Almas gêmeas

Talvez pareça, mas isso não é sobre poliamor

3dman_eu /PixaBay

E se cada um de nós tivermos várias “metades” por aí?

Questiono isso pois não acredito que exista apenas uma única pessoa em todo universo capaz de se encaixar perfeitamente em cada um. Nesta imensidão impossível de se conhecer na totalidade, sempre vamos outras pessoas e coisas afins, outras nem tanto e outras que se repele. E mesmo essas coisas mudam ao longo da nossa vida, e diga-se de passagem AINDA BEM!

Da forma como vejo as coisas, cada um tem várias “metades” por aí. Às vezes acontecem de se encontrarem e essa conexão se inicia por apenas um dos lados. Em outras deste encontro se inicia uma grande amizade.

Em outros casos percebem que apesar do amor não conseguem manter um relacionamento, e só em raros(?) casos é que estão em um momento propício para ambos.

Ainda tem as pessoas que conseguem essa conexão várias vezes. Sim, várias vezes! Por muito tempo achei que era apenas uma desculpa para sair “pegando geral”, e em alguns casos talvez seja isso mesmo, no entanto em outros não seriam apenas pessoas fazendo essas várias conexões ao mesmo tempo? A vida — e principalmente os amores e conexões — é complexa.

Seria mais ou menos isso o lance do poliamor? Na nossa cultura isso não é bem visto e aceito e confesso que eu mesma provavelmente não saberia lidar com um relacionamento aberto.

Mas não é sobre isso que estou tentando falar.

E sim, estou tentando falar sobre o fato de muita gente se sentir frustada por não ter achado o grande amor da sua vida ou em dúvida de quem é essa alma gêmea. Acredito que cada relacionamento é, de certa forma, um fragmento dessa nossa “cara-metade”. No momento em que ele está acontecendo é porque há uma conexão, existe uma troca, uma ligação, um envolvimento.

Mesmo que por pouco tempo — dias, meses, anos — este alguém foi sua alma gêmea, foi exatamente o que precisava/queria naquele momento.

Talvez não dure a vida toda, e tudo bem. Temos a “mania” de querer algo — nesse caso alguém — para sempre. Mas nem nós mesmo somos o mesmo sempre, como alguém poderia corresponder essa expectativa? O que importa é que enquanto está sendo vivenciado faça sentido, seguindo mais ou menos a linha de pensamento de Vinicius de Moraes:

“que seja eterno enquanto dure”.