Com os olhos no novo cigarro

Se estou entediado, dou uma olhada no celular

Photo by Erica Leong on Unsplash

A ansiedade e a depressão explodiram no mundo. Realidade que pode ser comprovada pelo uso excessivo da tecnologia, além de todos os artifícios já inventados para tentar barrar o descontentamento interno — comidas desnecessárias, bebidas, cigarro, drogas, festas, consumismo desenfreado e afins. O ser humano não percebeu, mas continua sendo comandado por estados inconscientes.

Uma vez conectado — e sempre conectado — o cérebro vem sofrendo insultos alarmantes, agravando a miopia do que se entende por realidade e mundo virtual. Usar a tecnologia não é o problema; preocupante é achar que responder mensagens é o mesmo que estar presente.

É comum observar esse comportamento com os agitadores das redes sociais. Normalmente, são os mesmos que fogem do olho no olho, do contato físico, da conversa sincera e do abraço que oferece a sensação de estarmos vivos. Vivem pendurados nos celulares, trocando cada vez mais a presença física pela “presença” digital.

Photo by Jacob Ufkes on Unsplash

“A tecnologia não é ruim, mas seu uso está nos desconectando e escravizando. Chegamos a olhar o celular entre 1.000 a 2.000 vezes por dia. Temos que começar por redefinir nossa relação com a tecnologia: é uma ferramenta, muito útil, mas tem que nos tornar livres. O celular é o novo cigarro: se fico entediada, dou uma olhada nele. Não mande mensagens vazias de emoção, convide seus amigos para um jantar na sua casa”, afirma a socióloga Amber Case, em entrevista para o jornal El País.

Estar conectado virou uma grande alucinação. O cérebro vive constantemente atordoado por uma fumaça tóxica, dando a sensação de que o mundo está ao redor da nossa cama. Nunca estivemos tão confusos do que é estar presente — com os outros e com nós mesmos. Em verdade, nunca estivemos tão sozinhos.

Ao acordar, por exemplo, opte pela reflexão, meditação e todas as suas atualizações internas. Ignore os alertas do celular, notebook e entre outros dispositivos eletrônicos. Projete o que você quer para a sua vida, e não o que a vida alheia lhe sugere.

Restabeleça a conexão com você mesmo. Sintonize a sua energia com o Universo. Faça por merecer o instante de vida que lhe foi confiado. E, por favor, evite as inúmeras tragadas diárias. Porque, eu mesmo, ao escrever este texto, enfiei por diversas vezes os olhos no novo cigarro.