A necessidade de uma mídia criativa

O que esperar do jornalismo em um cenário de tanta mudança?

Bernard Hermant (Unsplash)

Muito se discute sobre o futuro do ramo jornalístico. Com o avanço do espaço digital e a possibilidade de qualquer pessoa publicar o seu próprio conteúdo, o material impresso torna-se desinteressante para alguns e consequentemente menos prático, passando também a ser menos procurado. Tais fatores acabam por culminar em questionamentos à respeito de como o jornalismo conseguirá se sustentar no ambiente virtual, já que este se modifica a todo momento.

A notícia está em todo lugar. Ela pode ser acessada pelo smartphone, pelo computador, pelo tablet e pela televisão. E com a explosiva participação das redes sociais no cotidiano de qualquer indivíduo, tornou-se cada vez mais rápida a distribuição em tempo real de tudo o que acontece no mundo.

Os grandes veículos de informação ainda se mantém, mas não estão mais exclusivamente no comando. Por mais que demonstrem ser sinônimos de credibilidade em uma realidade repleta de fake news, acabam por encontrar os mais diversos tipos de concorrentes. O jornalismo independente cresce de forma alucinada, com novos portais distribuidores de mídia aparecendo com frequência.

Contudo, uma vez que os portais podem divulgar os mesmos furos com títulos diferentes, a originalidade torna-se rara. Uma possível solução para tal adversidade é também muito simples: basta ir além da notícia.

O lead é essencial para o entendimento de todo e qualquer acontecimento, mas é necessário ultrapassá-lo de forma criativa. Explicar de forma clara e descomplicada, buscar curiosidades… situar o leitor para além do óbvio. Veículos com este propósito são os que estão fazendo a diferença.

O grande aliado do jornalismo atual é o design. É ele o responsável por manter a atenção do leitor nas reportagens de fôlego, à medida que conteúdos interativos — com infográficos e games, por exemplo — chamam a atenção e provocam curiosidade a quem está lendo. Além disso, um design responsivo torna-se obrigatório em uma realidade de incontáveis tipos de dispositivos.

Devido a uma rotina cada vez mais corrida e atarefada, nasce um público mais apressado, que busca uma forma prática de manter-se informado. Uma boa aposta para leitores deste perfil pode ser o vídeo de pequena duração já desenvolvido para as redes sociais. Por outro lado, ainda há muito público para textos extensos e bem elaborados, o que mantém os jornalistas esperançosos e dispostos a explorarem cada vez mais esse tipo de conteúdo, que demanda a mesma dose de atenção.