Ah, essa tal de indignação seletiva.

O mundo está ficando cada vez mais chato. E é seletivamente chato. Sim, porque os cretinos responsáveis por essa milícia do politicamente correto sofrem de um “pequeno” problema de indignação seletiva.

Vamos fazer uma foto de apoio ao Outubro Rosa e apanhar um bocado da M.E.C (Milícia do Estupidamente Correto)?

Essa semana o M.E.C. (Milícia do Estupidamente Correto) caiu de pau na agência África por se chamar África (sim, aquele discurso imbecil de "apropriação cultural") e publicar uma foto da equipe feminina onde não há uma única negra — ainda bem que não se chama agência Marte, ia ficar complicado agradar à turba — acusando-a de agência racista. Logo os "veículos de esquerda", aqueles blogs que pregam todo e qualquer tipo de segregação que ajude na causa de separar a população em clusters que se odeiem e sejam mais fáceis de se manipular, começaram a publicar todo tipo de análise sobre o quanto essa agência capitalista (existe outro tipo?) de propriedade da elite dominadora "pagou um mico".

Claro que ignoram que o problema não está exatamente na agência, duvido muito que tenham uma regra do tipo “não contratar negros ou pardos", o buraco é mais embaixo. Eu cursei publicidade na federal, em Recife, tendo entrado em 1994, junto com outros 41 alunos. Sabem quantos eram negros? É, zero. Mas, claro, o problema deve ser da agência.

Querido inocente, deixa eu explicar uma coisa: a regra na agência é uma só, contrate quem nos dê lucro, ou seja, custe barato ou entregue muito (de preferência ambos), independente de cor, raça, credo ou afins. No fim das contas o critério termina sendo talento (desenvolvido ou em desenvolvimento). Ou Q.I., claro, não vamos esquecer o quem indica.

E esse é um retrato da área onde quer que você vá, mas muito menos pela escolha das agências e muito mais pela oferta de mão-de-obra. Sim, isso vale ser debatido, claro, é importante, mas apontando os culpados errados dificilmente se chegará a uma solução minimamente satisfatória — ao menos para quem realmente interessa o debate. Claro que houve quem falasse em cotas para negros em agências de publicidade o que eu considero um tremendo paradoxo tendo em vista quem discursa, na minha cabeça é como dizer que a cor de pele limitaria o talento do profissional impedindo-o de entrar na agência sem ajuda, uma tremenda bobagem. Já não há a cota para entrar na faculdade? — Eu podia até discutir aqui como considero estúpida a cota racial e defender a cota social mas sinto que vai terminar em barraco, logo, vamos adiante.

O que importa é que todos eles tem descendência africana e isso é o suficiente, tá?

Mas, veja só, na mesma semana o pessoal do Porta dos Fundos publica uma foto de sua equipe e, pasmém, não há um negro ou negra entre eles. Quando apontaram esse “problema” as hordas do politicamente correto ficaram putas, claro. O que é isso? É o Greg, o Greg é de esquerda, tira foto com boné do MST e tudo mais, claro que no caso dele não é racismo, é simplesmente falta de bons profissionais negros na área de atuação da trupe. Sim, amigos, teve gente do M.E.C. com esse discurso de que não temos humoristas negros bons o suficiente para atuar com a turma do Greg. Aqui, no Brasil. No Brasil de Mussum, de Grande Otelo, de Luís Miranda, Lázaro Ramos, de Marcelo Marrom…

Em nenhum dos dois casos é racismo, amigo, o racismo — que existe, não vamos negar — está, ao menos nesses casos, nos SEUS olhos. E, confesse, você não está caçando “culpados” pra tornar o mundo melhor, está caçando pra aparecer e justificar sua posição ideológica e política, você quer palco. Quer aparecer como polemista defensor de minorias que, em alguns casos, não pediu, não precisa de sua defesa e certamente acha contraproducente você defender que ele não tem talento nem pra humorista, nem pra publicitário. Vou cutucar a África, isso vai gerar polêmica e muitos cliques no meu blog. Ah, vá, cansou, não?

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