CONECTE #001: Ciência e Tecnologia

Meu nome é Frank Wyllys, estudante de licenciatura em Filosofia da Universidade Federal do Amazonas (UFAM). Este é o meu retorno para a revista Trendr, mas claro, agora trazendo algo novo: a CONECTE. O conceito é bem simples: trazer para vocês contextualizações sobre Ciência e Tecnologia, Cultura e Política. Contextualizar o que de mais importante aconteceu nestes temas durante a semana. Isso tudo com diversos links e de maneira contextualizada, baseado em uma maneira pessoal de realizar curadoria. Aproveitem ao máximo e continuem as discussões da Conecte por meio de notas e comentários!

Antropoceno: estamos na era dos humanos?

Koyaanisqatsi (1982)
O termo Antropoceno é uma combinação das raízes das palavras em grego anthropo- (ἄνθρωπος) que significa ‘humano’ e -ceno que significa ‘novo’ — Wikipédia

No finalzinho do mês de maio a Revista Pesquisa Fapesp publicou uma matéria tratando sobre um reunião que ocorreu com um grupo de distintos especialistas — geólogos, arqueólogos, geoquímicos, oceanógrafos e paleontólogos— para “[…] consolidar uma proposta a ser apresentada em agosto na África do Sul para marcar o início do processo de reconhecimento oficial de que a Terra vive uma nova época geológica: o Antropoceno, a era dos seres humanos”. Ou seja: o ser humano e suas recentes ações estariam causando um impacto geológico tão forte que podem ser a causa e origem de uma nova era geológica.

Separei um trecho da matéria que resume bem como anda a discussão e elaboração dessa proposta que pode levar a “inclusão do Antropoceno na tabela cronoestratigráfica”:

A ideia de que o Holoceno teria chegado ao fim com mudanças ambientais provocadas pela civilização moderna, dando início ao Antropoceno, tornou-se conhecida no início da década passada por meio de artigos e conferências do holandês Paul Crutzen, ganhador do Prêmio Nobel de Química de 1995 por seus trabalhos sobre a formação do buraco na camada de ozônio da atmosfera. As ideias de Crutzen inspiraram Zalasiewicz a propor à Iugs um grupo de trabalho para debater o assunto e tentar definir o início do Antropoceno e as suas características.
Embora as conclusões do grupo só devam ser sumarizadas e apresentadas em 2018, as principais evidências levantadas por ele vêm sendo divulgadas e discutidas há algum tempo. O trabalho mais recente a defender o Antropoceno é um artigo de revisão escrito por Waters, Zalasiewicz e mais 22 colaboradores e publicado em janeiro na Science. No paper, os pesquisadores defendem que as atividades humanas já mudaram o planeta a ponto de produzirem em todo o globo sedimentos e gelo com características distintas daqueles formados no restante do Holoceno.
Segundo essa revisão, as camadas de gelo e sedimento depositadas recentemente contêm fragmentos de materiais artificiais produzidos em abundância nos últimos 50 anos: concreto, alumínio puro e plástico, além de traços de pesticidas e outros compostos químicos sintéticos. Mesmo em lugares remotos do planeta, como a Groenlândia, os sedimentos acumulados de 1950 para cá apresentam concentrações de carbono, resultado da queima de combustíveis fósseis, e de fósforo e nitrogênio, usados como fertilizantes na agricultura, muito mais elevadas do que nos últimos 11.700 anos.

O G1 e a BBC Brasil, assim como o Público, já noticiaram sobre tal tema e reforçam o básico sobre o Antropoceno (clicando nos links acima você acessa cada uma). Por conseguinte, creio ser um complemento os seguintes links: o primeiro é sobre uma matéria do Motherboard reunindo as evidências existentes sobre o Antropoceno retiradas de um artigo da Science; o segundo é sobre um artigo — acadêmico — do Paulo Artaxo — professor do Instituto de Física da Universidade de São Paulo — na Revista USP de título “Uma nova era geológica em nosso planeta: o Antropoceno?”.

Considerando que os medos do humano podem ser criados por si próprio dentro de sua cabeça, o Antropoceno se apresenta como um sinal irrefutável de um fim do mundo que o próprio ser humano produziu, ou seja, temos a capacidade de até mesmo nos extinguirmos, onde uma não mudança em nosso modo de vida e relação com a Natureza pode acabar nos colocando em triste penúria. Nossas ações tem força o suficiente pra rivalizar com a Natureza a ponto de perturbarmos claramente uma era geológica que nos possibilitou dar um salto como espécie. Sinais antes claros começam a ficar cada vez mais óbvios a ponto de ser cada vez mais urgente uma nova forma de vivermos, assim como torna-se mais evidente o desafio de elaborarmos uma nova ética que nos permita viver em equilíbrio. Concordo com o apelo do Papa Francisco na sua carta encíclica Laudato Si:

O urgente desafio de proteger a nossa casa comum inclui a preocupação de unir toda a família humana na busca de um desenvolvimento sustentável e integral, pois sabemos que as coisas podem mudar.

As coisas estão mudando, mas ainda podemos — para o nosso bem e de todo o planeta — revertê-lo.

Imagem tecnoblog.net

Habemus Moto G!

Muitos smartphones intermediários são lançados durante o ano, mas alguns deles valem a pena ser especificamente mencionados. Um deles, principalmente no Brasil, é o Moto G. Chegando atualmente a sua 4ª geração, a ~ Lenovorola ~ resolveu mudar um pouco no tradicional smartphone, trazendo também avanços significativos. Tornou-se um smartphone com mais poder de fogo, todavia perdeu na relação custo-benefício. Confira as suas especificações técnicas:

  • Sistema operacional: Android 6.0.1 (Marshmallow)
  • Tela: LCD IPS de 5,5 polegadas
  • Resolução de tela: 1920x1080 pixels (Full HD)
  • Densidade de pixels: 401 ppi
  • Chipset: Qualcomm Snapdragon 617
  • CPU: Quad-core de 1,5 GHz + quad-core de 1,2 GHz
  • GPU: Adreno 405
  • Memória RAM: 2 GB
  • Armazenamento interno: 32 GB
  • Armazenamento externo: cartão micro SD até 128 GB
  • Câmera traseira: 16 MP
  • Câmera frontal: 5 MP
  • Bateria: 3.000 mAh
  • Conectividade: micro USB 2.0, WiFi 802.11 a/b/g/n, WiFi Direct, hotspot, Bluetooth (4.1, A2DP, LE), GPS (A-GPS, GLONASS, BDS)
  • Sensores: acelerômetro, giroscópio, leitor de digitais e proximidade
  • Altura: 152 mm
  • Largura: 76,6 mm
  • Espessura: 9,8 mm
  • Peso: 155 gramas
  • Preço de lançamento: R$ 1.499

Com relação a reviews — apenas sobre o Moto G Plus, o mais poderoso da família Moto G. Confira o review do CanalTech sobre este potente aparelho:

O Review do Canaltech também pode ser encontrado em texto, assim como os do Tecmundo, AndroidPIT e Tecnoblog. Se quiser se aprofundar mais e adotar este aparelho como o seu queridinho, deixo um texto do Manual do Usuário sobre a fragmentação do Moto G, trazendo boas pontuações sobre a estratégia da Motorola dentro da Lenovo — ou da Lenovo como dona da Motorola?

O Facebook não é neutro

Apareceu para mim, durante boa parte do mês de maio, conteúdos sobre o algoritmo do Facebook e sua responsabilidade editorial. A relação do Facebook com as questões do jornalismo contemporâneo, observo, não é nada amistosa. Da morte da homepage — com a ajuda do Google Search — ao Instant Articles, vagarosamente a maior rede social da internet vem aproximando suas competências com as de um jornal. Atualmente, as discussões dos grandes jornais com o Facebook estão rodando no seguinte ponto: o Facebook é neutro?

Em um artigo traduzido para o Observatório da Imprensa, a posição adotada é a de que um algoritmo é um editor. Logo,

[…] esta revolução levanta questões sobre como os sites da mídia social negociam sua condição essencial de buscar o lucro com seus novos papéis de fornecedores de informação e a responsabilidade social que isso acarreta em sociedades democráticas.

Creio que um ótimo complemento dessa visão de um algoritmo ser um editor pode ser encontrada em um artigo no European Journalism Observatory (EJO): um editor humano tem de seguir um código profissional e deontológico, sendo ai constituído suas normas objetivas — permitindo que as decisões sobre o que vai ou não ser publicado tenha estas normas como base, tentando ser o mais imparcial possível. Um algoritmo, diferente de estar submetido a uma subjetividade ou uma crença/epistemologia/ideologia, é construído por humanos. Ao agir, por mais que um algoritmo como o do Facebook se sirva de dados e estatística, não é possível prever o que fará quando mais interage e responde com o que se submete. O algoritmo nos molda e nós moldamos o algoritmo.

O problema se agrava ainda mais quando, na lógica de sobrevivência, o Facebook acaba distorcendo a Internet se tornando uma internet menor dentro da própria Internet — já que trabalha dentro da lógica de jardim murado, não permitindo que, por exemplo, o seu conteúdo seja salvo nas iniciativas de guarda e registro da história e memória da internet. O Facebook, conscientemente ou não, acaba caminhando em uma direção em que se coloca como “Ainternet. E isso faz com que seja alocado para ele algumas responsabilidades antes não especuladas. Ao lançar o Trends — ferramenta que apenas funciona nos Estados Unidos — , mesclando em seu funcionamento tanto algoritmos quanto humanos, sendo que a parte humana tinha coisas a cumprir com relação a notícias estarem nos Trends para informar seus usuários e assim deixá-los mais tempo em seu site para poder ganhar um troco, não tem outra: existe ai um comportamento editorial e posicionamento redacional, mesmo que apenas seja para replicar notícias.

O Facebook insiste em se posicionar como um produto ou plataforma, como se isso afastasse automaticamente seu comportamento editorial. Como resposta ao Facebook sobre “assegurar consistência e neutralidade” nas notícias que aparecem no Trends, Moreno Osório do Farol Jornalismo é enfático:

Engraçado. Ao mais uma vez reafirmar sua posição como plataforma, negando qualquer posicionamento editorial, o Facebook entra em dupla contradição. Acharia até ingênuo se não houvesse tanto poder envolvido. Primeiro, insistindo na neutralidade da tecnologia. Se um algoritmo faz escolhas, ele toma posição. Mesmo que essas escolhas sejam baseadas em comandos desenvolvidos para verificar o que as pessoas já estão lendo, esses comandos foram criados a partir de determinados critérios. E se houve escolha de critérios, houve algum tipo de viés. Pode não ser na camada mais visível, mas no código que faz essa camada emergir. E outra: apenas ao sublinhar o que é trending, o algoritmo reforça o caráter trending daquele conteúdo, fortalecendo a agenda em pauta. Ou seja: influencia.
Segundo, afirmar que a equipe de revisão é guiada por princípios rigorosos para garantir a neutralidade já é, por si só, uma outra grande contradição. Com esse comportamento, o Facebook fica ainda mais parecido com alguns veículos jornalísticos, que, em pleno século XXI, acreditam na neutralidade da linguagem, dizendo que são apenas mensageiros. Falar é um ato político.

Vale ressaltar que, no caso dos algoritmos, além de este receber algumas intenções setadas para nos mostrar no news feed aquilo que possivelmente queremos, este também é projetado principalmente tendo em mente o que a empresa quer de nós. O Facebook deseja saber mais de nós para nos impactar com anúncios da forma mais eficiente possível e, para isso, precisa ter seu algoritmo alimentado pelo nosso comportamento o maior tempo possível — obviamente, quanto mais ele aprende sobre nós, melhor o algoritmo fica em nos oferecer aquilo que queremos de conteúdo além daquilo que eles querem para ter seu trocado garantido no fim do mês. O simples fato do Facebook, devido ao seu modelo de negócios, necessitar saber sobre nós e contar com um algoritmo grande e complexo para lhe ajudar já nos mostra que este e seu algoritmo não são nada neutros. O Facebook tem o poder — ou a potencialidade do poder — de formar o que pensamos e isso não deve ser ignorado. Repito — em um tom mais pretensamente universal — : um algoritmo ser neutro, muito provavelmente, é uma falácia.


Confira alguns outros links para leitura complementar:

A ideia de acesso aberto as publicações acadêmicas vem trazendo muitos avanços para a ciência. Mas e quando esse acesso aberto acaba possibilitando que “[…] pesquisas desagradem corporações, grupos de pessoas ou indivíduos isolados”, enfrentando por estas consequências negativas e/ou judiciais?
O Conselho de Competitividade da União Europeia aprovou na sexta-feira (27/5) a diretriz de que todos os artigos científicos produzidos por instituições publicas europeias e também os custeados com recursos públicos deverão até 2020 adotar o modelo Open Access (OA), no qual não há cobrança pelo acesso aos conteúdos de periódicos acadêmicos.
Inteligência, segundo minha definição favorita, do físico norte-americano Alex Wissner-Gross, é a capacidade de tomar decisões que maximizam possibilidades futuras. Decidir voltar para o Brasil depois da pós-graduação e ficar aqui, apesar de uma chance de ir para os Estados Unidos, foram decisões inteligentes no meu passado. Mas, agora, a única escolha inteligente que me resta é ir embora. Explico.

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