Cinema e romance: uma história de amor

Corações apaixonados, pipoca, suspiros e lágrimas

Filmes românticos fazem, principalmente, parte da subdivisão de dois grandes e poderosos gêneros da arte cinematográfica: o drama e a comédia. Entretanto, unindo questões de superação, heroísmo, sacrifício, destino e descobertas, o romance vai além desses gêneros e consegue ser um ingrediente importante em diversos outros.

Se em filmes de suspense ou terror esse mote é alvo de vilões malvados que desencadeia muito sofrimento e angústia, filmes de fantasia e aventura só se tornam épicos se reinos entrarem em guerra por causa de um amor proibido. Mas é no drama e na comédia que o romance se sobressai, fazendo chorar e suspirar ou rir com seus amantes desajeitados e tolos… de amor.

Leonardo DiCaprio e Claire Danes apaixonados em “Romeu + Julieta”

Em um drama romântico, seus protagonistas vivem histórias impossíveis ou simplesmente com barreiras sustentadas pela própria vida. O final não promete ser o mais feliz, porém, o caminho vai levar à redenção desses personagens e a catarse da plateia. A tragédia faz parte do romance desde que Shakespeare conquistou o público com sua peça Romeu e Julieta. E essa, sem dúvidas, é a maior referência para o romance clássico — servindo também como ponto de partida da nossa reflexão.

Claro que a célebre história de disputa entre famílias rivais que entra em erupção pelo amor proibido e trágico, já foi recriada diversas vezes no cinema. Realizadas tanto ao pé da letra quanto em produções que a usaram de referência, clássicos surgiram. Enquanto gangues rivais em Amor Sublime Amor foram os algozes dos amantes, em Romeu + Julieta, do diretor Baz Luhrmann, o romance foi modernizado de forma ainda mais trágica e sangrenta. Todavia, é na adaptação do italiano Franco Zeffirelli que público se lembra do casal mais romântico da história. Como não ouvir a trilha sonora e não suspirar?

Na essência de Romeu e Julieta, o amor é tão grande, tão imenso, que jamais conseguiria ser sustentado por dois mortais. Esse é o amor que também brota dos soluços de Christian (Ewan McGregor) com a dificuldade de viver seu sonho com Satine (Nicole Kidman) no musical Moulin Rouge — Amor em Vermelho. E também está encrostado no brilho no olhar dos amantes, na inesquecível cena final de Casablanca. Do abraço platônico em Morte em Veneza, até no “eu juro” em O Segredo de Brokeback Montain. Esse amor é que afunda em Titanic. Transforma monstros em homens, como em A Bela e a Fera.Vira fortes lembranças em Diário de uma Paixão. E falece sorrateiramente em Love Story e Um Amor para Recordar. Todos amores desafiados pela morte ou pelo impossível estão eternizados na história do cinema.

O refrão final de “Moulin Rouge: Amor em Vermelho”

Mas nem sempre o romance é trágico. E sim, os mortais podem vivê-lo, pelo menos no final do filme. E acompanhado de risadas, as conquistas românticas fazem a subdivisão mais viva da sétima arte: a comédia romântica. O proibido torna-se absurdamente envolvente e divertido quando as situações vão traçando um caminho de desventuras, ironias, papelões e piadas. Afinal, amar é ficar bobo, flutuando e alegre.

O pedido de casamento nada convencional do filme “A Proposta”

O amor brota da desilusão amorosa em Missão Madrinha de Casamento, cresce da arrogância e individualidade de uma personalidade absurda em A Proposta. É separado por muito dinheiro e fama em Um Lugar Chamado Nothing Hill. E ele funciona mesmo depois de muitos tropeços, beijos e contratempos. Os amantes riem do caminho percorrido e as luzes se acendem. E todos estão recuperados da terapia que só a magia do cinema pode oferecer.

Nas lágrimas e nas risadas, o cinema não decepciona quando o tema é o romance. Não importa o gênero. Todos querem amar, custo o que custar.

O romance é inesquecível em “Diário de uma Paixão”

Referência para o texto: o livro “Como ver um filme”, Ana Maria Bahiana.

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