Uma reflexão sobre segurança e informação na era digital

Caio De Paula Silva
Jan 12 · 8 min read
Bulb by Michael William Lester (CC)

Escrito especialmente visando alcançar aqueles que nascidos entre meados dos anos de 1979 e 1995, os ditos Old Millennials (25–34) e Young Millennials (18–24), esta série de artigos busca discutir e salientar importantes tópicos relacionados ao que podemos considerar um uso seguro da internet por seu usuário comum. Isto é, cujo os hábitos envolvem, por exemplo, o uso de redes sociais, troca de mensagens, participação em discussões de fóruns e semelhantes e o acesso a microblogs e relacionados, hábitos tais como esses, cujo o perfil baseia-se em leitura realizada de indicadores fornecidos pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação(CETIC.br); que demonstram que nós — os Millennials — representamos tendencialmente a faixa etária de maior atividade nesse sentido. Tendo isto definido, vamos abordar aqui temáticas relacionadas a qualidade de informação, legislação, privacidade e segurança de dados, hábitos de acesso, consumo e mais.

Todavia, devo salientar que caso tenha você leitor nascido em outro período, ainda acredito que a mensagem também te cabe, pois entendo que todos nós hoje temos uma obrigação a cumprir. Chegou a hora de utilizarmos o que aprendemos até o momento para tornar daqui um lugar melhor. Bons hábitos também devem ser compartilhados.

A internet está indisponível → Daqui

Senhoras, senhores e androides: cuidado

Qualquer pessoa com alguma simpatia por organização sabe que as coisas que você descarta te ajudam no processo de encontrar aquilo que você realmente precisa. Com a internet o jogo é o mesmo. Ao deixar se informar por qualquer fonte, se colocando a mercê do que calculam os algoritmos e do que compartilham outros usuários, dessa forma você fica suscetível a muita porcaria. Vide o que retrata a notícia destacada:

Em 2016 o twtitter conseguiu corromper a inteligência artificial da Microsoft, Tay, em menos de 24h. (…) Em um dia, ela passou de uma inocente robozinha para uma racista, transfóbica e desagradável vomitadora de caracteres.

Quando se fala em informação de baixa qualidade, isso pode significar muita coisa. De fato, é sempre um risco assumir imediatamente como verdade o que outra pessoa diz, quando mais sem questionar-se a respeito de suas referências e sem estabelecer critérios mínimos para validar o que está sendo dito. Diferente da Tay, que naquele momento parece não ter sido capaz de assumir uma postura crítica sobre o que diziam a ela, nós humanos podemos fazer isso. E eu gostaria de sugerir como, começando pelas redes sociais.

I — Saiba consumir

Parte importante do processo para livrar-se dos maus hábitos em como lidar com as redes sociais quando se trata de informação está em compreender e assumir algumas premissas, como por exemplo a de que uma rede social não é necessariamente uma rede de conteúdo. O que quero dizer é, você tem maiores chances por exemplo de encontrar informações relevantes de uma notícia, indo diretamente ao site de algum jornal ou veículo prestigiado do que chegando a ela através de caminhos paralelos. Compreende?

Além disso, é muito comum aliás, que as chamadas dessas notícias nas redes tenham o título um pouco exagerado e/ou com clara intenção de despertar seu interesse em acessá-lo, mesmo que isso custe a qualidade e precisão da informação. O que nos é outro bom motivador para não ter essa como primeira opção de veículo para buscar se informar.

E para que se saiba, essa desleal técnica de títulos sensacionalistas tem nome e não é de boa fama, ela se chama clickbait e é amplamente usada em muitas senão todas as redes. Sendo o seu principal motivador, geralmente, a geração de receita advinda do acesso pelo usuário. De forma que cada clique importa porque tem um valor financeiro agregado a ele. Aqui, me posiciono pessoalmente ao dizer que ao meu ver, na maioria das vezes qualidade de informação e sensacionalismo não caminham juntos. Assim eu, tendo isso em vista, pessoalmente, procuro não enriquecer mentirosos. Do contrário, busco veículos em que posso confiar e assino sua newsletter, que são e-mails recorrentes em formato de boletim informativo. Assim, a informação continua vindo até a mim, como antes, porém dessa vez com qualidade.

II — Seja cético

Indo mais a fundo nessa linha de raciocínio e aproveitando do que já tratamos anteriormente, destaco outra ideia a qual considero de extrema importância. Seja cético. Sempre tente pesquisar a partir de outras fontes as informações das quais vocês você não é capaz de garantir a veracidade. Questione e verifique a experiência de quem a escreveu, pesquise nomes e vá atrás de seus perfis. Verifique que nos textos haja boas referências. Tenha atenção a linguagem utilizada. Considere a reputação do veículo ou de quem a publicou. Tenha atenção a data de publicação (e de edição se houver). Questione-se. Duvide de tudo. Hoje se produz mais informação do que jamais se fez em qualquer outro período da história e qualquer um tem permissão de, sem qualquer preocupação particular, cobrir o que desejar. É muito fácil se enganar. Até mesmo alguns veículos jornalísticos, seja por conta da necessidade de cobertura em tempo real ou por outros motivos quais sejam, algumas vezes parecem falhar na checagem de fatos.

E por falar nisso, essa é uma ótima deixa pra recomendar quem mais entende do assunto. Apresento-lhes a iniciativa brasileira Aos Fatos. Trata-se de uma equipe de jornalistas que acompanham diariamente declarações de políticos e autoridades de expressão nacional, de diversas colorações partidárias, de modo a verificar se eles estão falando a verdade. Mas isso é só o que eles dizem que fazem, na verdade eles vão muito além. Quer um exemplo? Aqui vai um ótimo: esses quadrinhos bonitinhos que compartilho a seguir vão ajudá-lo na tarefa de descobrir se uma informação é verdadeira ou falsa. Esse é apenas um link de vários.

III — Ativismo Espontâneo e o que tenho a ver?

Essa talvez seja a questão mais delicada da qual pretendo tratar. E isso porque ela envolve diretamente a forma como você pensa e reage a uma informação, além do seu papel social e função como membro de algo maior. Mas tudo bem, porque você já conhece esse formato. Vamos então construir uma analogia para tornar as coisas mais simples, para isso usemos a ideia de sociedade.

A primeira ideia então que devemos pressupor é de que cada cidadão têm como função mínima a manutenção do seu bem-estar e o do próximo. Sendo assim, se analisarmos um ponto onde essa estabilidade se perde, temos uma boa analogia para a desinformação. Daí a pergunta: por que todos nós, por exemplo, não somos policiais? (supondo sua função de mantenedor da paz) Sendo alguns de nós infratores e outros cidadãos comuns? A reposta é simples: porque assumir essa posição pressupõe capacitação e preparo. Então se imaginarmos que a condição de cidadão é nossa condição natural e de que as outras duas significam paralelamente preparo e problemática, é assim que deveríamos nos sentir ao gerar informação em uma rede.

Um cidadão-usuário comum pode com certeza ser capaz de contribuir para trazer informação de qualidade para outros usuários, isso é fato, mas ele nunca será tão efetivo como aquele que se capacita e se prepara para isso. Muitas vezes podendo vir aliás, devido justamente ao seu despreparo, a causar o efeito contrário, se tornando então um infrator, porque produz desinformação. Compreende o raciocínio? A manutenção da paz deve sim ser uma preocupação de todos, mas é importante consciência. Propagar desinformação é tão preocupante quanto consumi-la. Ativismo assim, é algo bom, eu não diria o contrário, mas necessita cuidado. Não se deve levantar mais bandeiras do que se pode sustentar, entende? As vezes, talvez seja uma ideia melhor se esforçar um pouco mais para falar sobre algo que é do seu interesse do que opinar sobre tudo. O melhor lacre que você pode dar a alguém é demonstrar que mais do que apenas sua opinião, o que você defende faz parte de você e merece seriedade. Dessa forma é garantia de close certo.

IV — O lado negro da força

Com certeza você já ouviu a expressão “não leia os comentários”, certo? Existe um motivo muito claro pra isso. Como já foi dito antes, o despreparo é aliado da desinformação. E assim como é possível consumir informação com apenas alguns cliques, a retórica também é verdadeira quando pensamos em como um usuário reage a ela. Não importa de qual site estejamos falando, qualquer publicação em qualquer site que você possa imaginar provavelmente possui um espaço reservado para comentários. E isso é ótimo a principio, pois estimula a interação entre as partes desse sistema (o produtor de conteúdo e o consumidor) e até mesmo entre os próprios usuários. Além do que, permite a quem publica, uma forma de medir sucesso e engajamento. A questão é que esse também é o problema. Não são todos os que tem o hábito de pensar no que vão dizer. E o que é pior: hate, o ódio a publicação ou ao publicador, também é parâmetro para engajamento. Então, de certa forma, meio que ‘tanto faz’ pra quem publica. O acesso é a primeira métrica.

Falem bem ou falem mal, mas falem de mim.

O fenômeno do #EleNão nesse sentido é algo que eu admiro bastante, primeiro pelo motivo mais óbvio. E segundo porque essa é de alguma forma uma técnica muito inteligente para não alimentar algoritmos com aquilo que você deseja evitar. Mas, como nem tudo são flores, como eu disse, hate também é engajamento. Então dependendo de como atuam os veículos, isso não impede que aquilo que você quer evitar ainda assim seja líder de pesquisas

Agora, aproveitando o gancho, você por um acaso sabe o que é um bot?

Numa definição formal bots, diminutivo de robot, são aplicações de software criadas para simular determinados padrões de comportamento humano. Eles são um recurso de extrema importância e potência na atualidade. E são usados para os mais variados objetivos. E dentre eles, os perfis falsos, ou perfis ciborgues de objetivo restrito, que cada vez mais descobrimos do que são capazes: distorcer resultados de eleições, roubar dados, disseminar ódio, fraudar, clonar perfis, disseminar notícias falsas, a lista é imensa. E na verdade, acho que merece um capítulo exclusivo para ser discutido. Então por hora fica um breve conselho, busque saber identificá-los, aumente a privacidade de seus perfis e não reaja a qualquer cometário. E sendo assim, antes de encerrar este primeiro capítulo, compartilho algumas das minhas inspirações para tratar desse assunto no nosso próximo encontro. Desses, gostaria de dar destaque ao meu escritor favorito e grande amigo, Rodrigo Goldacker. Até breve.


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