Amor algoritmo X Match real

A nova era do amor.

As pessoas trocando as outras. O tempo todo.

A paciência que nem pavio tem mais.

A saudade que pode ser substituída.

O meu amor que eu dei pra você e você trocou

Porque cansou, porque enjoou, porque teve preguiça de continuar. Porque encontrou outra pessoa e achou melhor arriscar. Acordou tomou café, colocou o terno, fez carinho no cachorro e me esqueceu. Simples assim.

Exatamente como a gente se conheceu. Simples assim.

Um aplicativo, e a gente descobre tantas coisas em comum formadas por algoritmos que fez você se apaixonar, eu assustar, eu me apaixonar e você me deixar. Foram dois meses. Rápidos dois meses de muitos planos e certezas lindas de se ver. Brincadeiras bobas, amor de lágrimas nos olhos e uma saudade que ainda não cabe dentro de mim.

Dois meses.

Os mesmos algoritmos apareceram na rede social, como uma facada no peito, os mesmos que fizeram a gente se conhecer, me mostraram que era hora de eu me afastar de você. Porque ia doer, eu sabia que ia. A menina da infância surgiu. Amor de filme, anos depois. Amor de verdade, sem algoritmo feito pra achar sentimento no mundo.

O amor ali da forma que tem que ser. Do jeito que sempre foi.

O tempo fazendo o seu papel no roteiro da vida. Protagonista.

O casal, amigos de infância. Se encontrando adultos e os olhos brilhando.

As famílias com saudade. Os amigos em comum, os assuntos em comum.

A parceria infinita. A vida de verdade sem tela e a saudade do que ainda não aconteceu. E a ansiedade do que pode acontecer?

O roteiro digno de Oscar. Eu li. Reli, chorei no final.

E eu, aqui. Sentindo a vida que talvez eu tenha que sentir. A saudade de um trailer nosso que eu assisti. Ou acho que vivi? Sei lá. Tá tudo tão claro e confuso por aqui.

Eu voltei com o aplicativo. O mundo vazio e os milhares de algoritmos.

A minha felicidade pelo seu sorriso no mundo real.

A minha tristeza de ter que voltar pra esse mundo virtual.