(Imagem: Portal do Budismo)

COMO A ECONOMIA COLABORATIVA ESTÁ TRAZENDO O SENSO DE “COMUNIDADE”

Em uma economia saturada por recursos financeiros e ambientais, somos estimulados a desenvolver modelos de negócios inovadores com foco na sustentabilidade para todos os envolvidos na cadeia — da produção ao consumo.

O consumo consciente vem à tona e a reflexão do que é necessário vs. desejado, combinado com valores mais humanos do que superficiais, já vêm acontecendo. É desafiador fortalecer o senso crítico dos consumidores por intermédio de informações factuais do futuro do planeta e, ao mesmo tempo, contar com a ação das grandes indústrias no foco do lowsumerism (vale assistir o vídeo produzido pela Box 1824 — The Rise of lowsumerism) em relação as limitações causadas pelo consumo desenfreado, considerando a forma de como a economia evoluiu e ganhou dinheiro até o momento. Ao mesmo tempo, abre-se espaço para novas empresas surgirem com soluções alternativas para problemas cotidianos.

Algumas delas nasceram a partir do consumo compartilhado, como é o caso da RoostPeerby, Street Bank, e até mesmo, aqui no Brasil, o Tem Açúcar?, em que o negócio está ancorado na troca, no empréstimo, ou no aluguel de um produto, ou até mesmo de um espaço, atendendo à demandas pontuais e temporárias da vizinhança. Sem a necessidade de investir num bem durável, além de poupar dinheiro e ter uma atitude “verde”, a solução promove conveniência e proximidade entre as pessoas, trazendo o senso de comunidade.

Tal comportamento é ainda mais comum em classes sociais mais baixas, como citados pelo Plano CDE, no Fórum Novas Fronteiras do comportamento do consumidor, de muitas pessoas dividirem a utilização de um cartão de crédito, internet wi-fi e até mesmo, comprando produtos de alimentação e limpeza no atacado para que o custo unitário do produto/serviço seja menor e os tornem acessíveis.

Na série do NetFlix, “O início da vida”, também se apresenta os benefícios da educação infantil dentro de uma comunidade, em que as mães dividem tarefas enquanto os filhos desfrutam de companhia e relacionamento com outras crianças. Outro exemplo em que a moeda de troca nem sempre é o dinheiro, é o caso apresentado recentemente no Saia Justa, em que uma empreendedora do Espírito Santo criou um sabão sustentável, em que muitas vezes trocava por serviços em sua comunidade, como no cabeleireiro. Além disso, seu negócio mobiliza as pessoas a ajudarem na reciclagem do óleo e outras matérias primas para produção do sabão Lelê

Um ponto crucial para realização de tudo isso é a dependência da participação dos indivíduos. A credibilidade e reputação do ser humano passa a ser fator decisivo para o sucesso do negócio. E aqui retomamos os valores essenciais para um relacionamento, para uma troca, para uma transação acontecer, que vai além de marca, preço e status, mas que é baseada na confiança.

No Airbnb, por exemplo, não basta ter dinheiro para alugar uma casa ou apartamento onde quer que seja no mundo, mas sua reputação é imprescindível para o fechamento do acordo. O Waze, também é um exemplo de que depende da boa ação de seus usuários para o funcionamento do negócio. O Uber, incluiu o sistema de carona agora também no Brasil. E o segmento de montadoras também incluiu serviços de compartilhamento de carros.

A tendência de consumo colaborativo, mesmo partindo mais de uma necessidade do que de uma questão moral (pelo menos por enquanto), vêm com um otimismo e satisfação ao trabalhar frente a um propósito que não seja apenas o lucro. Outras variáveis precisam ser consideradas para “fechar negócio”, e que tem como consequência impactos na sociedade, como inclusão social, quebra de paradigmas e hierarquias e mais igualdade, proximidade e cooperação entre os seres humanos.

Ao colocar-se no lugar do próximo e trabalhar a empatia, o senso de comunidade fica mais forte e, perceber que dependemos das pessoas e que podemos ganhar muito na troca impulsiona a criatividade para modelos de negócios alternativos.

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