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Jun 29 · 6 min read
Death of a Cyborg by Shorra (original: "O Primeiro Luto" (1888) de William-Adolphe Bouguereau)

Me deparando com a proposta temática "Acesso à Cultura", minha mente automaticamente pensou na internet.

Todos sabemos que a internet revolucionou a comunicação e o acesso à informação de uma maneira que se compara à invenção da prensa: mais pessoas têm acesso a um conhecimento anteriormente limitado e destinado aos grupos muito pequenos e mais privilegiados da sociedade. Além disso, ela também mudou de forma profunda como nós interagimos com a mídia e, ouso dizer, com o mundo. É justamente essa característica revolucionária da internet, o seu poder na democratização do acesso à cultura e à arte, que me inspirou a pensar nos "experts" desse ambiente — as pessoas que nasceram envoltas nisso.

Consumidores do hoje e do amanhã

Resolvi fazer uma pesquisa sobre a Geração Z aqui no Medium para ver quantas fontes acerca da relação entre os jovens atuais e a cultura eu conseguiria utilizar. Não achei muita coisa, contudo dois textos chamaram minha atenção.

O primeiro, chamando "Gen Z Will Reinvent Your Business. Here's How" (A Geração Z reinventará seu negócio. Veja como), fala de como antigamente as companhias não se preocupavam com os consumidores fora da PEA (População Economicamente Ativa) e aponta que, com a geração atual, cujas mudanças sociais e comportamentais observadas são mais intensas e rápidas do que nas outras épocas, foi necessária uma mudança.

Estamos — aqui me incluo na Geração Z por ter nascido em 2001, apesar de me ver no limbo entre os Millennials (Y) e os Z por uma série de motivos — trazendo uma "mudança sistêmica".

"Ao pensar na Geração Z, temos a tendência de nos prender em longas conversas sobre joguinhos de celular e redes sociais. Mas a tecnologia e as mídias sociais hoje mudaram o comportamento de todos, não apenas das crianças. O que diferencia a Geração Z como uma geração própria é a mudança social." (Traduzido do texto)

A última sessão do texto é dedicada aos hábitos de consumo dessa geração, por isso recomendo que a leiam. Retiro dela apenas alguns dos hábitos, os que acredito serem os mais importantes para o tópico da cultura:

  1. "Eles não veem diferença entre a versão física e a digital de algo"
  2. "Eles entendem completamente o poder do coletivo"

O segundo texto relaciona-se aos hábitos de consumo citados e chama-se "How Brands can Reach Millennials and Gen Z" (Como as marcas podem atingir Millennials e a Geração Z).

É um texto interessante para mim, estudante de Economia, mas pode não ser para muitos que procuram saber de cultura. Nesse caso, faço aqui recortes e escolho apenas um dos tópicos do texto: "4. Cultivate Community, Education and Tribe Authenticity" (em livre tradução: “cultive comunidade, educação e autenticidade de tribo”).

O tópico fala de uma conexão entre microinfluenciadores e consumidores na promoção de algum produto, sendo estes atraídos pela credibilidade e confiança naquele, porque influenciadores, na maioria das vezes, criam uma comunidade na qual a relação entre eles e seus seguidores é bastante diferente da vista entre fãs e celebridades tradicionais.

A cultura é um produto, não há contraponto a isso

Durante minha pesquisa para esse texto, deparei-me com essa página no site do Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), e descobri coisas interessantes:

"Deseja apoiar projetos culturais nacionais? Manual do Contribuinte mostra o que o empresário precisa saber para usar a Lei Rouanet e a Lei do Audiovisual.

São diversos os benefícios que podem despertar a atenção das empresas para usar as Leis de Incentivo à Cultura.

Entre os principais deles, estão: as vantagens tributárias do benefício fiscal; o ganho de imagem institucional; a agregação de valor à marca; o reforço do papel da empresa na localidade onde atua; o desenvolvimento de oportunidades de negócio; e o fortalecimento da política de relacionamento com outras esferas do governo, com funcionários da empresa e seus públicos."

Após ler isso, concluí, definitivamente, que a cultura depende de um apoio, ela precisa ser financiada, de uma forma ou de outra. É uma troca mútua entre quem financia e quem é financiado: os artistas tornam-se capazes de fazer seu trabalho, e as empresas que apoiam, como destaquei no trecho retirado do site, têm valor agregado ao nome, e influência aumentada.

Contudo, o meu foco é o argumento da cultura na era digital, então qualquer discussão mais profunda sobre a relação entre cultura e empresas na sociedade em geral pode ser deixada para o futuro.

Cultura na era digital

Ouvindo o Podcast da YouTuber Vivian Villanova (do canal vivieuvi), intitulado “Arte e Internet”, no qual ela discute a produção artística na era da internet, é feita uma observação muito importante: como esse produto artístico deve ser tratado?

Fiquei pensando nisso porque me interesso muito pela chamada “cultura da internet” (os memes, as novas formas de subversão da arte, novas críticas por causa desse novo meio, os estilos musicais que surgiram na internet). Pessoas fazem arte e disponibilizam na internet, mas sites dão problema, contas são suspensas, os dados podem não mais ser acessados pelo público. Como reagimos a isso?

Vivian pergunta, no podcast, ao entrevistado: “Você exporia esse perfil num museu? Como seria isso? Ou você acha que tem que ser a experiência completa na internet ou, por exemplo, a Amalia Ulman, aquela argentina que fez aquelas performances no Instagram… Eu vi a exposição dela, em que ela imprimiu as fotos e colocou na parede do museu… O que transforma completamente a natureza do trabalho. O que você acha disso?”

A resposta dele foi, em suma: “Para mim é outro trabalho, vira outra coisa”

Essa discussão mostra como a internet e a tecnologia foram capazes de criar uma linguagem própria para a expressão artística e cultural, tornaram-se uma nova categoria de performance, uma nova plataforma de acesso, mais democrática.

Contudo, não acredito que seja necessário criar uma rivalidade entre tecnologia e museus. Outro aspecto da cultura na era digital é a incorporação das inovações nas formas mais tradicionais de acesso à cultura: a realidade aumentada nos museus é uma delas.

Neste vídeo, é possível ver um exemplo de como é essa experiência:

A incorporação da tecnologia também é feita por meio dos tours virtuais, uma maneira também de democratizar o acesso aos museus. O Google Art Project é um exemplo de como a internet é uma ferramenta de uma mudança na experiência de ir ao museu.

Conclusão

Como fomentar o interesse pela arte e cultura em geral? A internet é uma ferramenta que pode ser explorada de diversas formas. Ela também é responsável por facilitar o acesso, possuindo potencial de ser a maior democratizadora de informações da história por sua capacidade de fornecer um acesso instantâneo ao que desejamos. A grande problemática e impasse para conseguir tal papel para a humanidade é o acesso a essa ferramenta.

Diversos estudos estão sendo feitos a respeito dos jovens de hoje nascidos com essa facilidade, porque seu comportamento evidencia mudanças estruturais na sociedade. As novas gerações estão sendo introduzidas a uma nova experiência cultural: agora o acesso está na palma de nossas mãos, literalmente. A internet foi capaz de mudar a maneira como interagimos com o mundo à nossa volta, como consumimos cultura, produtos e informação.

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Amante de todas as artes que escreve no tempo livre

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