por André Barroso — especial para a parceria LabJor FAAP/New Order

As pedras no caminho do audiovisual brasileiro

LabJor FAAP
May 1 · 18 min read
Ilustração: Rafaella Milani

Laís Bodanzky, cineasta e diretora-presidente da SP-CINE, publicou, no último dia 23 de abril, uma “Carta Aberta em defesa do Audiovisual Brasileiro”: “Diante do cenário alarmante, a Spcine manifesta seu repúdio ao que considera o desmonte da política audiovisual brasileira”, diz a cineasta. “Os acontecimentos recentes — pedido do Tribunal de Contas da União para suspender novos contratos da Ancine e paralisação nos repasses da agência — põem em risco um setor responsável por alavancar anualmente mais de R$ 20 bilhões no PIB do país e empregar mais de 330 mil trabalhadores. Em São Paulo, região de atuação direta da Spcine, nos últimos três anos foram 57,2 mil postos de trabalho gerados e mais de R$ 1,1 bilhão movimentados pelas produções que passaram pela cidade” , diz a cineasta.


A professora Luciana Rodrigues / VAV Audiovisual
O animador Marão / Anima Mundi

Confira abaixo as entrevistas:

E realmente, dentro desta guerra que o governo federal estabeleceu com relação às leis de incentivo, você começa a ter problemas de empresas que não querem nem ouvir falar de ter o seu nome associado. Mesmo que tenham o desconto do imposto de renda, elas não querem se sujeitar a serem queimadas publicamente por conta de uma guerra que o governo federal estabeleceu com os artistas no geral.

Mas, além disso, do ponto de vista econômico: o audiovisual brasileiro tem rendido em termos de Produto Interno Bruto mais de 2%! Isso é muito acima do que a indústria farmacêutica e a indústria têxtil fazem. Nós estamos crescendo 9% ao ano, apesar de todas as crises. Então, nem economicamente é possível dizer que não deve ter incentivo, porque a gente retorna para o país. São 330.000 empregos!

Marão: Se além da Petrobras, o BNDES e o FSA zerarem todo tipo de apoio ao audiovisual no Brasil, e se essas leis caírem também, será uma avalanche de empresas que vão fechar. Estou com 47 anos agora. Pela primeira vez estou vendo cursos de animação. Pessoas que prestam vestibular para cursos de animação e estudam animação. Se eu estou preocupado com o meu futuro imediato, estou arrasado com o que imagino que é a hipótese dessas pessoas que não saíram da faculdade ainda.

Marão: A maneira de responder é continuar a realizar, produzir. É o que está acontecendo hoje, que é essa movimentação de todo mundo da área tentando se manifestar. É tanta loucura que você conversa com 300 pessoas do país inteiro num grupo de WhatsApp formado para poder falar do que está acontecendo, prepara uma carta, prepara uma ação, e, no dia seguinte, antes de tudo estar encaminhado, já mudou tudo de novo.

Está tudo uma loucura muito grande. E tem esse monte de gente que está preocupadíssimo com o futuro imediato, gente que está indo embora do país. Mas a reação precisa ser ficar e brigar. Ir às ruas. Mas serão próximos quatro — ou oito — anos bem difíceis.


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