Achou que você era especial? Achou errado, otário.

Um choque de realidade

Existe uma pessoa, que não importa onde a gente vá, sempre vai estar junto: a gente mesmo.

É simplesmente impossível ter qualquer experiência em que você não esteja envolvido.Não dá pra sair do corpo, vagar por aí e quando voltar, descobrir que nosso corpo, sozinho e sem ajuda, descolou passes de bastidores pro show do Justin Timberlake e foi foda. Nem com toda a maconha ou LSD do mundo.

Por isso, é natural que a gente se coloque como o centro de tudo e todos. Acontece que esse é uma das grandes falhas do ser humano, ali juntinho com o gosto por pochete, perguntar “você tá dormindo, amor?” quando a pessoa está claramente acordada e a falta de habilidade no ovo pochê — qualé Deus, ovo pochê deveria ser item de série da humanidade.

O problema disso é que, se a gente é o centro de tudo, então nada mais — e ninguém mais — é importante.

Agora, quer saber a verdade? A gente é uma pessoinha no meio de outras 7 bilhões. Logo, por pura matemática, a gente é apenas uma fração do mundo. Um nadica de nada. E nem estou falando o resto do universo. Ué, briga com a matemática, não comigo. Agora, se a gente é tão insignificante assim, por que a gente costuma se esquecer tanto do outros? E, principalmente, de que eles também podem ter problemas?

A gente vira e mexe reclama, achando que é especial e nunca erra. Que a culpa é sempre dos outros. A gente também tem preguiça, problemas e falhas, mas só reconhece isso nas outras pessoas. Nunca na gente mesmo.

Quer ver? Tem vários exemplos disso. Reclama que é o chefe é preguiçoso, mas se esquece da vez em que a gente fez a apresentação de última hora e se safou. Ou fala mal do garçom que trocou os pratos, sem lembrar quando a gente trocou o arquivo no trampo e editou o errado. Na fila do banco, a gente reclama que a atendente chegou atrasada, mas no dia seguinte, acha engraçado acordar de ressaca e chegar às 11hrs no trabalho, culpando o “trânsito”. E ainda manda mensagem pro amigos tirando sarro da coisa toda.

Empatia é difícil, mas se faz cada vez mais necessária. Eu não sou especial, e desculpa ser a pessoa a te dar a notícia, mas você também não. Cada um está enfrentando uma batalha, mesmo que você não tenha ideia de qual seja. Sabe a moça do caixa que demorou pra passar suas compras? Talvez ela esteja cansada de dormir duas semanas no sofá do hospital, cuidando do pai. Sabe a mãe na fila do mercado gritando com o filho? Talvez ela seja um boa mãe em um dia ruim. Talvez o moço do estacionamento que esqueceu de carimbar seu ticket, atrasando sua saída, tenha saído de casa as 4hrs da manhã, se espremido em 3 conduções pra chegar no trabalho. Trabalho esse, necessário pra sustentar 3 irmãos e a mãe idosa. Claro, você não sabe se isso é verdade, mas você também não sabe se não é.

O que custa ter empatia? Enquanto a gente fica aí reclamando e achando que o mundo é injusto e as merdas só acontecem com a gente, tem pessoas passando por problemas piores. E não, eu não estou dizendo que seus problemas não são importantes. Eu estou dizendo que o problema dos outros também são. Lembre-se disso da próxima vez que for reclamar ou tratar alguém mal. Você não sabe pelo que aquela pessoa está passando e um pouco de bondade de um completo desconhecido talvez seja tudo que ela precisa. E talvez, tudo que você precisa também.