de exatas.

O que acontece é que isso vem sendo cada vez mais corriqueiro. Mas não deveria. A cada dia mais se vê um maior número de adolescentes que não encontra estímulo e interesse algum em aprender matemática, física e até química, fazendo com que a preferência por carreiras que não envolvam os números seja mais frequente.

Ao falar de aprendizado, pode-se citar a teoria empirista, ou mais conhecida como Empirismo. Alguns filósofos empiristas, como John Locke (1632-1704), acreditavam que o ser humano nasce “vazio”, como uma “folha em branco” — ou o que Locke chama de “tábula rasa”. O empirismo nada mais é do que o conhecimento formulado através da experiência que acaba sendo internalizada no indivíduo através dos diversos sentidos. O ser humano então, como uma folha branca vem ao mundo e constrói suas ideias e seu conhecimento na medida que prova de experiências cotidianas.

Jean Piaget (1896–1980), famoso biólogo e psicólogo suíço decorreu também sobre conhecimento e aprendizado em suas obras, contrapondo o pensamento empirista e racionalista de outros filósofos. Para Piaget, o conhecimento é construído através da experiência mas, também, do raciocínio.

Entendido isso, conseguimos assimilar e entender que os pequenos, dia-após-dia, estão se tornando mais ligados ao novo mundo da tecnologia. É normal ver crianças de 2-5 anos já com tablets e smartphones nas mãos, cada vez mais conectados e interagindo com esses novos tipos de estímulos; aprendendo, segundo Locke e Piaget, através da experiência e do raciocínio.

Filha do Presidente Donald Trump postou em seu Instagram pessoal: “Aprendendo a codificar com Arabella essa noite. Apoiando o currículo de Ciências da Computação nas nossas escolas, eu espero que todas as crianças terão a oportunidade de serem fluentes nessa linguagem do futuro.”

Segundo matéria publicada pela Revista Crescer em 2014, matemática é a matéria preferida das crianças nas escolas, abrangendo 36% dos entrevistados. De acordo com pesquisa feita pela Ipsos Media CT, citada na matéria, essa preferência revela uma característica da sociedade atual, onde as crianças possuem influência nos gastos e nas finanças da família, até mesmo aprendendo no simples ato de controlar a mesada que ganham. Mas, me pergunto: Essa é uma realidade de todas as crianças brasileiras? Ou apenas de um grupo em específico? E essa preferência perdura ou cessa em determinada fase da vida?

Em 2011, o resultado do Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo (SARESP) não foi muito agradável, revelando que 57% dos estudantes terminam o Ensino Médio com péssimo rendimento no que concerne o aprendizado da matemática. Os especialistas afirmam que se o Brasil quiser acompanhar o crescimento econômico e tecnológico, precisa investir e melhorar o ensino básico das escolas a fim de estimular e aperfeiçoar o aprendizado de áreas vitais, como as áreas de ciências exatas.

Os resultados de 2015 do PISA — Programa Internacional de Avaliação de Estudantes também não foram motivo de comemoração. De um total de 70 países, o Brasil ficou em 66º colocado em matemática, e 63º em ciências. São resultados preocupantes e que especialistas dizem ser reflexo da falta de motivação e didática de professores e ausência de dinamismo nas salas de aula. Os professores, dessa forma, deveriam ser melhor preparados na graduação, adquirindo formas mais atraentes de passar o conteúdo, atraindo a atenção e o interesse dos alunos — afirma Edward Frenkel, famoso matemático russo ao visitar escolas públicas no Rio de Janeiro.

Fonte: Revista Veja

Alguns países, como a Finlândia — que é líder no ranking de educação, que utiliza o PISA como critério — já possuem modelos de sucesso de como integrar as crianças desde cedo à tecnologia e raciocínio lógico. Os Finlandeses acreditam que é necessário ensinar codificação e programação desde a mais tenra idade, e tornou essas matérias parte do currículo educacional do país. Para eles, é vital mostrar aos alunos como é importante que eles compreendam que é extremamente relevante aprender como a tecnologia funciona e pode ser ligada à diversas áreas da nossa vida.

Os Finlandeses adequaram as aulas das crianças com técnicas de sequenciamento usando danças, livros e oficinas de arte. Tudo para que possam ser introduzidas ao raciocínio lógico de sequência e ordem brincando e se divertindo, e de uma forma extremamente lúcida e dinâmica. É claro que esses modelos de aula exigem mais dos professores, mas em contrapartida fornecem ao aluno uma visão mais panorâmica do aprendizado em si, fazendo com que ele sinta prazer e felicidade ao aprender, e não enxergue o aprendizado como algo chato e entediante. E sendo isso incentivado quando pequenos, na medida que crescerem poderão desenvolver habilidades mais aprofundadas e um desempenho muito maior e mais produtivo.

Na tão falada quarta revolução industrial e em um momento em que tantas apostas a novas profissões futuras que surgirão, é necessário que se incentive as crianças e adolescentes à sucumbirem seus esforços e paixões à essas áreas que necessitam do uso do raciocínio lógico, da programação e do uso da matemática. Infelizmente, o problema que enfrenta-se por aqui não é apenas o da falta de incentivo ou da falta de recursos para que os professores possam providenciar e preparar aulas mais dinâmicas e interessantes, mas principalmente da ausência de qualidade no ensino básico da maior parte dos jovens brasileiros, que estão nas escolas sem o essencial e saem dessas sem o mínimo que se poderia ter e exigir para que possam prosseguir e continuar o estudo em nível superior.

O problema do Brasil quanto à educação é um pouco mais fundo que se possa pensar, mas que não nos falte bons exemplos para seguir e vontade de mudar do micro pro macro, almejando e lutando por educação de qualidade, liberdade de expressão dentro das escolas e maior incentivo às crianças e adolescentes à buscarem e perpetuarem os futuros que, talvez, ainda lhes pareça distante, mas que um dia pode se tornar tangível e realmente palpável, fazendo com que, de pouco em pouco, se transforme, então, a nação.

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Aline Castro

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Estudante de Relações Internacionais, que costuma nadar contra a corrente e expor suas opiniões sem medo de ser feliz. Vamos evoluir juntos? | SP | 20

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