Brasil: 2015. Como a história contará este ano?

O que está acontecendo com o Brasil?

Esta é uma pergunta de difícil explicação. Na verdade, é uma resposta em construção. Um ano cheio, marcado por muitas surpresas no ambiente político. Ao mesmo tempo, um ano atípico pelas reações da população brasileira.

A última pesquisa IBOPE demonstra a insatisfação do povo com a classe política eleita por ele mesmo. Situação e Oposição têm altas taxas de rejeição por parte do eleitor, conforme a pesquisa realizada entre 17 a 21 de outubro de 2015:

55% dos eleitores declaram que não votariam em Lula em hipótese alguma.
54% declaram José Serra nunca será sua opção.
52% rejeitam o governador paulista Geraldo Alckmin, o Chuchu.
52% despresam o desbocado Ciro Gomes.
50% já não veem Marina Silva como opção para presidente.
47% não querem saber do Aécio Neves.

O PT também faz seu dever de casa e criou o conceito "antipetismo puro". Pesquisa feita pela Fundação Perseu Abramo, mais um braço do partido, quer saber onde está o seu eleitor fiel ou em potencial. Por detrás do conceito está aquele que não vota no partido em hipótese alguma, como também não deposita seu voto na oposição.

E aí está o grande impasse.

Enquanto em Brasília os políticos continuam jogando em seu favor, garantindo sua proteção por meio do sistema — o que sempre fizeram, diga-se de passagem — , tal movimento, agora, não está desapercebido pelo eleitor. Dados de 2014 mostram que 59,36% do eleitorado desprezavam qualquer sigla partidária naquele momento.

A ação dos delegados nos casos de corrupção em andamento estão lavando a alma do cidadão. Este, por vez, entendeu o verdadeiro "golpe" quando diz que um político não pode ser atingido simplesmente porque ele recebeu votos. De fato há uma lógica institucional a ser respeitada. Por outro lado, o sistema não pode favorecer nem blindar incompententes. Este é um dos grandes dilemas da política. E são contra estes entraves argumentativos e institucionais que o eleitor se levanta de forma intuitiva, apesar de não saber explicar o mecanismo.

A recente "pizza" veio do próprio PT: a nova CPI da Petrobrás deu em nada. Produziram falsos laudos de inocência. O povo viu e entendeu.

Por sua vez, a imprensa, incompetente e vendida como sempre, talvez esteja (propositalmente) esquecendo de um ponto de vista: analisar a geração do funcionalismo público que fez (ou faz) o sistema funcionar conforme a intenção primeira de proteção institucional. Pessoas nascidas no idos dos anos 70, que vieram das classes baixas e médias, não descendem de famílias históricas da elite, não possuem vínculos de interesse de usar o Estado em benefício próprio. Desarticularam uma elite política histórica, seja de situação ou oposição. E no congresso estão mudando as leis para não perderem seus direitos de usarem o Estado como bem particular.

Os brasileiros já deram o recado aos políticos, mas eles não querem e não podem verbalizar: solicitam um instrumento legal e democrático para não terem que escolher o menos pior, mas expressar quando as opções dadas não servem. Será um grande salto no modelo de representação.

Povo na rua, judiciário averiguando políticos e ricos empresários. Fatos novos. Talvez aí surja a possibilidade de uma nova escrita para a história do Brasil.

É só o começo e espera-se que não seja um rascunho.

Mas uma coisa é fato: 2015 já está nas páginas da história brasileira.


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