Avatar x Vingadores| O domínio interessa a quem?

Não dá pra negar, Vingadores: Ultimato é um fenômeno e um dos maiores eventos da cultura pop dos últimos anos. Não à toa, fez US$ 2.2 bilhões de bilheteria em apenas onze dias em cartaz, ultrapassando as marcas de Star Wars — O Despertar da Força e o também fenômeno, Titanic. Resta agora ultrapassar o praticamente inatingível Avatar, com seus absurdos US$ 2.7 bilhões. Mas será que isso é uma boa notícia?

Antes de tudo, é preciso avaliar todas as adversidades em relação aos dois filmes. Enquanto Ultimato utilizou de todos os seus artifícios para criar volume, como ações de marketing e, claro, o retrospecto de uma saga de mais de dez anos, Avatar enfrentou desconfiança e praticamente nada de campanhas de marketing. Outro fator está, também, no número de salas ao redor do mundo. Em 2009, quando o filme de James Cameron estreou, a China possuía apenas 5 mil salas, enquanto hoje há mais de 60 mil, vinte mil a mais que os EUA, sendo o maior polo cinematográfico do mundo.

Mas então o que fez Avatar se tornar um sucesso? Um filme que na sua abertura faturou apenas US$ 77,02 milhões nos EUA, conseguiu alcançar o sucesso pelo boca a boca e pela sua regularidade, onde teve uma queda pouco significativa entre os períodos e ficou, pasmem, 34 semanas em cartaz nos EUA, de dezembro de 2009, a agosto de 2010. No Brasil, foram 14.

Tirando os fatores mercadológicos e, embora muitos hoje diminuem o impacto do filme sem a menor explicação, é impossível negar a força de Avatar como CINEMA. Uma produção original, sem adaptação ou personagens conhecidos com uma história magnífica, que envolve militarismo, ficção cientifica e até mesmo ambientalismo. Além de utilizar recursos visuais e técnicas jamais usadas de maneira tão ampla, como a imersão em 3D, uma tendência que dura até os dias de hoje, e a captura facial, esse que pouquíssimos filmes se arriscam a fazer mesmo depois de dez anos.

Tudo isso reduz a força de Vingadores: Ultimato? Claro que não, mas é fato que esses números impressionantes deixam claro o momento atual em que o mercado cinematográfico vive, cheia de filmes adaptados e poucas ideias originais que geram um verdadeiro impacto no âmbito de blockbuster. A tendência, obviamente, é essa, se levar em consideração o cronograma de estreias que a Disney divulgou nessa semana. Vale lembrar que tanto os filmes da Marvel, quanto Avatar e Star Wars, agora pertencem ao Mickey.

Cronograma dos próximos filmes da Disney/Fox. Domínio total de franquias e poucos originais

Há quem diga que Ultimato perderá o fôlego por conta das próximas estreias, Detetive Pikachu, John Wick e Aladdin. Mas a distância entre os valores de bilheteria com Avatar é de apenas US$ 600 milhões, tudo pode acontecer. Há também que acredite que a própria Disney não quer Vingadores no topo, já que isso pode prejudicar o lançamento da sequência de Avatar, que obviamente não chegará nem aos pés da bilheteria de seu original.

Ainda assim, só o fato do segundo lugar já ter sido tomado confirma o grande domínio da Disney e que a compra da Fox vai aumentar cada vez mais esse monopólio de blockbuster e investimentos em franquias e live-actions de seus clássicos, restando pouquíssimo espaço para filmes originais.

De qualquer forma, independente dos próximos lançamentos, o que estamos vivendo é a história do cinema moderno e dificilmente se repetirá. Se Ultimato não ultrapassar Avatar, nenhum outro filme o fará. Se passar, muito provavelmente reinará por muitas e muitas décadas. A disputa pelo reinado agora é só entre os dois e interessa, claro, a somente aos que retém essa grana. Sem entrar no mérito das correções pela inflação, onde E O Vento Levou jamais perderá sua coroa.