Cobramos demais de nós mesmos

Ou: a mania de se preocupar com o sucesso, antes de traçar o caminho.

Eu lembro quando há pouco menos de 2 anos, comecei a escrever no Medium sobre temas variados nas áreas de relacionamentos e comportamento. Não era para me tornar escritora, não era nada sério, era mesmo só pra desabafar pensamentos e exercitar a escrita. Eu sentia uma falta enorme de ter um lugar para escrever sobre tudo que eu observava e me angustiava. Pra mim, isso é (quase) terapêutico.

Já contei um pouquinho sobre isso aqui (aliás, esse texto fala basicamente da mesma coisa que estamos conversando agora), mas SPOILER: os primeiros passos dessa jornada não foram bonitos. Eu escrevia e deletava textos na velocidade da luz, deixava alguns deles morando meses em um arquivo de Word até conseguir publicar, vivia apavorada com a possibilidade de alguém ler o que eu estava escrevendo. Ou pior: de alguém detestar o que eu estava escrevendo. Pensei tantas e tantas vezes em deletar minha conta pra tirar tudo do ar. Uma coisa que foi criada pra me ajudar a lidar com os sentimentos estava trazendo ainda mais preocupação.

Antes mesmo de ver o meu Medium tomar corpo, eu já estava dando o meu projeto como fracassado tão e somente pela possibilidade dele não atingir um padrão de “sucesso” que não fui eu mesma que estabeleci. Mas quem foi que disse que ele tinha que fazer sucesso? Fazer sucesso nunca foi meu objetivo aqui. Aliás, que sucesso é esse de que estamos falando? Eu só queria escrever pra desabafar e exercitar, lembra? Não serve se ele só atendesse esse objetivo?

Photo by Clark Tibbs on Unsplash

Bom, eu não sei qual foi o momento exato em que decidi continuar escrevendo, mas eu me lembro bem que estava passando por uma fase de muitas mudanças (amorosas, de CEP e de responsabilidades), então eu sabia que escrever ajudaria a colocar para fora coisas que no dia a dia jamais sairiam de mim. Não tinha outra escolha senão seguir.

Foram palavras cuidadosamente selecionadas, MUITA edição (parágrafos inteiros sumiam sem deixar vestígios do seu paradeiro) e, às vezes, até mesmo lágrimas ao fim de alguns textos. Mas, de lá para cá, esse repositório de pensamentos só me trouxe boas surpresas: me rendeu mais leituras do que eu imaginava, a colaboração em duas revistas digitais que adoro, muita troca de ideias com pessoas que sequer conhecia, a noção de que não estamos sozinhos nas nossas angústias e tantas outras pequenas alegrias que nem sei.

Não sou escritora (pelo menos não me considero), não ganho dinheiro com o isso, não fiquei famosa, mas, mesmo assim, sinto que esse projeto pessoal foi um sucesso. Eu consegui enxergar valor no que ele agregou pra mim.

Cada pessoa faz coisas de acordo com as suas necessidades e por motivos completamente diferentes. Já vi gente que começou a testar umas receitas mais leves porque a saúde pediu e agora compartilha as suas criações gastronômicas pra quem mais precisar/quiser comer bem. Já vi gente que ama organização e resolveu compartilhar para download o planner que ela mesma criou para se organizar. Já vi gente que tem banda e faz shows de vez em quando só pelo prazer de tocar com os amigos algo que foi composto em grupo. O importante é entender quais são os critérios que contam pra você considerar que valeu a pena.

A nossa noção de sucesso não precisa, e na maioria das vezes não deve, ser a mesma do resto das pessoas. Até porque o que é considerado sucesso precisa variar de acordo com o contexto. Pra mim, a chave para descobrir se algo está sendo bem-sucedido é voltar no momento da sua criação e se perguntar: por que mesmo eu decidi fazer isso? Se você está atendendo o objetivo original, não precisa de nada mais. Não é que não possa, mas nem tudo precisa render dinheiro ou fama pra você considerar que deu certo.

Hoje eu sei que independente do retorno que eu tiver daqui pra frente, vou continuar escrevendo no Medium porque ele se tornou importante para mim. Ele se tornou um canal para eu fazer uma das coisas que eu mais gosto, da maneira mais leve possível. Como dizer que isso não tem valor?

Arrisca, vai. ;)