A insatisfação como beliscão da alma

Daniella C G
Sep 1, 2018 · 2 min read
/Pixabay

Todos imersos num profundo desencontro anímico, porque agora podemos ser muitos na imensa comunhão a reger nossos padrões de satisfação dependente do fator tempo, pois já não nos demoramos com ele, há tanto para se viver, aproveitar…

Estamos encarcerados pelos ditames do consumo, confundindo-os, muitas vezes, com as nossas necessidades reais, como uma espécie de ponto de vista único, influenciando a nossa percepção de felicidade.

Para tudo há diversas opções, mas será que isso nos garante satisfação?

NÃO!

Muito pelo contrário, diante de tantas possíveis escolhas, ficamos estáticos e bloqueados, porque percebemos que cada opção que fazemos supõe uma abdicação. E o risco recorrente é perder a perspicácia para lidar com as situações e com as pessoas.

Perspicácia = qualidade da pessoa que tem facilidade para perceber alguma coisa; quem entende com facilidade o que a maioria das pessoas acha difícil de perceber.

A sacada então para minimizar o nosso grau de insatisfação é desvincular o seu sentido do mundo externo, e, a partir daí, ter a consciência de que ela nasce, cresce e se perpetua em nosso interior.

Portanto, precisamos deixar de confundir liberdade com indiferença, sendo que a primeira é autonomia, a qual se refere ao indivíduo por completo, e não por mecanismos que sustentam diferentes escolhas, sensações, ou particularidades.

Já a indiferença é a falta de interesses genuínos, os quais vêm da alma, e sendo ignorados, ocasionam descaso.

E toda vontade é determinada pela mente e originada de alguma inquietação, acarretando uma constância de desejos de coisas e pessoas diferentes. Assim, a insatisfação, que resulta de um desejo repentino, temporário e imediato, gera a vontade, e quando tal desejo é obtido, surge uma percepção ilusória de felicidade, que se não for alimentada pela alma, cria um vazio.

Segundo Locke, filósofo moderno, “a liberdade é o poder de fazer esta ou aquela ação de acordo com a preferência da mente, e a necessidade é a falta ou ausência de tal poder.”

Então, gostou?

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Daniella C G

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Professora, redatora e revisora. As coisas são relativas; nós, feitos de relações. Instagram: @daniellacgandra

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