A magia de partilhar a vida

No livro “Vidas Muito Boas”, de J.K. Rowling, você encontrará a sensibilidade da vida e o poder para viver melhor

Foto: Elefante Voador

É um importante passo para a manutenção da vida conquistar formação nas instituições de ensino superior (ou em Hogwarts, se você for um bruxo ou uma bruxa). Mas, ainda assim, não é tudo. “[…] a felicidade pessoal está em saber que a vida não é uma checklist de aquisições ou realizações”, aconselha J.K. Rowling, autora da série Harry Potter, em seu livro Vidas Muito Boas. E conclui: “Suas qualificações, seu currículo, não são sua vida”.

Em 2008, Rowling discursou como paraninfa em Harvard. Suas palavras, carregadas com o sentimento de quem não se omitiu à vida, extrapolaram a condição de cumprir sua função para quem estava se formando, tornando-se num livro essencial para a escola da vida.

Em sintonia com os dois parágrafos anteriores, é válido ressaltar, está Jeff Weiner, CEO do Linkedin, que não vê mais sentido algum em recrutadores que só levam em consideração as renomadas instituições durante a seleção dos currículos. Para Weiner, além do diploma, é preciso encontrar pessoas apaixonadas pelo o que fazem, éticas, persistentes e com mentalidade de crescimento. Cada vez mais ele tem ouvido: “Habilidades, não diplomas”.

Parece que prevendo as palavras atuais de Weiner, Rowling perguntou-se que marca poderia deixar para a turma de formandos de 2008. Chegou a duas respostas: as vantagens do fracasso e a importância fundamental da imaginação.

Fracassar não é engraçado e só os idiotas romantizam os contratempos naturais da vida. Porém, se você estiver à disposição da mudança, o fracasso pode ensinar muitas coisas que a gente nunca alcançaria navegando só em águas calmas. Depois de ter atravessado uma feroz tempestade (romper um casamento, ficar desempregada com uma filha para alimentar e sentir a pobreza de forma brutal), Rowling descobriu que “fracassar significa se despojar do que não é essencial”.

Por isso, o fracasso permitiu-lhe descobrir uma grande força de vontade e mais disciplina, uma segurança interna jamais vivenciada e amizades cujo valor era inestimável. Em resumo, direcionou toda a sua energia para o que queria fazer na vida — escrever romances.

“Talvez vocês jamais fracassem na escala em que fracassei, mas é inevitável ter algum fracasso na vida. É impossível viver sem fracassar em alguma coisa, a não ser que vocês vivam com tanto cuidado que acabem não vivendo de verdade — e, neste caso, vocês fracassam por omissão”, alerta Rowling.
Foto: Elefante Voador

Do outro lado, em seu segundo tema, Rowling amplia o poder da imaginação. “A imaginação não é apenas a capacidade exclusivamente humana de idealizar o que não existe […]; em sua capacidade seguramente mais transformadora e reveladora, é o poder que nos permite sentir empatia pelas pessoas cujas experiências nunca partilhamos”.

Só que para sair do hábito de viver em si mesmo, colocando-se no lugar do outro, é preciso aumentar as reações da imaginação, acrescentando a coragem — elemento fundamental para transformar o mundo. E assim, se estamos inevitavelmente conectados com o mundo externo, é necessário cuidar, por exemplo, de cada pensamento, uma vez que influenciamos a vida dos outros só pelo fato de existirmos.

Talvez, com o poder da imaginação de Rowling, não ficariam felizes somente a nossa família e amigos próximos com a nossa existência, mas milhões de pessoas que de alguma maneira podem ser impactadas com o poder de imaginarmos melhor.

E por último, se tudo o que foi mencionado até aqui não faz razão nenhuma, não se preocupe, pois Rowling aconselha os leitores, se porventura declinarem em suas carreiras, a prosseguirem “pelos vertiginosos prazeres de se tornar um bruxo gay”.


Editora: Rocco
Gênero: Não ficção
Páginas: 80

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