“Aceita que dói menos”

Sobre o Baby: Não seja como ele!

Entendendo a rejeição como parte da vida e não como o seu grand finale!

Taí um lema que funciona na minha vida, viu? E assim, sendo bem franca, acho que ele deveria ser aplicado no dia a dia da maioria das pessoas que eu conheço, que quando se deparam com a rejeição ficam amargando isso por mais tempo do que deveriam (ou do que o sujeito em questão merece que elas façam).

Eu falo isso com a propriedade de quem já foi muito rejeitada pelos outros, mesmo. Estou dentro do espectro autista, sou gorda, dentuça, tenho hemangioma bem no meio da testa e uma série de outras características físicas e emocionais que me destacam sim na multidão, mas quase nunca positivamente. Com isso acabei sendo humilhada e sacaneada para pagar o karma de algumas encarnações, suponho. Sabe quando no livro young adult a protagonista sofre um bullying feroz, tipo ser apelidada por todos os colegas de classe e pelos colegas das demais classes de “trambolhão”? Essa mina fui eu. Sabe aquela história que parece de filme, do cara mais bonito da escola lendo a carta da menina excluída se declarando para todos os demais alunos terem o prazer de escutar? Isso rolou comigo. Sabe aquela cena típica de comédia romântica, quando o namorado termina a relação por motivo desconhecido e no dia seguinte já assume um relacionamento com outra? Também aconteceu com a Andressinha aqui. Parou por aí? Claro que não. Vai parar? Duvido muito.

Talvez por ter me ferrado tanto e tão cedo eu aceitei mais rápido do que alguns que não tenho controle sobre absolutamente nada nesse mundo. Acredito, inclusive, que a nossa necessidade de controlar é o que nos deixa tão sensíveis a rejeição. Se você entende que o outro pode te passar a perna, pode te maltratar, pode se cansar da tua fuça ou que pode simplesmente não ir nunca com a tua cara as coisas ficam incrivelmente mais fáceis. Isso não significa que não vá doer, ou que você deva engolir as putarias alheias passivamente. Mas se você já se posicionou adequadamente porque não dar um “let it go” e ir em frente?

Certas opiniões não precisam ser reversíveis e a boa notícia é que isso vale para todo mundo. Se não gostamos de fulano não temos que gostar só porque isso deixa ele muito triste. Então se ciclano não gosta da gente ele não tem que mudar de ideia porque isso nos gera incômodo, mexe com a nossa autoestima, com inseguranças antigas e por aí vai. As nossas tretas internas quem têm que resolver somos nós mesmos, seja na terapia, na igreja ou num rolê com os amigos. Aliás, o que costuma doer mais nessas horas não é a rejeição em si, mas o que isso ativa dentro de cada um de nós. Colocamos em gente nova a responsabilidade de cuidar de feridas velhas que não fomos capazes de curar até agora. Se nem aqueles que as causaram se responsabilizam porque você acha que quem não tem nada a ver com isso o faria?

É muito mais fácil viver quando assumimos o protagonismo das nossas existências. Não que vá ser como um passeio no parque, mas a ideia de contar com o próximo para suprir os meus anseios me soa absurdamente mais arriscada e perigosa. E você, o que pensa a respeito?

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