autoestima é uma plantinha difícil de cuidar

mas não impossível

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sei muito bem que a autoestima é uma plantinha difícil de cuidar. todos os dias ela demanda algo. um cuidado diferente. um novo desafio pra superar. regar aqui. adubar ali. aparar uns galhos secos acolá.

isso tudo pra tê-la forte. vívida. dando fruto. enraizando na nossa própria terra. firme. pra fazer a gente não envergar com os ventos do que é mesquinho. pra não permitir que nos envenenem com a toxicidade alheia. pra não morrermos de sede em épocas de pouca chuva de amor-próprio. a plantinha precisa de cuidados diários sempre.

aprendendo a cuidar, sei que a gente necessita desenvolver a paciência. sim, muita. uma vez que, de início, até se tornar uma árvore imponente, encontrar o que lhe sustenta, a mesma não é tão intocável. pode ser frágil mesmo com todo o zelo. há pragas que conseguem atacá-la. principalmente, se você tiver aquele coração bom, sabe, aquela terra com a bondade que lhe deixa exposto. as pragas adoram o que é bom. tentam jogar a sua volta a maldade e devastar o que é feliz, o que floresce, a nossa plantinha. os gafanhotos, por exemplo, não desistem até destruírem as folhas e colocarem coisa ruim no chão e deixarem a plantinha murcha, sem vida. é triste. tudo porque não sabem que pra serem felizes, possuírem a própria plantinha forte, não precisam acabar com as dos outros. é aquela pequenez de espírito que a gente vê por aí.

então, autoestima é a plantinha que a gente precisa regar todos os dias. mostrar que o serviço está sendo feito diariamente. nos cabe arregaçar as mangas, regar, adubar e colocar uma cerquinha com uma porteira — sem medo e, claro, respeito ao próximo, pois nenhuma plantinha é melhor que a outra — que, pela manhã, ao acordarmos, deixamos entrar apenas o que há de bom pra germinar. e pelo restante do dia também. antes daquelas suas duas apresentações ou uma prova na faculdade. antes de fechar um negócio no almoço de segunda-feira na empresa. antes de sair no sábado à noite pra ir em uma festa quando para na frente do espelho e vê o espetáculo de pessoa que ali reflete. antes do que acharmos necessário. pra nos sentirmos bem. sempre antes de enfrentar o mundo por aí. que é hard. que é tenso.

sei muito bem que a gente vai criando a nossa plantinha como dá. não é fácil. por vezes, fica só o caule plantado na terra parecendo sem chances de sobrevivência. não existe tutorial. consciência do básico a ser feito, sim. consciência de que é atenção, amor e respeito pelo o que somos que torna a plantinha da autoestima bem como a queremos. sabe, aos trancos e barrancos, ela cresce. e cresce forte. a terra é fértil, com já disse, e pode produzir uma árvore tão bela, com sombra, com flores, com frutos pra suco e um galho pra instalar um banco de balanço. dá trabalho e não é sempre que ela estará bem. isso é normal. só que ela, por favor, precisa ser cuidada e tem que receber é apoio de quem também trabalha pra cuidar da própria plantinha todo dia e quer ver outras tão bem quanto a sua. a gente esquece de não dar ouvidos pra conversas fiadas e encantadas das pragas.

hoje cada vez mais sei que a autoestima cresce com o adubo da aceitação. aceitar que o quebra-cabeça das nossas diferenças nos tornam únicos. que a gente tem que abraçar tudo o que somos sem distinção entre o que é qualidade e o que é defeito. somos extraordinários tal como somos. que a gente não tem o porquê de buscar aprovação alguma fora da gente mesmo. que a gente precisa aceitar que não será bom em tudo e não agradará a todos, que muitas vezes vai ser em algumas coisas e ter por perto poucos e bons e que se importam e tudo bem, mas que estamos abertos e que vamos paulatinamente aprender o que for necessário e conhecer pessoas boas a medida que o tempo passar. aceitar que nascemos e crescemos pra sermos tal como somos e essa melhor versão, que estamos sendo agora, dessa história toda da nossa vida, que o mundo recebe diariamente, que é fundamental, que é importante. aceitar e ter a cabeça aberta pra melhorar o que desejamos de fato. e quem, realmente, gosta, fica e ajuda no cuidado da terra, da plantinha.

sei muito bem que a autoestima é uma plantinha difícil de cuidar. a minha passa por poucas e boas. não é fácil. mas não impossível. todos os dias ela demanda um cuidado diferente. regar aqui. adubar ali. aparar os galhos secos acolá. enfim, este, é o recado e pedido final, depois de tudo o que já foi dito até aqui: promete, pra mim e, principalmente, pra você, de que todos os dias não vai esquecer que a sua plantinha da autoestima merece receber tudo isso de lindo que você é? promete? que ótimo, fico feliz por você!