Somos todos a dualidade da substituição

Pensei algumas semanas para escrever sobre o tema e não consegui, de forma, rápida ou como geralmente é, decidir o título do texto. Pensei em diversas opções, escrevi variados títulos, mudei a ordem das palavras, procurei sinônimos e demorei a entender minha “dificuldade”.

Ao longo da vida e da minha carreira profissional ouvi, por muitas vezes, a variação da tônica de sermos pessoas/profissionais substituíveis ou não. Percebi, fazendo uma busca rápida na memória, que a noção ou intenção com a frase não se restringe à percepção de uma pessoa, de uma empresa ou sociedade, mas sim do momento e intenção em que o termo é aplicado.

No término de relacionamentos ouvi muitas pessoas dizendo que só um amor cura o outro, ou seja, eu posso muito bem substituir minha parceira, sentimentos e toda uma relação, simplesmente encontrando uma outra pessoa. Parece uma conta fácil, mas ao pensar em suas variáveis não se chega a um denominador comum com essa “molezinha” que se fala.

Em certas situações ouvi também: “cara, você nunca vai conseguir substituir a fulana na sua vida.” Isso como se ela fosse o último coco da Bahia, né!?

Já presenciei inúmeros gestores de pessoas dizendo que nunca iríamos conseguir um substituto para o profissional “X”, que poderíamos caçar nos quatro cantos de mercado e não teríamos sucesso na busca.

Outras vezes, não havia motivos para tentarmos reter um profissional, pois o mercado é cheio de pessoas, profissionais que podem aprender e lá fora é que estão os melhores.

Realmente fica uma zona criar uma ideia fixa do conceito de substituível e insubstituível para pessoas e seus relacionamentos, parece sua aplicação que vale para tudo. Sinceramente lembra-me a história do pai de um grande amigo, que quando nos queixamos de algo referente a nossa saúde, como garganta, estômago, cabeça, não importa, ele sempre vai “receitar” própolis.

Acredito, friamente, que todos nós somos substituíveis e insubstituíveis. Com essa afirmação obviamente que, por alguns instantes, você pensou que estou de brincadeira ou sem ter o que fazer para escrever esse texto. Vamos dizer que foi um pouco de cada, pois escrever é um prazer, como brincar e sim, só escrevo quando não estou fazendo outra coisa. Mas voltando ao caso da minha afirmação de que somos essa dualidade substituível/insubstituível, que é o importante para o momento, é algo que fica claro e objetivo quando penso pela seguinte lógica: em se tratando de relacionamento amoroso aquele último coco da Bahia, a fulana, que ouvi um amigo dizer que eu jamais substituiria, realmente não consegui. Para mim está óbvio o motivo. Ela é única, nossa relação foi única, o que éramos não volta mais, logo não terá ninguém capaz de fazer com que eu sinta as mesmas sensações, prazeres, desprazeres e desejos. Ele é insubstituível. Só tem uma coisa, ela foi, sim, substituída. Isso mesmo, a fila andou, amém! Minha cabeça mudou, as expectativas são novas e o desejo se transformou, com isso tive em minha vida outros cocos ou fulanas, todas elas formando comigo uma nova relação, umas melhores e mais completas, outras superficiais e sem muito aprofundamento, o que me mostrou a possibilidade sim de substitui-la.

E aquele profissional que eu não encontraria de jeito nenhum? A famosa mosca branca de asas azuis. É, ele também foi insubstituível e substituível. Seus conhecimentos, alinhados às suas habilidades e atitudes eram únicos realmente, entregava um resultado muito positivo, que por sua individualidade se fazia incomparável, o que para mim também é óbvio agora, pois ele era ele. Encontrei sim, no mercado de bons profissionais, a mosca branca de asas azuis, um profissional que o substituiu, entregando também ótimos resultados, mas de maneiras diferentes sendo em alguns pontos melhores e outros nem tanto, mas era outra pessoa, com seus conhecimentos, habilidades e atitudes que, a partir de suas experiências individuais o fazem um ser único.

Parece uma elucubração sem sentido, mas acredito não ser completamente desvairada a ideia quando penso na pessoa e a riqueza de sua individualidade, que mostra a importância de cada um na interação com o outro, traduzindo o quão magnífico é a possibilidade de ser único no mundo e para alguns momentos sermos completamente insubstituíveis e para outros claramente substituíveis.

Temos é que ter o equilíbrio entre nossas limitações e potencialidades para sabermos nos colocar e nos perceber o quando, como e por que estamos permeando por um lado ou outro da dualidade da substituição e para no final perceber que substituível é o que eu faço e não quem eu sou.