A linha entre ciência e arte é mais estreita do que parece.

É natural fazermos uma distinção dicotômica do mundo a nossa volta, bem e mal, dia e noite, exatas e humanas. Na relação entre a ciência e a arte não seria diferente, muitas vezes enxergamos uma como o oposto da outra, artistas são guiados pelo “sentimento” e inspiração” enquanto cientistas são “racionais” e “céticos”. Nas próximas linhas tentarei provar que a relação entre ciência e arte é muito mais próxima do que pensamos.

A ciência na arte.

Um dos nomes mais conhecidos por fazer uma conexão íntima entre ciência e arte é Leonardo da Vinci, pintor e inventor da renascença que observou o corpo humano de maneira detalhada, afim de representá-lo de maneira precisa. Abaixo está um de seus milhares de desenhos que integram a investigação científica com a investigação artística. Existem realmente tantas diferenças entre um laboratório e um ateliê?

Sketch of Uterus with Foetus (c. 1511–13)

Outro ótimo exemplo é o pintor holandês Johannes Vermeer e sua obra “O Astrônomo”. A obra está cheia de ligações entre ciência e arte além do seu título em si, a pintura na parede foi feita por um artista local, o tapete persa na mesa foi tecido por um artista estrangeiro. Além disso as tintas utilizadas por Vermeer eram feita por artesãos locais. Essas e outras correlações presentes na obra podem ser vistas aqui.

O Astrônomo, Johannes Vermeer (1668)

A Arte na ciência

Pigmentos naturais são caros até hoje, um dos pigmentos mais caros até o séc. XIX era o ultramarinho de cor azul escuro obtido de um mineral chamado lapis lazuli natural do Afeganistão, o trabalho de químicos como Christian Gmelin um dos primeiros a desenvolver o ultramarinho sintético, possibilitou uma drástica redução no custo, permitindo com que mais artistas pudessem utilizá-lo.

A descoberta de pigmentos sintéticos teve um impacto direto na arte, no final do séc. XIX início do séc. XX os movimentos impressionista e pós-impressionista utilizaram-se de cores vibrantes para dar vida às obras.

On the Bank of the Seine, Bennecourt, Claude Monet (1868).
A Sunday on La Grande Jatte , Georges Seurat (1884, 1884/86).

É possível que as pinturas acima não tivessem sido feitas se ninguém tivesse inventado os pigmentos sintéticos.

A obra de Seurat merece um destaque científico, pioneiro na técnica do pontilhismo, que se baseia na lei das cores complementares proposta pelo químico Michel Chevreul. Se olharmos as bordas da obra vemos que as cores utilizadas abrangem todo o espectro visível (parte da radiação eletromagnética da luz que podemos enxergar), isso não é coincidência já que Seurat estudou os princípios físicos da cor para pintar a obra.

Então, arte é ciência ou ciência é arte?

Não importa, são áreas da compreensão humana do mundo que trabalham de maneiras um pouco distintas, ambas trabalham com hipóteses, teoria e são impulsionadas pela vontade de investigar e descobrir novos caminhos.

Saiba mais: http://www.artic.edu/aic/education/sciarttech/2a1.html

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