A "imbecilização" das marcas nas redes sociais ou MATEM AS CAPIVARAS!

A Social Media preguiçosa que vem assolando a internet.

As vezes dá muita vergonha de trabalhar com Social Media. Quando percebo que a maior parte das marcas acha que é obrigada a usar um humor raso, memes e modismos pra tentar atingir algum grau de engajamento me dá aquela dor no coração. Se sua marca depende desse tipo de artimanha pra ter engajamento, desculpa, você está na merda!

Ontem (02/06) o diálogo de Knorr com Hellmann's (duas marcas com tanto potencial para redes sociais) no Twitter durante o Master Chef foi, no mínimo, vergonhoso. Enquanto Knorr postava uma galinha crua com uma mensagem “manda nudes” Hellmans interagia com um “Miga seje menas”. Miga. Seje. Menas. Porra, é uma marca imensa, não é tuas negas não. (Vou ter mesmo que por uma plaquinha aqui, é? Sim, vou. O texto em negrito — ainda coloquei em negrito — é uma ironia, percebem? É só pra mostrar como incomoda e como desconstrói. Ahhhhh, entendeu agora? Me dói PRECISAR explicar mas…).

Fogem completamente da verdade da marca, valores (duvido muito que o envio de nudes esteja dentro dos valores da Unilever), do posicionamento, da realidade do produto e muitas vezes vão longe do target. Se não é pra vender mais, se não é pra ampliar o mercado, se não é pra agregar valor à marca, então pra quê?

Mas por incrível que pareça ainda é esse tipo de bobagem que é vendido como conteúdo de redes sociais, uma coisa meio cinquentão usando calça cargo, boné pra trás e camisa regata e querendo parecer descolado quando só parece ridículo. Poxa, Eden, mas veja lá quantos RTs!!! É, vai ficar lindo no relatório de Social Media mas como será que vai ficar no relatório de vendas?

Branding pra quê? Parece que uma marca pode ser completamente esquizofrênica quando vai pro Twitter, por exemplo. Foda-se a história da marca, fodam-se as campanhas rodando, foda-se o target… o que importa é parecer cool, é ter reply, é ser descolada. E eu achando que o que importava mesmo era vender mais, fidelizar cliente, ganhar mercado. Que bobo que sou.

Muitas vezes o cliente nem tem critério pra avaliar isso. Recebe um relatório com alcance, número de replys e comentários dizendo “genial” e pronto. Isso, amigos, me parece má-fé de quem produz e planeja o conteúdo. Me parece a turma de Social Media produzindo pra turma de Social Media, é o teorema da Prefs, todo mundo querendo ser a próxima estrela do humor descolado das redes sociais, é o novo "fazendo propaganda pra ganhar prêmio". Ah, mas o engajamento, dizem alguns… o grande erro começa pelo que se entende de engajamento. Engajamento não é like ou compartilhamento, isso foi uma “tradução literal” de engagement, que está longe do sentido que usamos aqui. O que devia ser mensurado é o quão profunda e estável é a relação entre cliente e marca, é algo mais difícil de ser mensurado que simples ações em redes sociais.

Como dito por Marcos Masini "uma pesquisa Meaningful Survey, do grupo Havas, em nove mercados, conclui que “dois terços dos consumidores não se importam se a maioria das marcas vai estar viva amanhã ou não”. Esta na hora de pensar o motivo da deterioração das relações entre marcas e consumidores. É hora das marcas (e dos comunicadores) caírem na real: 80% delas acreditam que entregam grandes experiências aos consumidores. Apenas 8% dos consumidores concordam".

Conteúdo em redes sociais pode ser descolado e eficiente! Vejam os posts do Conselho Superior da Justiça do Trabalho! Não há o uso burro de um meme ou uma marca querendo ser engraçada, temos a contextualização do conteúdo de forma bem inteligente, há uma clara relação entre conteúdo e marca — a verdade dela, no caso. Eu não sou contra o “anúncio de oportunidade”, eles usaram muito bem uma data cool, sou contra a propaganda preguiçosa, fruto de fórmulas burras que ignoram completamente o branding.

Estou terminando esse texto e imaginando um monte de gente do mercado me chamando de imbecil, alegando recalque (isso é meme também, lógico que eles usam) e coisas assim. Ah, olha o Eden fechando portas. Olha, galera, tem portas que mesmo abertas não devem ser transpostas, acreditem. Eu posso ser chato, aliás, eu sou, mas ao menos não faço comunicação babaca.

Update:

Um novo post meu sobre o mesmo tema, diria que é uma continuação desse texto. Pra quem curtiu, vale ler aqui.

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