Como Meditar Sem Tretas Místicas

Quer meditar, certo? Claro que quer! Com tanto alarido ninguém quer ficar de fora do comboio da meditação: “All aboard, the night train!”

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Os cientistas tremem de excitação perante os benefícios a nível de redução do stress, desempenho cognitivo e bem-estar físico.

As celebridades revelam aos microfones ser a sua nova atividade favorita, logo a seguir às orgias e aos riscos de coca.

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Quando a ciência e o que é fashion andam de mão dada já não há razão para a vergonha, saia do armário e anuncie a sua espiritualidade ao Mundo!

Há só um problema: é tudo tão confuso!

Achou que sentar-se sem pensar em nada era fácil? Pois, pense de novo.

Uma breve pesquisa googlesca exibirá 20 tipos de meditação, 10 formas de sentar e 8 formas de pôr as mãos.

Relaxe, pois vou contar-lhe um segredo: aprender como meditar é simples.

O problema é que a simplicidade não é lucrativa, pois as pessoas não se satisfazem facilmente. O ser humano adora coisas grandes e complexas. Assim, há sempre múltiplas desculpas para adiar aquilo que importa.

Só existe 1 verdadeiro desafio na meditação (ou em qualquer outra coisa):

Perseverar durante anos.

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Nunca se esqueça que você é a autoridade máxima, e a única, sobre o que sente e deseja.

Certas pessoas são muito carismáticas e aparentam boas intenções, mas lembre-se que são meros humanos como você, com as mesmas necessidades, anseios e desejos. Eles têm um corpo igual ao seu e uma mente com os mesmos problemas e potenciais que a sua.

A única coisa que os distingue de si é que acreditam no que acreditam e você ainda não.

Ao longo da sua viagem meditativa terá perguntas. Para a maioria encontrará respostas pesquisando no Google.

Outras serão mais subtis e pessoais. O que fazer nesses casos?

Você é a autoridade máxima sobre o que sente e deseja, lembra-se? Portanto, procure a resposta em si.

Não se limite a fingir que procura. Faça-o realmente com toda a intensidade e as soluções chegarão. Talvez demore alguns dias, ou algumas semanas, mas chegarão de forma incisiva e indiscutível.

Esse é outro aspeto-chave: as respostas estão dentro de si se as procurar com sede total de conhecimento.

Tenha presente que todas as práticas espirituais foram criadas por um ser humano. O primeiro guru da história não teve gurus, apenas decidiu confiar nas suas ideias. Desse modo, não há motivo para as suas não terem valor igual ou superior.

VAMOS ENTÃO APRENDER A MEDITAR!

Antes de mais, se prefere aprender sob a forma de vídeo, aprecie a série de 5 vídeos em baixo que lhe explicam tudo!

A primeira coisa a saber é que o processo deve ser confortável.

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Assim, sente-se da forma que preferir. Não interessa se é no chão ou num sofá, com as pernas cruzadas ou esticadas. As suas costas devem estar direitas dentro do que lhe é agradável. Pode encostá-las a alguma superfície ou não.

Não recomendo que se deite ou se incline demasiado, pelo menos a início, para não ter vontade de adormecer.

O QUE FAZER COM AS MÃOS?

Aquilo que lhe for agradável manter durante a sessão. Pessoalmente, gosto de entrelaçá-las, mas não se preocupe muito com isso. A iluminação está a borrifar-se para onde coloca as mãos.

QUANTO TEMPO DEVE MEDITAR?

Aconselho 12 minutos, 1 vez por dia. Menos tempo que isso sabe a pouco, mais tempo pode dar-lhe sono.

Ao fim de 1 semana, se estiver a gostar e não sentir sono, aumente para 15 minutos. Uma forma de descontrair é usar o telemóvel como despertador para lhe permitir entregar-se completamente sem se preocupar com o tempo (retire o som de todas as outras notificações).

Com o tempo pode até apetecer-lhe meditar mais que uma vez por dia. Se lhe sabe bem, faça-o.

NO QUE PENSAR?

Existem diversos tipos de meditação, mas simplifiquemos.

Sugiro que se foque na respiração, sentindo a forma como a passagem do ar expande e contrai a sua zona abdominal e torácica.

Comecemos por usar o foco na respiração como a sua base sólida, o seu centro.

Pode ter a certeza que assim que tentar concentrar-se apenas nisso a sua mente será invadida por pensamentos que mais parecem um enxame de abelhas assassinas. “Esqueceste-te de comprar guardanapos”, “Sinto-me gordo, tenho que voltar ao ginásio” e todas as memórias embaraçosas de noites de bebedeira voltarão para o assombrar.

Assim que tomar consciência que se perdeu em pensamentos, não se irrite, pois isso apenas se transformará noutros pensamentos, que o farão perder mais tempo e entrar num ciclo vicioso. Simplesmente aceite que aconteceu e, pacificamente, volte a concentrar-se na respiração.

Com a prática contínua perceberá que os pensamentos o distraem menos e com menor intensidade.

A maioria aconselha apenas a fazer isso e a não desviar os pensamentos desse processo. A ideia é que acabará por entrar num estado de serenidade e equilíbrio, mas eu vou sugerir-lhe algo pecaminoso: siga o prazer!

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É irrelevante se o prazer se origina sob a forma de uma sensação física ou de uma fantasia mental grandiosa.

Assim que sentir algo agradável a puxá-lo, deixe-se ir. Há forma mais fácil de estar concentrado que em algo que nos dê prazer?

Pode estar a perguntar-se “Mas isso não é distrair-me com pensamentos ou perder-me em coisas que não são importantes?”.

Não, a não ser que o force ativamente.

Todavia, se está concentrado na respiração e, do nada, sente um formigueiro agradável na base da coluna ou no ponto entre as sobrancelhas saboreie-o, é algo espontâneo. É nesses momentos que deve confiar na sua natureza e entregar-se.

A prática vai torná-lo especialista em distinguir a diferença entre as sensações e emoções espontâneas e as forçadas.

Dou-lhe um exemplo prático (ou talvez não): se estivesse a meditar e lhe surgisse uma visão de Jesus ou Buda a falar diretamente consigo, provavelmente prestaria toda a sua atenção a isso em vez de pensar “Vou ignorar isto e focar-me na respiração”.

A meditação não é um estado vegetativo e de consciência diminuída e sim um estado de consciência expandida onde processa mais, entende mais e sente mais.

Estou a insinuar que meditar, ter visões e deixar a sua mente fantasiar é a mesma coisa?

Perdoem-me a heresia, mas sim, exatamente!

Dificilmente ouvirão isto da boca de algum praticante de uma disciplina espiritual, pois isso significaria que o que fazem não difere do sonhar acordado de uma criança.

Lamento as horas que perderam a acreditar noutra coisa, mas é a verdade.

Estou a dizer que meditar nada mais é que reservar uns minutos diários para a mente vaguear e se perder em campos de prazer e amor?

Sim, exatamente!

Estou a dizer que vale tudo?

Quase tudo, exceto uma coisa. Há só 1 pecado capital na esfera da meditação:

Pensar ativamente.

Não interessa se é um problema amoroso, profissional, espiritual ou se está apenas a tentar perceber o significado de um filme pseudointelectual que não tem ponta por onde se pegue.

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No momento em que se envolve ativamente na procura de uma solução mental pode ter a certeza que está a irritar os deuses da meditação.

Há uma diferença gigantesca entre ser levado por fantasias ou sensações espontâneas e estar ativamente a criá-las. A meditação é um estado de recetividade e não de efetividade.

Tem o resto do dia para pensar ativamente e encontrar soluções para os problemas. Aliás, esse processo dá pelo nome científico de “Vida”.

O momento em que medita é sagrado pois entra na sua esfera íntima emocional. Aí a única pessoa que o pode reprimir é você próprio.

Nesse mundo tudo é permitido, pode sonhar, sentir e ser aquilo que quiser. É um verdadeiro privilégio ter essa maravilhosa janela para fora dos problemas diários.

Por uns miraculosos minutos coloca a cabeça nessa outra realidade onde pode explorar sem restrições o prazer da felicidade e do amor incondicional e universal.

Aí pode recarregar as suas baterias e voltar satisfeito ao mundo “real”. Magicamente, quanto mais vezes mergulhar nessa fonte de prazer e fantasias mais o mundo “real” se começará a assemelhar a essa outra dimensão.

Claro que tudo isso só pode acontecer se você o permitir. Você é a autoridade que guarda esses portões mágicos, lembra-se?

VAI ABRI-LOS?

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