A primeira semana de Uber

Ontem fez sete dias que chegou o SMS avisando que meu cadastro no Uber estava completo e aceito. Tive de esperar até oito da noite porque, sabe como é, dia de rodízio. Mas deu a hora, peguei o carro e fui. E olha, estou gostando. Por diversos motivos.

Primeiro, por finalmente voltar a fazer algo. Estava sem trabalho há meses, só recebendo negativas e isso estava acabando comigo.

Segundo, porque o esquema deles é genial do ponto de vista de incentivar o motorista a rodar e continuar rodando. Pude escolher dirigir à noite, evitando o trânsito que me estressa demais.

E terceiro, porque tem as pessoas. Eu adoro pessoas. Sempre há histórias, episódios pra relembrar, pra contar. Das pessoas que entraram no meu carro eu realmente tenho pouco a reclamar.

Tirando o cara que pisou num montão de bosta de cachorro e deixou meu carro com aquele odor que mesmo horas depois de você ter limpado, você ainda se pega farejando o ar e achando, se questionando, tendo quaaaase certeza que ainda tá fedendo, não é possível que seja coisa da minha cabeça. Mas é. É? É, né?

Enfim, mas tudo bem, tava chovendo e ele só deixou os restos de cocô no tapete, que foi só encostar num posto e lavar (obrigado à moça frentista que emprestou o balde, a bucha, etc). E cabe um agradecimento especial ao passageiro seguinte, que foi da Barra Funda a Pinheiros me garantindo que o cheiro tinha passado, quando não tinha. Cara muito firmeza.

O drama da noite

Quando você passa muitas horas dirigindo, indo pra cima e pra baixo, é sempre bom ter uma garrafa d’agua ali do lado. Ajuda muito, mas tem aquele porém. Depois de um tempo, o que entrou tem que sair.

E de madrugada é realmente complicado fugir da opção “hum, aquela árvore ali naquele escurinho tá chamativa”, porque em geral a outra opção disponível é parar nos postos de gasolina.

E banheiro de posto é uma tristeza. Devia ter um artigo sobre eles na Convenção de Genebra. Certeza que tem menos contaminante num montão de lixo hospitalar que em banheiro de posto. Que além de ser escroto, sujo, etc, frequentemente nem tem água pra vc dar aquela enganada na mão.

Odeio sair do banheiro sem lavar a mão. O que me leva ao episódio engraçado de segunda-feira.

Suíte 54

Segunda à noite, tinha acabado de deixar uma passageira em Pinheiros, a rua dela acabava na Marginal, pra lá fui. Apareceu a corrida em seguida, aceitei e liguei o Waze pra achar a pessoa.

Logo tocou o telefone, o que é estranho, a imensa maioria dos passageiros não liga. “Moço, acabei de te chamar, é o seguinte: estou dentro do motel tal, suíte 54, já avisei na recepção". Ok, tô indo.

Entrei, era a última suíte no final do corredor, cheguei lá e foi aquela manobra pra virar o carro naquele corredor estreito e poder sair. Fiquei esperando a moça.

Ela demorou uns minutos, entrou e eu percebi que tava incomodado fazia um tempo e não entendia bem o porquê. Obviamente, tava apertado. Pensei um segundo e optei pelo foda-se.

“Moça, ainda tem alguém na sua suíte?”

“Não, meu namorado já foi embora”

“Você se incomoda se eu usar o banheiro?”

“De jeito nenhum, vai lá”

E lá fui eu, entrei na suíte recém usada, tentando não olhar muito pros lados (o que dificultou muito achar o banheiro, a porcaria da porta ficava meio escondida na decoração), achei o local, fiz o que tinha que fazer e saí.

E foi uma das decisões mais acertadas da semana. A corrida da moça até a Zona Norte durou mais de 40 minutos, na sequência levei um rapaz pra Guarulhos e só fui conseguir parar cerca de uma hora e meia depois.

Tem outras coisas

Mais umas coisinhas sobre esse rolê do Uber.

  • Uma parte considerável dos passageiros é de mulheres sozinhas. Elas parecem confiar bem na plataforma, o que é ótimo, mas várias delas preferem se sentar atrás do banco do motorista. Certamente tem marmanjo usando demais o retrovisor.
  • Dá pra ter muitas conversas bacanas com passageiros. Quando tem mais de um, as chances de você ir o caminho todo ouvindo groselha são grandes
  • Falando nisso, teve um dia que um casal de moças entrou discutindo no carro, passou a viagem toda à beira de terminar e saiu do carro tretando. Foi bem tenso, mas não dei um pio.
  • Ainda não tive nenhum episódio desagradável com taxistas, torcendo pra que isso se mantenha.

Bom, por enquanto é isso.

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