A nova moda: Upcycling

xandemarques
Mar 8, 2017 · 6 min read
Uma das peças da loja londrina Jimmie Martin. Eles reaproveitam móveis e peças de decoração antigas [algumas até mesmo com séculos de idade] descartadas pelos seus donos, e as transformam em peças modernas. A loja tem Madonna e Kylie Minogue na sua lista de clientes.

O QUE É?

Novas formas de reuso daquilo que você achava que não tinha mais utilidade, estamos falando de upcycling aqui, aproveitar algo sem valor comercial que seria descartado e transformá-lo em algo diferente, também resume um pouco do que é upcycling.

Então me permiti resgatar a primeira parte do título deste texto, de um outro meu, onde trago de forma mais abrangente os sinais emergentes dos novos caminhos que vem nos sendo apresentados na NOVA MODA.

Então você logo pensa…

Mas não seria o mesmo que reciclagem?

Não vão parar de ficar criando novos termos para tudo?

Mais uma nome novo para algo velho, pra gente decorar?

E aqui vai a resposta: Upcycling não é a mesma coisa que reciclagem, na verdade é algo como uma evolução (que surgiu em 1990, se tornando mais conhecido em 2002) em cima do conceito de reaproveitamento, da continuidade do ciclo de vida do produto. Um não invalida o outro e ambos tem como objetivo tornar o planeta mais sustentável.

No processo de reciclagem, existe sim, claro e óbvio, uma maneira de seguir o ciclo do material, prolongando o mesmo, maaas (sempre esse mas) o processo em si envolve produtos químicos.

No Upcycling não, como dito na introdução deste texto, quando falamos de reuso, de ressignificação de algo que aparentemente não tem mais valor, é a reutilização de um material que se tornaria lixo, aproveitando suas propriedades originais, sem a necessidade de intervenções químicas, além de representar uma alternativa com custo mais baixo.

O termo foi usado pela primeira vez em 1994 pelo empresário e ambientalista alemão Reine Pilz. Mas só em 2002, no livro Cradle to Cradle: Remaking the Way we Make Things, alcançou os olhos do público. Nele, os autores William McDonough e Michael Braungart afirmam que o objetivo do upcycling é evitar o desperdício de materiais potencialmente úteis, reduzindo o consumo de novas matérias-­primas durante a criação de novos produtos e o consumo de energia, a poluição do ar e da água e as emissões de gases de efeito estufa, resultantes dos processos industriais da reciclagem. Isto torna a prática ainda mais positiva, do ponto de vista ecológico, do que a própria reciclagem. [zupi.com.br]

UPCYCLING NA MODA

Aproveitando ainda as imagens acima, que usei tanto para exemplificar o que coloquei nos parágrafos anteriores como para aproveitar como gancho e perguntar: Como falar em upcycling sem falar de moda? Sem falar de design de produto, de ressignificação? Aí complica! Então vamos por partes, já que a intenção aqui é descomplicar e levar de forma simples e clara para você leitor, os novos movimentos em direção a uma nova era na moda, que até pode demorar para chegar, mas que já temos vários sinais visíveis dessa transformação, ou passagem, como prefiro dizer.

E mesmo que a Moda não seja a responsável direta pelas mudanças, a sua influência para que isso se torne mais efetivamente praticado é inegável, visto que a moda é sim um retrato de uma sociedade contemporânea, e que por isso, reflete e o seu comportamento, às vezes sendo o ponto de partida de uma tendência, mas também se mantendo atenta com o que está acontecendo nas ruas, principalmente nos tempos atuais, onde o ciclo passou a ser iniciado pelo consumidor e não mais pelo produto (e isso é muito bom!).

ECONOMIA CIRCULAR

Seguindo a lista de benefícios do processo de upcycling, o método é o que mais se aproxima do modelo de economia circular, que é um conceito que já se configura como prática e se alia à visão do “lowsumerism” e do “slow fashion”, praticados pelos consumidores. Não são tendências da moda, mas sim, novas formas de produção e consumo que se apresentaram como evoluções benéficas, e que vieram para ficar.

Para você entender o significado do que é a economia circular, uma forma bem fácil é colocá-la como oposta da economia linear, que é a que praticamos atualmente.

Então, é isso mesmo que você está pensando, a linear é a baseada no processo de “extrair >produzir>descartar”. E nesse sistema de produção, o crescimento econômico depende do consumo de recursos finitos. O que, pensando a longo prazo, acarreta um risco iminente de esgotamento de matérias-primas, além dos custos cada vez mais altos em sua extração. O resultado disso tudo, lá na outra ponta, é a geração de um volume sem precedentes de resíduos inutilizados e potencialmente tóxicos para nós e os ecossistemas.

Pensando no oposto a esse sistema acima, o conceito de economia circular tem como proposta, onde o valor dos recursos que extraímos e produzimos seja mantido em circulação através de cadeias produtivas e integradas. Com isso, o destino final de um material não significa uma questão de gerenciamento de resíduos, e sim do processo de design de produtos e sistemas. Aqui a ideia é eliminar o próprio conceito de lixo, e pensar os materiais dentro de um fluxo cíclico , o que possibilita um percurso dele ‘de berço a berço’ — de produto a produto, preservando e transmitindo seu valor.

Com isso, o crescimento econômico se dissocia do consumo crescente de novos recursos, e possibilita uma forma bem mais inteligente de aproveitamento dos recursos que já se encontram em uso no processo produtivo.

Ótimo vídeo da Ellen MacArthur Fundation. Ellen MacArthur, uma velejadora que bateu sozinha o recorde mundial de circum-navegação ao redor do mundo. Para isso precisou levar o mínimo possível de peso, e ao retornar, refletiu sobre as mudanças globais. Após 3 anos de pesquisas ela iniciou um trabalho de divulgação da Economia Circular.

Sabemos que hoje, pensar em uma gestão de resíduo zero (chamado de ciclo fechado, que é quando o destino final dos resíduos visa o aproveitamento máximo dos resíduos, os transformando em matéria prima secundária) na moda ainda é muito novo, mas a boa notícia é que o caminho já começou a ser trilhado por empresas pioneiras que estão repensando design, produção e consumo de fibras, tecidos e peças. O design inclusive, dentro desta cadeia, é um dos pontos mais importantes, por ser o único processo criativo capaz de transformar o que seria lixo em algo com novo apelo, ou criar um produto que gere desperdício zero.


Links recomendados

Aqui o Ellen MacArthur Fundation, onde você encontra tudo sobre economia circular. Tem opção para alterar o idioma para português ;-)

Petit h: Extensão da marca Hermès que reutiliza as sobras das bolsas de couro, lenços de seda e de outros materiais como cristais, porcelana e vidro, reaproveitando retalhos de peças consideradas defeituosas para o alto padrão de qualidade da marca.

The Upcycling Fashion Store: Fica em Berlim, e além de vender e produzir produtos de moda e design, também recebe artistas e fashion designers para ocupações voltadas ao Upcycling.

A Mig Jeans é uma marca de Upcycle e Economia Circular onde reaproveitam peças em desuso, criando em cima de seus defeitos e produzindo através de resíduos têxteis, trazendo de volta ao mercado peças no fim da sua vida útil.

Oficina do Braz: Caio Braz, sempre com muito bom humor, mostra diveeeersas opções de reaproveitar aquela peça que tava abandonada no armário, pronta pra ser descartada.

MALHA: Plataforma carioca pela construção de uma moda sustentável, colaborativa, local e independente. O site deles está em manutenção, mas é possível ser direcionado para as redes sociais.

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