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Aguentar a bronca vale mais que fazer direito

A desvalorização do profissionalismo de verdade

Matheus Moura
Jan 8, 2018 · 3 min read

Trabalhar com design gráfico faz com que esteja exposto a opiniões individuais, gostos pessoais e a todo tipo de crítica sem noção. Designers muitas vezes podem ser arrogantes. Acredito que também já fui, em algumas ocasiões. Entretanto, hoje em dia, não me importo em explicar diversas vezes ao cliente como é o projeto e nem em ouvir todos os comentários, por mais absurdos que possam ser. “Ossos do ofício”, como dizem.

História real: o maior salário que já ganhei na vida foi pra escutar os outros reclamarem o tempo todo sem razão e fazer coisas que não exigiam nenhum um pouco do meu intelecto, apenas da minha obediência e saco. Ganhava mais de 4 vezes meu salário atual para basicamente aturar e consentir.

O dinheiro foi bom, a experiência traumática e o aprendizado enorme.

Vendo essa situação em retrospecto me fez pensar em toda minha experiência profissional e em quantas vezes tive vontade de mandar todo mundo à merda e vender miçangas na praia. Foram mais vezes que eu gostaria.

Percebi que que tive esses rompantes justamente quando exigiram menos de mim. Quando a lógica e bom senso foram colocados de lado. Quando me senti ofendido por ter que me fazer de ignorante e simplesmente acatar ordens sem nenhum fundamento. Também me toquei que nunca deixei um emprego por ser muito puxado ou desafiante demais. Pelo contrário, já larguei alguns por serem engessados e não me permitirem nenhum avanço profissional.

Porém, cheguei a conclusão que fazer o que me pedem é mais valorizado do que fazer o que seria o mais adequado. O ponto central é que o cliente já vem com alguma resposta para o problema, quando, na verdade, ele nem sequer sabe exatamente qual é o problema a ser resolvido.

“Preciso de um logo”, “quero um site”, “flyers!”, “tenho que estar presente em todas redes sociais” e por aí vai…

Todos sabem o que precisam antes mesmo de pensar se realmente precisam e o que isso traz em termos de benefícios e eficiência. Sabem o que querem, mas não sabem por quê, nem pra quê. Muitos não querem ouvir nenhum tralalá sobre identidade visual, comunicação, marketing… não.

“É só fazer o que estou pedindo, mais nada”.
Se possível de graça e pra ontem.

Acredito que o maior desafio em ser designer é tentar todos os dias evangelizar as pessoas, mostrar a importância do design, da comunicação e do marketing e como tudo isso em conjunto com outros valores do seu produto/serviço (como preço, atendimento, qualidade, etc) estruturam a personalidade da empresa e aumentam exponencialmente as chances de sucesso.



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Matheus Moura

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Versado nas artes ocultas do inconformismo passivo e protesto indoor. Insatisfeito e inatleta. Designer, diretor de arte, sem noção.

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