Baby Driver | O Pulp Fiction de Edgar Wright

Vinicius Machado
Jul 26, 2017 · 4 min read

Edgar Wright é um diretor inglês e responsável pela trilogia Cornetto, composta por Todo Mundo Quase Morto (2004), Chumbo Grosso (2007) e Heróis da Ressaca (2013), além do aclamado pelo público e crítica Scott Pillgrim Contra o Mundo. Ele possui sua pequena legião de fãs, mas nunca decolou sua carreira, de fato. Pelo menos até agora ou até estrear seu mais novo filme.

O nome em português é Em Ritmo de Fuga, mas vamos manter Baby Driver por aqui, porque né?

O filme gira em torno de Baby, um garoto que utiliza a música para abafar os zumbidos de sua audição, provocados por um acidente de trânsito quando criança. Para pagar uma dívida, ele passou a vida toda (o que não é muito) exercendo a função de piloto de fuga. Ao conhecer Deborah, uma garçonete pela qual se apaixona, ele planeja abandonar essa vida de crime, mesmo que tenha que confrontar seus superiores.

Edgar Wright é um diretor extremamente autoral. Se você parar e prestar atenção em seus filmes anteriores, perceberá enquadramentos e cortes idênticos, todos com uma pegada mais despojada, como se fosse um filme mais leve, jovem e moderno. Aqui não é diferente. Mas calma aí, se você ainda não viu os seis primeiros minutos aqui, pode ver antes de continuar o texto, eu espero.

Se você achou que esses minutos são o suficiente para te levar ao cinema, fique sabendo que o filme mantém essa adrenalina por quase duas horas, cheio de sequências bem dirigidas e orquestradas. Mesmo assim, ele se alterna entre essa correria desenfreada e algumas cenas mais leves, como por exemplo um plano sequência digno de um musical bem produzido.

O clima cool se mantém pelo menos até a primeira metade do filme que, ora lembram filmes adolescentes dos anos 80/90, ora lembram ações da mesma época. Já na segunda metade do filme, há uma transição de gênero em a adrenalina sobe de maneira impressionante, se tornando um legítimo filme de ação. Há uma certa indefinição do desfecho que faz com que o espectador se prenda na cadeira e não pisque mais. A experiência de seguir até o fim dessa forma é executada como poucos nos dias de hoje. Por mais que o roteiro não apresente nenhuma novidade do gênero (roubos de bancos e pilotos de fuga), a execução é tão perfeita que tudo parece ser novo, seja no romance e nas relações afetivas, ou até mesmo nas próprias sequências de ação.

Os diálogos ácidos e principalmente o humor visual que Wright impõe aumentam ainda mais essa experiência. É impressionante como não há uma piada fora de contexto e mesmo nos momentos mais tensos o tom cômico se faz presente. A edição, por sua vez, é a grande responsável por tudo isso. Há muitos anos não via algo tão bem trabalhado em prol da narrativa, totalmente ligada com a trilha sonora, essa talvez o componente principal do filme.

Wright disse em uma entrevista que pensava nas cenas já ligadas às músicas, e é impossível não acreditar nisso, já que são elas que ditam todo o longa e fazem parte da trama como um personagem externo. Até mesmo os tiros, passos, barulhos de motores e todos os outros sons emitidos acompanham as batidas da musica. Pode colocar pelo menos algumas indicações na categoria edição nas principais premiações.

O elenco, por sua vez, também é responsável pela qualidade da execução, como o próprio protagonista, Ansel Elgort, desta vez totalmente fora de sua zona de conforto. Mesmo que o papel não exija muito, é perceptível sua dedicação no trabalho, com a impressão de que o papel foi escrito pensado nele, o que não e difícil, já que tudo é muito bem planejado. O elenco de apoio faz um grande papel também, com Kevin Spacey, Jammie Foxx, John Hamn, Lily James e Eiza Gonzales. Todos funcionam muito bem em suas funções, além de darem um grande apoio pra elevar o protagonista.

Baby Driver não só vale o ingresso, como também é uma grande experiência na sala de cinema e entra na lista de um dos melhores filmes de ação dos últimos anos. É um daqueles filmes em que o espectador sai maravilhado. É o filme que vai levar Edgar Wright ao topo dos grandes diretores da cultura pop, assim como Pulp Fiction fez com Quentin Tarantino, por exemplo. Se você não tinha ideia de quem era esse cidadão, é bom anotar o nome e dar uma busca nos streamings por aí. Garanto que você terá um novo diretor na lista de favoritos.

Enquanto isso, dá uma olhada nesse vídeo do pessoal do Every Frame a Painting. Dá pra entender legal o estilo do cara.

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Vinicius Machado

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Jornalista, cinéfilo, fanático por Star Wars e editor do blog Sala Sete. Escreve sobre filmes e não dispensa uma boa conversa sobre o assunto.

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