O resultado de uma vida ainda sem resultados

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Nossa, demorei para me tornar a pessoa que sou hoje! Internamente falando. Venho aos poucos crescendo. Entendendo melhor algumas coisas. Venho aos poucos acreditando mais em mim. Aceitando meus defeitos. Sabendo lidar adequadamente com as minhas qualidades. E digo: não acredito que o que tenho até agora seja o resultado de uma vida ainda sem resultados, como diz aquela música de John Mayer.

Sabe o por quê? Porque gosto de ser grato. Grato pelos resultados que tenho. Isso mesmo. Às vezes, a gente tem uma mania chata de só reclamar. De completamente tudo. Qualquer coisa fora do lugar é motivo de bradar aos quatro cantos que nada está dando certo. E isso não é legal. Não faz bem para o que ainda não chegou. Energia ruim espanta o que há de bom. Energia ruim pesa.

Sabe, hoje, entendo, quase que na maioria das vezes, que se não deu certo agora, não quer dizer que não tenha fluido um pouco de alguma forma. Eu sei, não é tão fácil quanto parece, aceitar e perceber que as coisas se encaminham, em parte, para aquilo que desejamos, mesmo que tenham dado errado de primeiro. É um exercício árduo entender os resultados que precisamos em cada momento da vida.

Ainda sou um pouco assim, de querer que as minhas vontades, sonhos, objetivos ou sei lá, sejam atendidos para ontem e que ocorram resultados positivos. Só que a vida, gente, e, praticamente, tudo que dela depende, gira e cada coisa tem sua hora. Não há como discordar dessa verdade, quase que absoluta, que bate na nossa cara. Todo mundo sabe.

Não tenho um carro. Não tenho uma casa na praia. Nem viajei pelo mundo como idealizo desde meus treze anos. Não fiz nada de todas essas coisas materiais que a gente vai começando a conquistar quando vai chegando lá pelo fim do primeiro quarto de vida. Tudo bem que ainda não respondi a essas toscas expectativas da sociedade. E, para uns, isso talvez seja um resultado totalmente péssimo. Mas, na verdade, pouco importa. Os resultados devem estar ótimos diante das escolhas que vamos fazendo.

O que acho é que, de verdade, aprender a agradecer torna a gente mais leve sempre, desprendidos, capazes de enxergar os resultados que já temos. Ser grato, sabe, e parar um pouco, que sejam dois minutos ou duas horas, de apertar insistentemente a tecla do “tá tudo errado” ou “nada dá certo”, para aproveitar nossas pequenas vitórias que já existem. Observar que a vida acontece de uma maneira inacabada e a partir daquilo que optamos. Ora certa, ora, muitas vezes, errada. Com tantos resultados que não entendemos no momento e que não se findam por si só, ali, sem razão.

Crer que vivemos o resultado de uma dita vida ainda sem resultados é meio bad, gente, é permitir que cobranças desnecessárias nos tirem o sono. E, convenhamos, não é nada legal viver assim. Escolher demorar mais um pouco para se ter estabilidade não faz tão mal. Você pode, sim, demorar para terminar a faculdade, para se casar, para ter filhos e construir um spa, sei lá. Ou você pode optar em não fazer nada disso. Pode fazer um curso técnico, adotar um criança e trabalhar, nas horas vagas, para uma instituição sem retorno financeiro algum. Quem tem a audácia de dizer que não? Ninguém. Ainda, sim, a gente vai ter algum resultado.

Parece, quando olhamos para os lados, que nunca temos os resultados esperados, mas a turbulência é o resultado que a gente tem que esperar de uma vida ainda sem resultados terminados e que não para. E que bom. Espera-se isso quando estamos em pleno voo e temos destinos, mesmo que incertos, para aterrissar logo ali. Voar é melhor. Não vamos nos preocupar. Dependendo dos resultados, eles representam, absolutamente, nada.