Christopher Robin é uma grande jornada de fantasia e amadurecimento

Se tem uma coisa em que a Disney é boa, é criar mundos de fantasias e sonhos como ninguém. Até por isso, muitos dos clássicos dos contos de fadas vem à memória por conta dos filmes produzidos pelo estúdio. Entre uma destas histórias é a do Ursinho Pooh, adaptada dos livros de Alan Alexander Milne, cujo os contos se inspiraram nos ursinhos de pelúcia de seu filho, Christopher Robin, o mesmo nome do mais novo filme da Disney.

Christopher Robin já não é mais aquela criança que visitava Pooh e sua turma no Bosque dos Cem Acres. Após crescer em um colégio interno e ir para a guerra, ele virou um homem de negócios, sem tempo para diversão ou sequer dar atenção para a sua família. Por isso, Pooh e seus amigos de infância entram no mundo real para ajudá-lo.

Embora seja um filme com uma temática infantil, seu foco maior está nos adultos, os que cresceram assistindo aos desenhos do Ursinho Pooh e hoje se identifica com Christopher Robin. Crescer com as obrigações e esquecer das alegrias da infância acabam se tornando comum nesse processo, e são para essas pessoas que o filme se destina.

O diretor Marc Forster utiliza um clima um tanto quanto melancólico e uma fotografia mais cinza para retratar o tempo, local (se passa em Londres) e também o clima. Há poucas cores vivas e quando elas aparecem, surgem com alguma coisa a dizer, seja num balão vermelho ou até mesmo a aparição do sol. Tudo é muito bem organizado para causar as sensações no espectador.

Trazer Pooh e seus amigos para a realidade foi uma das grandes sacadas do filme

Mas o grande trunfo do filme é unir a fantasia com a realidade. O que no começo parecia ser mera imaginação do garoto Robin, conforme o tempo vai se mostrando que nada daquilo era mentira e os pequenos bichinhos de pelúcia aparecem para as outras pessoas falando ou se mexendo. Poderia parecer infantil, mas a direção de Forster e o roteiro Alex Ross Perry tornam tudo mais sério, com diálogos fortes, mas que se equilibram entre a inocência e o lúdico.

A aproximação dos personagens também é natural e vai dando mais possibilidades ao desfecho do filme. Ewan McGregor interage bem com os pequenos bichinhos (em especial a Pooh e o burrinho Ió) e parece estar se divertindo com o filme. Ao longo da história o adulto sério vai se desprendendo, com a ajuda, também, de sua filha, interpretada pela estreante em Hollywood, Bronte Carmichael.

Aos poucos e com uma sutileza que só a Disney pode proporcionar, Christopher Robin vai deixando sua melancolia de lado para se tornar um gracioso filme de fantasia e cheio de nuances que agradam crianças e adultos. Com um desfecho leve, ele faz com que o público mais velho saia do cinema um pouco mais aliviado dos diálogos carregados e pense um pouco de como é bom olhar para trás para não perder sua essência.