A suspensão da negociação para receber refugiados sírios e a hipocrisia brasileira

Michel Temer esquece sua origem e se alinha a onda anti-imigração

Lula Marques/ AGPT

O Brasil estava em negociação com a União Europeia para receber 100 mil refugiados, principalmente sírios. O objetivo era conseguir recursos internacionais para viabilizar essa verdadeira diáspora.

A negociação começou com o ex-ministro da Justiça, Eugênio Aragão, o último a ocupar o cargo sob a administração de Dilma Rousseff, que sinalizou de forma positiva para a vinda dos refugiados. Aragão chegou a visitar a embaixada da Alemanha, país que já recebeu cerca de um milhão de refugiados, e chegou a declarar que esse grande número de sírios poderia chegar ao longo de cinco anos.

Poucos meses depois, Dilma foi afastada, Michel Temer assumiu, escolheu Alexandre de Moraes para a Justiça e definiu uma nova diretriz, com muitas restrições, modificando a postura em relação à recepção de estrangeiros e, supostamente, à segurança das fronteiras — algo parecido com o que definiu para José Serra, nas Relações Exteriores.

E para coroar a nova diretriz, Moraes anunciou a decisão do governo de suspender a negociação com a União Europeia para trazer os refugiados. A decisão foi considerada um retrocesso em relação a iniciativa anterior, tratada como exemplar e bastante elogiada pela Agência da ONU para Refugiados (Acnur).


Voltamos 91 anos na história, para 1925.

Nessa época, o casal de cristãos maronitas, Miguel e March, e seus três primeiros filhos, viviam na vila de Btaaboura, que fica no distrito de Koura, no norte de onde hoje é o Líbano.

A região vivia uma série de instabilidades desde o final do séculos XIX, quando era controlada pelo Império Otomano. A I Guerra Mundial intensificou os problemas e a dissolução do governo otomano, com o fim do conflito, deixou o Líbano (e a Síria) sob controle dos franceses.

A reorganização da região pela França fez com que os maronitas deixassem de ser maioria e não ajudou a resolver um dos maiores problemas da população: o de prover novas terras para agricultura e evitar que a fome atingisse os libaneses assim como os atingiu durante a guerra.

Dessa forma, Miguel, March e os três filhos, temendo o pior, foram embora de Btaaboura, junto a milhares de outras famílias, para se refugiar no Brasil e buscar novas oportunidades, naquele 1925. Se instalaram na cidade de Tietê, na época uma área rural do interior de São Paulo, próxima a Piracicaba. Lá, tiveram mais cinco filhos.

O caçula nasceu em 23 de setembro de 1940, foi batizado de Michel Miguel Elias Temer e atualmente ocupa, interinamente, o cargo de presidente da República.

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