Filósofo Moderno

Caçadores de Borboletas

Termino de ler o artigo A guerra das universidades contra a verdade de Roger Scruton e faço um esforço imaginativo, mas é impossível alcançar tamanho subjetivismo e imanentismo.

Ao mesmo tempo Redes Sociais e imanência e subjetivismo invencíveis. Mark Zuckerberg criou o conceito de Rede dentro da Rede: todos acessariam a internet através do Facebook que seria uma “janela”.

De dentro do Facebook você vê o mundo virtual passar, assim como quem vê a banda passar. Na sua timeline estão desfilando conteúdos de terceiros que podem ou não fazer algum sentido para você, mas isso é outro assunto. Ao final, você navegou sem sair do lugar, você publicou sem sair do lugar, você passou o dia todo no quintal azul e branco.

Segundo Scruton, alunos e professores de universidades — que deveriam ser locais de discussão e busca da verdade — estão se afastando cada vez mais de certezas para não correr o risco ofender os colegas. Entretanto, as universidades não deveriam produzir conhecimento? Não deveriam ser uma grande janela, como o Facebook, mas apontada para a verdade?

E que tipo de conhecimento este afastamento das certezas pode produzir? Quando nos debruçamos sobre a janela da academia para a realidade já não enxergamos a verdade, nem perto disso. Caímos noutra armadilha mais complexa; quando procuramos olhar o que há lá fora só vemos sentimentos, termos vazios de significado, invólucros de “EUs” se espalhando aqui e ali de maneira a tentar ordenar, cada um por si, o que se supõe o seu mundinho, num subjetivismo epidêmico.

Corre-se o risco de as universidades se converterem no Facebook politicamente correto do conhecimento. Um post pra lá, outro pra cá, desde que não fale mal do amiguinho, protegendo a imanência alheia com medo da transcendência da verdade.

O que é, por exemplo, a discussão de gênero — obrigatória em alguns cursos — senão um monte de vento? Você conhece alguém que seja apenas um braço? Você conhece alguém que seja apenas uma consciência? As pessoas são mais complexas, não apenas organismos simples que se resolvem com um artigo sobre um menino que se crê traumatizado porque queria ser menina.

Esqueceram que o homem é um animal e por isso também tem uma explicação biológica. E que ele é racional e político e por isso também tem uma parte intelectual e social. A substância homem deve lidar com seus acidentes…

Chesterton, sempre coberto de razão, escreveu: “Cada época é salva por um pequeno punhado de homens que têm a coragem de não serem atuais”.

Uma meia dúzia de homens ainda pensará além de seus umbigos, imaginando que as janelas de Zuckerberg e das “novas” universidades não são o suficiente. Imaginarão que é possível sair da caverna e ir buscar o que lhes corresponde e que está para além.

O medo da verdade que se espalha nas universidades e faz com que se perca, ainda mais, o apoio na realidade transforma a famosa pergunta “por que o Ser e não o Nada?” em algo como “por que o Ser e não o que EU quero?”, multiplicando as janelinhas estreitas pelas quais peneiram o relativismo. É nesse momento que dá até saudades dos materialistas.

Em breve teremos filósofos caçando palavras no ar como borboletas, colecionando-as simplesmente pelas suas maravilhosas cores.
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