Consciência do heroísmo de rosto africano

A grande viagem do Antigo Egito ao Negro Drama do Século 21.

Quando começou. Nasceram no Continente. Uma, duas, três, várias peles melaninadas, todas, pele e rosto, traços africanos, corpos negros, o início de tudo. O que tinha antes, o que haveria depois, mentes repletas de melanina, os campos de imaginário, olhe para o horizonte, veja as divindades se sacolejando dentro de você, houve antes do começo, o Rei das Vestes Brancas, e com pele muito preta, mexendo no barro, determinou o destino de todas as almas humanas ainda não nascidas, consciência humana, humanidade de pele preta, assim que começou.

O Rei das Vestes Brancas

Preste a atenção. Agora aqui vai dizer, “quer separar as raças”. Não caia nesses papos. Falando para você, que tem rosto africano também, isso é óbvio, se não é, entenda agora. Pele melaninada, vários tons, cacheados ou crespos, até lisos, preste a atenção, as filhas e filhos do Continente são a maior diversidade do mundo.

50 tons de melanina

A sua consciência é escura. É negra. Por quê? Porque a melanina é a substância mais importante do seu corpo. Você sabia? Os melaninócitos, condutores naturais de eletricidade, são o que te tornam mais forte, mais inteligente, mais saudável. A alma, os espíritos, são espectros eletromagnéticos que fervilham dentro de todas as coisas, são o axé que torna tudo vivo. Melanina é o que te aproxima de Deus, a Grande Anciã Preta do Universo.

O Matriarcado está bem aqui.

Quando começou. Você criou as tecnologias. O que o mundo inteiro conhece hoje por tecnologia, arte, ciência e filosofia começou antes e primeiro no Vale do Nilo, e de lá se espalhou pelo mundo. Mesmo que digam que não. As academias insistem que foi uma tal grécia ideal. Começou antes, em Kemet, Antigo Egito, Dinastias, começou antes. Enquanto os pálidos se arrastavam em cavernas frias, você, pessoa da melanina, já tinha catalogado as estrelas. Cinco mil anos antes da dita era cristã, você, pessoa melaninada, já tinha criado sistemas complexos de sociedade, ciência e religião — você já tinha criado não apenas a base, mas as estruturas da sociedade que o mundo conhece hoje neste dito século 21.

Como seria se nós melaninados nos desenvolvêssemos sem a invasão dos pálidos?

Os pálidos, homens e mulheres. Eles e elas aceitam sua responsabilidade? Elas e eles que juntos sim te acorrentaram, aceitam a sua responsabilidade nas estruturas alquebradas deste mundo de hoje? Há homens e mulheres na KKK — Ku Klux Klan. Há mulheres e homens pálidos no topo das famílias mais ricas do mundo que exploram todo o resto. Mesmo sob as regras do tal patriarcado criados por eles, eles e elas conspiraram juntos para dominar, subjugar, escravizar e massacrar todos os demais. Elas e eles aceitam a responsabilidade pelo que fizeram?

Aceitam a responsabilidade pelo que fizeram e ainda fazem?

Não se trata de uma aula de conscientização moral dos desmelaninados. Não se prega aqui necessariamente separação de nada, tampouco revanchismo — se fosse sobre revanche, afinal, não sobraria um pálido sequer… mas duvido que seja mais um banho de sangue que os nossos ancestrais desejam. Não.

Essa é que é a tal “consciência humana”.

Você, pessoa melaninada, sabia que você é uma heroína? Você criou as fundações de tudo que conhecemos, você teve suas invenções roubadas, você sofreu o apagamento e o racismo muito antes das ditas grandes navegações dos pálidos, você teve seu lar invadido pelos pálidos, teve suas culturas e imaginários deturpados, teve que engolir leis e religiões e sistemas que nunca foram feitos pra você, foi acorrentada e violentada e trazida à força pra terras estranhas e frias, apanhou, sofreu, chorou, lutou, morreu, se reergueu, estudou, retomou suas raízes, sobreviveu, viveu. Você ainda está aqui, pessoa melaninada, e os seus, os nossos, os nossos ancestrais estão conosco.

É essa a tal “consciência humana” que vocês querem para nós? Não, obrigado.

Fortaleça-se, pessoa melaninada. Não há o que comemorar, e sim refletir. E viver.