Como tornar seu filho mais inteligente a partir de agora.

A parcialidade dos pais com relação aos filhos é um clássico dos relacionamentos humanos. Eu particularmente não conheço um só pai, ou mãe, saudável mentalmente que não tenha errado a mão, pra mais, ao falar sobre as qualidades de seus herdeiros.

Mas seria possível ajudar os pequenos a realmente desenvolverem suas habilidades e, assim, fazer com que o mundo reconheça de verdade do que são capazes?

Isto que escrevo aqui vale para os pais, mas também para professores, não importando o que ensinam a crianças e pré-adolescentes. Mas vale também para adultos. Aliás, acabei de lembrar que vale também para líderes de qualquer tipo. Especialmente do tipo que quer resultados.

O problema está em como elogiamos, em como isso cria expectativas na pessoa e em nós mesmos. Temos o costume de personificar tudo o que vemos, dizendo que uma pessoa é inteligente, é bonita, é uma excelente cantora e um mundo sem fim de qualidades que reforçam as ações do elogiado, que acaba por fazer sempre a mesma coisa por buscar essa recompensa. Funciona como uma profecia autorrealizável: a gente elogia dizendo que a pessoa “é” assim e, ela, busca esse feedback fazendo tudo de novo, tornando-se uma pessoa que nem sempre — ou quase nunca — é suficientemente apta a viver neste mundo do século 21.

Em um experimento com 400 alunos de uma escola de primeiro grau em Nova Iorque, a psicóloga Carol Dweck aplicou um teste de QI e dividiu os alunos em 2 grupos: o primeiro ela elogiava com “Nossa, como você é inteligente!” e, para o segundo, dizia “Você deve ter se esforçado muito para conseguir este resultado!”. Em seguida, aplicou outro teste, e as crianças teriam que escolher entre uma prova parecida com a primeira ou uma mais difícil. Os “inteligentes” escolheram o teste parecido com o anterior e os “esforçados” foram mais corajosos: escolheram a prova mais exigente. Num terceiro teste, com só uma opção de prova, muito mais difícil que as anteriores, todos se deram mal. Só que os “esforçados” se dedicaram muito mais, enquanto os “inteligentes” ficaram extremamente nervosos e muitos não terminaram a prova. Mas a grande descoberta chegou no final. Em um quarto teste, tão fácil quanto o primeiro, os “esforçados” melhoraram em 30% sua performance original, e os “inteligentes” caíram 20% em desempenho, comparados a eles mesmos na primeira prova.

Especialmente com filhos, ou pessoas (e crianças) de quem gostamos muito, tendemos a elogiar a habilidade, o talento, e não a ação. Mas é enaltecendo a ação do empenho que podemos dar a cada um a chance de descobrir o melhor de si mesmo, a aptidão que realmente gostaria de desempenhar na vida e, além disso, proporcionar flexibilidade e segurança para realizar muito mais. Que tal pensar duas vezes antes de falar pro seu filho que ele é muito bom (ou um gênio) em matemática?

A multidisciplinaridade jamais começa com o apreço pelo resultado, mas pelo incentivo à tentativa. Especialmente em crianças.

Há outra coisa que acontece quando elogiamos alguém: criamos a expectativa de que ela vá ter o mesmo bom desempenho na próxima vez que for realizar tarefa parecida. Mas o que não nos ocorre é que aquele seja um caso isolado. E que, na sequência, a pessoa volte pelo fenômeno de regressão à média, tão estudado por Daniel Kahneman, Rolf Dobelli, Leonard Mlodinow, entre outros. Sabe aquela sensação de que, quando você elogia alguém por um feito notável, ela “sempre” piora depois?

Mas isso é assunto pra outro texto.

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