Agências sem educação

e a perpetuação da incompetência na comunicação

Tenho dificuldade em fazer “vistas grossas” a situações que não considero adequadas. Sempre fui assim e acho que sempre serei. Na maioria das vezes, não interfiro quando não é da minha alçada, mas sempre deixo um comentário para demonstrar que, apesar de uma muitas vezes estar no “mesmo barco”, não estou de acordo com o rumo tomado.

Nas minhas andanças e pelo contato que tenho como o pessoal de agências de publicidade e comunicação em geral, sinto em muita gente a mesma insatisfação, principalmente da galera vinda do ensino acadêmico ou a que costuma estudar para se aprimorar e que acaba tendo que se sujeitar à mediocridade do trabalho apresentado pela agência em que trabalha para pagar as contas no fim do mês.

Esse é um jogo viciado, no qual não há vencedores. Todos perdem. Clientes, profissionais, agências e o mercado. Aliás, o próprio desrespeito às metodologias se tornou uma prática do mercado. O pior é que muitos players reforçam esse comportamento como sendo o adequado, o padrão.

A doutrinação da agência que só suga e não ensina acaba dobrando muitos profissionais, os quais ao se sentirem impotentes perante essa barreira de ignorância, acabam não apenas aceitando essa situação como também propagando esses métodos com receio de retaliações ou de não serem reconhecidos.

Como é possível aprimorar o mercado quando a agência não se preocupa em educar o cliente? Como é possível aprimorar o mercado quando a agência não se preocupa em educar os seus funcionários?

Os clientes sempre serão clientes e os funcionários serão sempre funcionários. A variável é a agência. A agência é o catalisador, é o elemento capaz de transformar o mercado. Porém, a visão estreita de muitas delas prioriza simplesmente agradar o cliente da forma mais mecânica e superficial possível.

Quando essa característica mecanizadora motivada pela ganância e descaso se torna saliente, a tão falada inovação, que muitos batem no peito afirmando que a têm, deixa de existir. Não há evolução sem estudo. O aprendizado leva a descoberta.

Enquanto aventureiros e aproveitadores ditarem as regras e nem ao menos se disporem a ouvir o que lhes é dito, não é possível visualizar uma melhora no mercado e na valorização do profissional de comunicação, sobretudo no setor de design gráfico, no qual atuo e posso falar por experiência própria.

E assim, continuamos a falar com as paredes, a catar migalhas e aplaudir os likes, que não valem um centavo. À espera de um milagre chamado consciência.




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