Comunicação com culhões.

Como não pagar pau pra comunicação desse cara, hein? Nossa comunicação pública/política ainda está anos luz atrás e não é por falta de bons profissionais, é por falta de algo que a turma do Obama tem de sobra: culhão. Perto das bolas desses caras os culhões do Collor são, no máximo, fúcsia.

Uma das coisas sensacionais sobre a comunicação de alguns políticos nos EUA é o vínculo com o compromisso. Uma vez assumido, vamos em frente, sem "medinhos" — claro, com uma fantástica equipe de gerenciamento de crises, mas nada Scandal, calma lá. Tudo é planejado, estratégica e taticamente. Assim misturam postura firme, bom-humor, acidez e sarcasmo na medida e sacadas fantásticas pra falar com o público.

Lembram a resposta que a equipe dele deu pro Clint Eastwood?

E o sensacional discurso com um "tradutor de raiva"?

O quão ousado e genial é usar o tradutor pra dizer coisas que ele gostaria mas que "não pode"?

Sem esquecer, claro, que a genialidade muitas vezes está na simplicidade.

No Brasil a comunicação, inclusive a digital, dos políticos é feita, na maior parte das vezes, por assessores de imprensa, muitos deles jurássicos, incapazes de sair do quadradinho, trabalhando com medo tremendo de errar — e assim agindo sempre dentro de uma cartilha que foi escrita no tempo em que redes sociais nem eram cogitadas e políticos achavam-se deuses (e alguns ainda acham). Muitos dos perfis são tratados como espaços pra divulgar agenda e prestar contas (da forma mais chata possível).

Bem que precisaríamos de um Obama aqui — ou de sua equipe — ao menos pra criar o primeiro case. Aí, amigos, logo em seguida teríamos vários tentando correr atrás do prejuízo.