Combater às fake news começa nas escolas

Eu trabalho com televisão, mais especificamente em uma TV legislativa no interior de São Paulo. E a nossa busca diária é em manter isonomia e isenção constantes, já que o número de vereadores é grande e o foco do nosso trabalho é a prestação de um serviço público de qualidade.

Um dos quadros que faço para o nosso jornal diário é sobre educação, e realmente não esperava por uma coincidência. Na minha caixa de e-mail, um release sobre um colégio, aqui em Campinas/SP, que dá aulas aos alunos sobre como reconhecer e não repassar notícias falsas, isso na mesma semana que sou aceito pela New Order e que o tema principal da semana é justamente “fake news”.

Fui lá, entender o que levou o colégio a apostar nessa conduta. Um colégio particular, com alunos de classe média alta, ou mais alta ainda. E o que encontrei foi uma proposta surpreendente, e a mudança de uma realidade que eu não sabia que existia.

O projeto basicamente reuniu os alunos, mostrou o que era uma notícia falsa, como ela é criada, quais interesses podem estar por trás, os motivos para não compartilhar, e principalmente, como utilizar o bom senso para desmistificar esse tipo de notícia e assim evitar danos para a sociedade e principalmente para os estudos. O tema pós-verdade também é trabalhado com os alunos

Não foi só um único encontro, o trabalho é contínuo, mas o primeiro impacto gerou resultados. Para o professor de filosofia, Juliano Martoni as redações dos alunos já mudaram. A construção do texto e as opiniões já estão mais embasadas, críticas e dentro da realidade. Na opinião dele e do professor de geografia Luis Felipe Valle, os alunos estavam se perdendo entre o que é embasado cientificamente e ensinado nas escolas, por conta das notícias falsas. Isso podia, em um futuro muito próximo, começar a trazer prejuízos nos vestibulares, caso um aluno discordasse do conteúdo cobrado.

A expectativa dos professores é que o trabalho desenvolvido no colégio conscientize também familiares e amigos, já que a influência, principalmente dos pais na opinião dos filhos é muito alta. E quando essa opiniões têm como base notícias falsas, o exercício da cidadania fica comprometido, e isso é muito mais sério, do já tão sério rendimento escolar.

Se esse tipo de trabalho se espalhar por todos os colégios do país, aliado ao que os grandes portais e empresas de notícias vêm realizando em relação as notícias falsas, talvez essa onda que busca criar uma verdade se nenhum “pós” surreal, muito menos irreal, domine a outra.