Copiar ou não copiar, eis a questão!

Ainda existe originalidade ou vivemos de Ctrl+C & Ctrl+V ?

Desde que o mundo é mundo que a humanidade vive esse dilema a respeito de como reconhecer e diferenciar imitações, cópias, plágios, homenagens, inspirações e afins.
Seja na música, dança, cinema, teatro, pintura, arquitetura, moda e um outro tanto sem fim de atividades, sempre existiu a discussão a respeito de como classificar essas obras.

coincidência x plágio x homenagem x inspiração

Isso ocorre porque de fato existe uma linha tênue entre esses assuntos, 
mas que por vezes beira o escandaloso de tão óbvias que são as ‘espertices’ 
quando comparadas lado a lado.

Eu não tenho pretensão em apontar dedos de acusação (tenho sim) mas reunirei aqui um punhado de músicas onde claramente, ou nem tanto, é possível identificar uma referência a outro artista, seja no modo de cantar, 
nos arranjos ou pelo uso de samples.

Algumas legítimas e outras nem tanto, elas estão por aí espalhadas e seguindo seus caminhos. Algumas com enorme sucesso e completo anonimato em relação a referência por trás da canção.

Vale lembrar que a criação de algo novo, não importa o segmento inserido, além de extremamente difícil exige um grande esforço inicial, seja ele físico, mental ou de ambas as ordens.

Qual foi a última vez que você concebeu algo original a partir do zero?

Pois é, você nem lembra! Criar a partir do nada é dificílimo e exige uma criatividade e poder de abstração que a maioria das pessoas não tem.

E quando digo novo eu me refiro a criação sem pontos de partida, sem nortes ja conquistados anteriormente e novamente almejados, ou seja, sem nenhuma referência.

No entanto a habilidade humana em aprender com os erros e de arquivar suas experiências para a partir delas aprimorar suas técnicas, é a grande responsável junto a curiosidade, em fazer áreas como física, tecnologia e medicina avançarem tanto nos últimos anos.

Existe inclusive uma célebre frase de Issac Newton que celebra esse conhecimento acumulado dizendo:

Se cheguei até aqui foi porque me apoiei no ombro de gigantes!

E quando se fala em música o termo mais comum a ser mencionado é o de plágio e como não domino o assunto segue a definição do wikipedia:

O plágio (diz-se também plagiarismo ou plagiato) é o ato de assinar ou apresentar uma obra intelectual de qualquer natureza (texto, música, obra pictórica, fotografia, obra audiovisual, etc) contendo partes de uma obra que pertença a outra pessoa sem colocar os créditos para o autor original. No acto de plágio, o plagiador apropria-se indevidamente da obra intelectual de outra pessoa, assumindo a autoria.

Sendo esse talvez o tópico que mais desperte interesse, começo aqui com a misteriosa coincidência que fez o Criolo criar uma música igual a da Clara Nunes, além de outras tantas coincidências…ou não!

Clara Nunes - Tristeza pé no chão

Criolo - Linha de Frente

Eaí, o que você me diz?
Eu voto como culpado! Não por ter feito igual, mas por ter se feito de ‘joão sem braço’. Pelo menos é como as reportagens retratam o assunto.
Ficaria mais bonito ele citar a Clara sempre que fosse cantar esse som. 
Mas é isso…deixa quieto e segue o baile até o próximo som.
Esse por sinal rendeu umas boas cifras ao emblemático Jorge Ben.

Rod Stewart - Da Ya Think I’m Sexy?

Jorge Ben Jor - Taj Mahal

Eu acho que foi uma coisa mais discreta, com toda certeza, mas tá ali todo o jeitinho do Ben cantar. Não está?
A lista de hoje é grande e a cada play você vai pensar:
- Mas menina, como pode ser tão cara de pau?
E não que você esteja certo, mas também não está errado!

Huey Lewis and The News - I Want a New Drug

GhostBusters - Theme Song

E os grandiosos e incomparáveis Beatles, entram nessa lista?
Entenda…todo mundo entra nessa lista! 
É tudo reciclado, e vai da malandragem de cada um não ser descoberto.
Da um confere nesse vídeo com o som do George Harrison e em seguida a suposta música plagiada.

No entanto, e essa parte é a minha preferida, existe aquela galera que se apropria de forma parcial e intencional, ou até mesmo não parcial, com o objetivo de criar uma música totalemente nova.

Em alguns casos através de pequenas mudanças nos trechos, em outros na execução da melodia e também podendo ser executada por músicos que venham de outro gênero totalmente diferente do original.

No rap, e acho que no geral, chamamos essa apropriação parcial e por vezes ‘escondida’ de sample e não há nada mais interessante para um ouvinte de rap do que encontrar os samples que seus cantores preferidos usaram.

Clara Nunes - Criolo - Jorge Ben - Vínícius de Moraes

Eles costumam beber de águas antigas e utilizam nomes do soul, da MPB e até mesmo da Bossa Nova. 
Ahhhh…e toma nota aí! Os gringos possivelmente são os que mais sampleam as músicas brasileiras.
Abaixo uns exemplos interessantes:

Milton Nascimento - Catavento

Consequence - Don’t Forget’ Em

Viu? Tem gente que nem se dá ao trabalho de modicar o que já foi feito.
Eu vejo esse tipo de coisa com melhores olhos do que os que tentam dar uma camuflada e tal.
Talvez eu tenha uma birra com o Criolo!
Abaixo tem um som que você precisa de um pouco mais de atenção para perceber o que está rolando.

Vinícius de Moraes - Canto de Ossanha

The Pharcyde - Runnin’

Até mesmo o todo poderoso Jay-Z também andou dando uns voos nos sebos cariocas atrás das preciosidades que a terrinha produz.
Aqui ele usa um sample do Marcos Valle.

Jay-Z - Thank You

Marcos Valle - Ele e Ela

Sabe aquele super grupo de rap dos anos 80 chamado De La Soul?
Vai vendo…

Odair Cabeça de Poeta & Grupo Capote - A dor é curta e o nome cumprido

De La Soul - The Art of Getting Jumped

E brasileiro sampleando os gringos, tem? Certamente!
Chamei os mulekes para vocês ouvirem um tipo clássico de utilização de sample, onde os caras deixam um trecho da música justamente para ela ser reconhecida e depois fazem os recortes e ajustes de bpm necessários para criar a base do som novo.
Confesso que não sou fan da cone, mas curto o modo como o Papatinho (dj dos caras) trabalhou com esse sample.

Cone Crew - Chama os Mulekes

Nina Simone-I put a spell on you

E saiba que o seu rapper preferido quando não está militando, fumando ou escrevendo letras, certamente está revirando discos empoeirados com os maiores nomes da soul music.
Uma vez vi o Timballand dizendo que o segredo é saber onde procurar e eu dou toda razão a ele nesse ponto.
Abaixo temos uma homenagem a um dos caras mais icônicos da soul music americana e que não deixaria a desejar, não fosse a letra que os dois milionários do rap insistem em escrever.

Otis Redding - Try a Little Tenderness

Jay Z / Kanye West - Otis ft. Otis Redding

Há também esse som do Ray Charles, o qual você talvez tenha se entediado ouvindo, e que chegou a você através de algum filme ou coisa que o valha.

Ray Charles - I got a woman

Mas tenho certeza que você já rebolou bastante a ‘raba’ ouvindo esse som abaixo. E com toda razão!

Kanye West - Gold Digger ft. Jamie Foxx

A galera do rock mais pesado também faz uso desses artifícios!
Escutaê como eles se revisitam e criam coisas novas.

Chicago - I’m a Man

The Prodigy - Breathe

Um post gigante, com mais referências do que explicações de fato, foi o que eu consegui trazer até vocês.
Essas curiosidades a respeito das músicas acima não deixam de ser interessantes, e como eu falei anteriormente, quem somos nós para julgar?

As músicas se distanciam para depois convergirem mais a frente, provando que de alguma forma os movimentos são cíclicos e por vezes reaparecem ditando tendências, vontades e preferências.

Esperto é quem tem a sagacidade de perceber que seja em tom de homenagem, colaboração, inspiração ou plágio descarado, no mundo da música nada se cria e nada se perde, tudo se transforma!


Ahhh…e se sentiu falta de alguma música mandaê pelos comentários, certeza que vocês conhecem centenas, para eu enriquecer meu conhecimento musical fraudulento.